O Centro-Oeste se tornou, pela primeira vez desde o início da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), a região com mais desigualdade social do Brasil. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e mostram que o índice de Gini da região chegou a 0,506 em 2025, ultrapassando o Nordeste, que registrou 0,503.
O índice de Gini é utilizado para medir a desigualdade de renda e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior é a concentração de renda. Em nível nacional, o indicador brasileiro subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, interrompendo a trajetória de queda observada nos últimos anos. Apesar da alta, o resultado ainda representa o segundo menor índice da série iniciada em 2012.
Segundo o IBGE, a renda cresceu tanto para os mais pobres quanto para os mais ricos no ano passado, mas o avanço foi significativamente maior entre as camadas de maior renda. Entre os 10% mais ricos da população, o rendimento domiciliar per capita aumentou 8,7%, alcançando média de R$ 9.117 mensais. Já entre os 10% mais pobres, o crescimento foi de 3,1%, com renda média de R$ 268.
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes afirmou que não houve piora absoluta da renda da população, mas um crescimento mais acelerado no topo da pirâmide social. De acordo com ele, fatores como rendimentos de aluguel, aplicações financeiras e a ausência de reajustes relevantes em programas sociais contribuíram para ampliar a diferença entre ricos e pobres.
O levantamento aponta ainda que o Distrito Federal continua sendo a unidade da federação com maior renda média per capita do país, estimada em R$ 4.401, além de registrar também o maior índice de desigualdade do Brasil, com Gini de 0,570. A concentração de servidores públicos de altos salários em Brasília é apontada como um dos fatores que influenciam o cenário regional.
Enquanto isso, o Sul permaneceu como a região menos desigual do país, com índice de 0,458. Santa Catarina apareceu como o estado com melhor distribuição de renda do Brasil, registrando Gini de 0,425.
Mesmo com a melhora histórica observada após a pandemia, especialistas destacam que o Brasil segue entre os países mais desiguais do mundo. O levantamento do IBGE mostra que, em 2025, a renda média dos 10% mais ricos foi 13,8 vezes superior à renda recebida pelos 40% mais pobres da população brasileira.















