Um policial militar da reserva de Goiás está entre os 11 investigados presos pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) durante a operação Iustitia Victis, deflagrada na quinta-feira (10) contra uma organização criminosa suspeita de atuar com agiotagem, extorsão, lavagem de dinheiro e organização criminosa armada.
Segundo a investigação, o grupo concedia empréstimos com juros abusivos e realizava cobranças diárias de pessoas que contraíam as dívidas. A organização tinha atuação no Distrito Federal, Goiás e Tocantins, de acordo com a PCDF.
O militar é apontado como integrante do esquema e, conforme informações da investigação, estaria ligado às cobranças e às ações de intimidação contra devedores que não conseguiam quitar os valores exigidos.
A operação teve como ponto de partida o caso de um comerciante de 68 anos, que trabalhava na Feira dos Goianos, em Taguatinga. Segundo a PCDF, ele contraiu diversos empréstimos com agiotas brasileiros e colombianos e ficou submetido a juros superiores a 20% ao mês.
Em meio à pressão para quitar as dívidas, o comerciante tirou a própria vida dentro de sua banca, na madrugada de 21 de março de 2025. Após a morte, as cobranças teriam sido direcionadas aos familiares, acompanhadas de graves ameaças.
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Cobranças e ameaças
As investigações apontam que os criminosos utilizavam aplicativos de mensagens e também faziam abordagens presenciais para cobrar as vítimas. Durante as diligências, foram apreendidos cartões de divulgação de empréstimos rápidos, listas de devedores organizadas por rotas e cidades, registros de cobranças, documentos, armas de fogo, munições e veículos de alto luxo.
A PCDF afirma ter identificado uma estrutura organizada, com divisão de funções entre líderes, gestores financeiros, cobradores e integrantes responsáveis por intimidação, transporte, apoio logístico e ocultação de patrimônio.
Operação teve ações em Goiás
Em Goiás, as medidas judiciais foram cumpridas em Goiânia, Senador Canedo e Formoso. Também houve diligências em Palmas e Araguaína, no Tocantins. A ação contou com a cooperação das Polícias Civis de Goiás e do Tocantins.
Ao todo, a Justiça autorizou 47 ordens judiciais, sendo 12 prisões preventivas, 18 mandados de busca e apreensão e 17 bloqueios de ativos financeiros. Uma das prisões não foi cumprida porque a investigada não foi localizada.

Mais de R$ 10 milhões movimentados
A análise financeira realizada pelos investigadores identificou movimentações consideradas compatíveis com empréstimos a juros, transferências entre integrantes do grupo e uso de contas de familiares, terceiros e empresas.
Somente entre 1º de janeiro e 29 de agosto de 2025, as contas analisadas receberam créditos que totalizaram R$ 10.178.544,79. Esse mesmo valor foi estabelecido como limite global para os bloqueios de ativos determinados pela Justiça.
Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de usura, extorsão, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. A investigação continua para individualizar a participação de cada suspeito, localizar outros integrantes e identificar novas vítimas e bens relacionados ao esquema.













