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Operação Penalidade Máxima: três são condenados por manipulação de resultados de jogos de futebol


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 07/08/2025 - 18:56

Penalidade Máxima
Operação Penalidade Máxima foi deflagrada pelo Ministério Público (Foto: MP-GO)

Denunciados pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) após investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da Coordenadoria de Segurança Institucional e Inteligência (CSI) e do Grupo de Atuação Especial em Grandes Eventos do Futebol (GFUT), três réus foram condenados pela Justiça por integrarem organização criminosa responsável por manipular resultados em partidas de futebol profissional. O esquema foi desmantelado por meio da Operação Penalidade Máxima, deflagrada em três etapas. A sentença foi publicada no último domingo (3/8).

Essa é a primeira sentença condenatória proferida em ação penal decorrente da Operação Penalidade Máxima, que foi deflagrada em fevereiro de 2023 pelo MPGO. Há outras ações penais em andamento sobre o caso, com outros réus.

Foram condenados nessa decisão Romário Hugo dos Santos, Thiago Chambó Andrade e Bruno Lopez de Moura. A sentença proferida pelo juiz Alessandro Pereira Pacheco, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa e Lavagem de Dinheiro, reconheceu que eles atuavam em diferentes núcleos do grupo criminoso: desde o financiamento e gerenciamento das apostas, passando pelo aliciamento de jogadores, até a realização de pagamentos a atletas envolvidos nas fraudes. A finalidade era obter lucros com apostas em jogos manipulados.

De acordo com a investigação, o grupo manipulava a ocorrência de cartões, pênaltis e até placares inteiros em jogos dos campeonatos estaduais e das séries A e B do Campeonato Brasileiro, entre 2022 e 2023. A finalidade era obter lucros com apostas feitas em sites especializados, prejudicando não apenas clubes e plataformas, mas também torcedores e apostadores de todo o País (confira outras informações no Saiba Mais).

Penas vão de 5 anos e 22 anos de reclusão

Bruno Lopez de Moura foi condenado a 19 anos de reclusão e 130 dias-multa, mesmo tendo celebrado acordo de colaboração premiada com o MPGO. A pena inicial era de 39 anos, mas foi reduzida até este total. O juiz considerou que, embora Bruno tenha cumprido os termos do acordo, sua colaboração não foi essencial para elucidar os fatos, já que boa parte das provas foi obtida por meio de outras diligências, como quebras de sigilo e busca e apreensão.

Romário Hugo dos Santos, ex-jogador conhecido como Romarinho, apontado como financiador, cooptador de jogadores e operador financeiro do esquema, foi condenado a 22 anos e 10 meses de reclusão e 170 dias-multa. O juiz destacou que ele exercia papel relevante na organização, embora não tenha sido comprovado que estivesse em posição de liderança formal.

Thiago Chambó Andrade, identificado como o principal operador financeiro e um dos líderes intelectuais do grupo, recebeu pena de 5 anos e 9 meses de reclusão, em regime semiaberto, além de 50 dias-multa.

As provas contra os réus incluíram interceptações telefônicas, quebra de sigilos bancários e telemáticos, mensagens extraídas de celulares, relatórios financeiros e depoimentos. Foram apreendidos celulares cujos conteúdos revelaram diálogos, movimentações financeiras e evidências da articulação entre os envolvidos.

Conforme a sentença, a estrutura da organização criminosa era bem definida, com núcleos de liderança, intermediação e execução, o que reforçou a configuração de estabilidade e permanência exigida pela Lei 12.850/2013, que trata das organizações criminosas.

Além das penas de prisão, os três foram condenados a pagar, solidariamente, R$ 2 milhões por danos morais coletivos. Eles poderão recorrer em liberdade, de acordo com a sentença, e cumprirão medidas cautelares, como a proibição de manter contato com outros denunciados e proibição de se ausentarem do País, entre outras.

Quarta etapa da Operação: Levantamento revela detalhes das denúncias

A quarta fase da Operação Penalidade Máxima já resultou na apresentação de cinco denúncias criminais, que envolvem 23 pessoas denunciadas por participação no esquema de manipulação de resultados em partidas de futebol. O levantamento aponta que:

• 5 denunciados são acusados de integrar organização criminosa;
• 16 denunciados respondem por corrupção ativa em âmbito esportivo;
• 5 denunciados foram enquadrados por corrupção passiva em âmbito esportivo;
• 2 denunciados também foram acusados de lavagem de capitais.

Além das acusações criminais, o MPGO pleiteia a condenação dos envolvidos ao pagamento de indenizações por dano moral coletivo, que totalizam o valor de R$ 3.799.918,28. As denúncias têm como base doze partidas de futebol realizadas entre 2022 e 2023, sendo onze jogos da Série A do Campeonato Brasileiro de 2022, das 26ª, 32ª, 34ª, 36ª e 37ª rodadas e um jogo do Campeonato Gaúcho de 2023.

Pela Série A do Campeonato Brasileiro de 2022, as partidas citadas nas denúncias são:

• 26ª rodada: Avaí x Athlético-PR (11/09/2022);
• 32ª rodada: Avaí x Fluminense (16/10/2022) e Cuiabá x Ceará (16/10/2022);
• 34ª rodada: Cuiabá x Avaí (27/10/2022);
• 36ª rodada: Santos x Avaí (05/11/2022), Red Bull Bragantino x América-MG (05/11/2022), Goiás x Juventude (05/11/2022) e Palmeiras x Cuiabá (06/11/2022);
• 37ª rodada: Fluminense x Goiás (09/11/2022), Botafogo x Santos (10/11/2022) e Atlético-MG x Cuiabá (10/11/2022);
Pelo Campeonato Gaúcho de 2023: Esportivo Bento Gonçalves x Novo Hamburgo (11/02/2023).

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