A oposição em Goiás ainda não definiu quem terá condições reais de polarizar com Daniel Vilela em outubro, mas os movimentos de Wilder Morais (PL) e Marconi Perillo (PSDB) já revelam estratégias distintas. Wilder antecipou a pré-campanha com encontros de mobilização do eleitorado conservador ligado ao bolsonarismo. Marconi, por outro lado, mantém articulações mais reservadas com antigos quadros tucanos, ex-prefeitos e lideranças tradicionais, apostando na memória administrativa e na experiência de gestão que representou o “tempo novo”.
A diferença entre as duas movimentações acaba revelando também leituras distintas sobre o atual momento político de Goiás. No entorno de Wilder, prevalece a avaliação de que o crescimento da direita conservadora no estado alterou de forma estrutural o ambiente eleitoral e abriu espaço para uma candidatura mais ideológica, menos dependente de estruturas partidárias tradicionais e mais conectada ao eleitorado bolsonarista do interior. A estratégia do senador passa justamente por ocupar esse espaço antes que sejam cooptados para outro projeto.
Já no grupo de Marconi Perillo, a percepção é de que ainda existe um eleitorado relevante menos mobilizado por pautas ideológicas e mais atento à comparação entre gestões, capacidade administrativa e experiência política. Por isso o ex-governador intensificou entrevistas à imprensa, evita antecipar decisões importantes, como a escolha do nome para vice-governadoria, e mantém um ritmo mais cauteloso de articulação, apostando que o ambiente eleitoral ainda será influenciado pela disputa presidencial, pelo desgaste natural do governo ao longo do mandato e pela reorganização das forças políticas no estado.
Essa diferença de estratégia ajuda a explicar por que os dois grupos hoje praticamente conversam com públicos distintos dentro da oposição. Wilder repercute mais entre setores conservadores, ligados ao agronegócio, segurança pública e pautas de costumes. Marconi ainda mantém alguma presença entre lideranças tradicionais do interior, antigos prefeitos, quadros históricos da política estadual e setores que viveram os ciclos administrativos tucanos em Goiás.
Racha
O problema para Wilder é que parte importante da disputa parece ocorrer dentro do próprio campo conservador antes mesmo de alcançar efetivamente o governo estadual. A crise envolvendo os deputados estaduais Major Araújo e Amauri Ribeiro na Assembleia Legislativa acabou expondo publicamente essa tensão. O confronto começou após Amauri atacar Wilder da tribuna e acusar o senador de ter se afastado de pautas ligadas ao bolsonarismo ao não participar da votação envolvendo Jorge Messias no STF.
A reação de Major Araújo elevou ainda mais o desgaste interno do PL ao acusar Amauri de atuar alinhado ao governo dentro do partido. Nos bastidores, aliados de Wilder interpretaram o episódio como sinal de uma disputa mais profunda pelo controle político da direita em Goiás e passaram a reforçar a narrativa de que setores próximos ao Palácio das Esmeraldas trabalham para fragmentar a oposição conservadora antes do início formal da campanha.
Enquanto isso, Daniel acompanha um cenário em que a oposição continua sem um antagonismo claramente consolidado. A disputa, neste momento, parece menos centrada em nomes e mais na tentativa de entender qual eleitorado será predominante em Goiás nestas eleições.
PT ainda não definiu quem representará palanque de Lula
A pouco mais de três meses da definição das candidaturas, o PT ainda não consolidou um nome para disputar o governo de Goiás e representar o palanque do presidente Lula no estado. Apesar de o lulismo manter presença eleitoral em segmentos urbanos, movimentos sociais e parte do funcionalismo público, o partido segue sem uma candidatura estadual claramente estruturada para este ano.
Nos bastidores, o nome mais lembrado continua sendo o da deputada federal Adriana Accorsi, principalmente pelo desempenho eleitoral recente e pela identificação histórica com o partido. Ainda assim, ela não se empolga com a ideia, enquanto interlocutores petistas reconhecem que Goiás se tornou um ambiente difícil para a esquerda nos últimos anos.
Um núcleo do PT também defende que a legenda evite isolamento político e busque construir alianças mais amplas no campo de centro-esquerda, inclusive com Marconi Perillo, sobretudo se a disputa estadual caminhar para uma polarização mais forte entre o grupo governista e setores ligados ao PL.
Enquanto lideranças nacionais ainda costuram uma alternativa, setores da base defendem que a legenda fortaleça nomes que já demonstraram interesse na disputa. Entre eles estão o advogado Valério Luiz Filho, o ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno e o jornalista Cláudio Curado.
Valério Luiz, inclusive, sustentou à Tribuna que o PT já fechou questão sobre candidatura própria ao governo e rejeitou qualquer composição em que o partido não lidere a chapa. Segundo ele, alianças dependeriam necessariamente de apoio explícito ao presidente Lula em Goiás.
Já Cláudio Curado passou a defender publicamente que a executiva estadual acelere a definição sobre o projeto majoritário do partido porque considera que a demora encurta o tempo de pré-campanha e dificulta a construção de uma candidatura competitiva diante do grupo governista e da reorganização da direita no estado.
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