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Poder institucional vira capital eleitoral para presidentes dos Legislativos

Mudanças partidárias na janela fecham ciclo iniciado com ampliação de estrutura, emendas e influência política


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 11/04/2026 - 11:11

presidentes da Alego e da Câmara
Presidentes da Câmara e da Alego ampliam estrutura, fortalecem base política e alçam novos voos (Divulgação)

As movimentações dos presidentes da Câmara de Goiânia, Romário Policarpo, e da Assembleia Legislativa de Goiás, Bruno Peixoto, na reta final da janela eleitoral, são o ponto mais visível de um processo de ganho político que começou dentro das próprias Casas. Antes de redesenharem suas rotas partidárias, ambos já haviam transformado o comando institucional em base política, o que explica o crescimento eleitoral e os novos projetos para 2026.

No fechamento do prazo legal para troca de legendas, Policarpo mudou de campo ao buscar uma chapa menos congestionada na federação PSDB-Cidadania, inserida em um projeto de oposição, enquanto Bruno recuou de uma saída de partido e assumiu o comando do União Brasil, o que amplia seu controle sobre a própria disputa. Em ambos os casos, os presidentes redesenharam os caminhos partidários a partir de um mesmo critério, o de transformar a base construída em vantagem eleitoral.

No caso de Policarpo, ele parte para uma nova disputa em ascensão, cuja evolução nas urnas acompanha a ampliação do seu controle político na Câmara. Ele sai de 3.185 votos em 2016 para 4.541 em 2020 e chega a 11.496 em 2024, já como um dos principais nomes da capital. Esse crescimento ocorre no mesmo período em que consolida quatro mandatos consecutivos na presidência e amplia sua influência sobre a estrutura da Casa, ao mesmo tempo em que desfrutava de grande espaço na gestão de Rogério Cruz (SD).

A implementação de cerca de R$ 5 milhões anuais em emendas parlamentares, a criação da Cota de Exercício de Atividade Parlamentar (CEAP) e a ampliação de cargos e verbas de gabinete aprovadas pelo plenário criam condições para que o mandato opere com presença contínua nos bairros e com maior capacidade de resposta imediata. Na prática, isso reduz a distância entre estrutura pública e capital eleitoral, permitindo que a atuação institucional seja convertida em apoio político organizado.

É nesse ponto que o comando da Câmara deixa de ser apenas uma função administrativa e passa a funcionar, na prática política, como plataforma de construção eleitoral. A presidência concentra capacidade de articulação, distribuição de recursos e influência sobre a estrutura, o que amplia o alcance político de quem ocupa o cargo. A mudança partidária, nesse contexto, não inaugura o projeto, apenas ajusta o caminho para que esse capital acumulado tenha maior eficiência na disputa por uma vaga na Assembleia.

A filiação ao Cidadania fecha um movimento marcado por idas e vindas. Policarpo chegou a ser anunciado no Avante e deu declarações públicas sobre a escolha, mas recuou, retomou conversas com Daniel Vilela e Ronaldo Caiado em busca de espaço na base governista e, ao fim, optou pela federação PSDB-Cidadania.

Embora alegue falta de espaço no grupo do Palácio das Esmeraldas, ele mantém nos bastidores relação com Marconi Perillo, que já havia atuado a seu favor em 2022, quando seu terceiro mandato na presidência da Câmara foi questionado no Supremo. Ainda não está claro se irá se engajar diretamente na disputa ao governo ou se manterá atuação mais discreta, concentrada na própria eleição.

Expansão da Alego sustenta crescimento eleitoral e reposiciona Bruno Peixoto

Na Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto percorre trajetória semelhante em escala ampliada, combinando expansão institucional com crescimento eleitoral e reorganização política dentro da base governista. Ele salta de 34.284 votos em 2018 para 73.692 em 2022, alcançando a maior votação da história da Casa, em um movimento que coincide com a ampliação da estrutura administrativa sob sua gestão.

O número de cargos comissionados cresce de 3.733 em 2022 para 5.712 em 2026, segundo dados administrativos da Assembleia Legislativa, enquanto a folha mensal com pessoal chega a R$ 40,3 milhões. A criação de novas diretorias, a ampliação de benefícios e a expansão das estruturas de gabinete aumentam a capacidade de articulação política e fortalecem a base construída a partir da presidência.

Ao mesmo tempo, a interiorização das atividades da Assembleia, com programas como o Deputados Aqui, leva a estrutura do Legislativo aos municípios e reforça a presença institucional junto ao eleitorado. Esse movimento reproduz, no âmbito do Legislativo, estratégias tradicionalmente associadas ao Executivo, aproximando o mandato da prestação direta de serviços e ampliando sua visibilidade política.

O resultado é uma estrutura que não apenas organiza o funcionamento da Casa, mas opera como instrumento de formação de base eleitoral. A presidência da Assembleia passa a concentrar capacidade de distribuição política e alcance territorial, o que explica a consistência do crescimento eleitoral associado ao cargo.

Mesmo com esse avanço, Bruno foi preterido nas disputas majoritárias da base, tanto na Prefeitura de Goiânia em 2024 quanto na composição para vice-governador em 2026. A resposta foi a negociação. Após estruturar sua saída para a federação Solidariedade-PRD, recuou e assumiu a presidência estadual do União Brasil em articulação nacional, assumindo o controle da sigla que orbitava o grupo de Ronaldo Caiado e também era disputada por Gracinha Caiado.

Ao assumir o comando do partido, Bruno passa a controlar fundo partidário, formação de chapas e articulação com prefeitos, o que o consolida como principal operador político da legenda no estado.

Nos legislativos de Goiânia e de Goiás, o que se vê não é apenas uma reorganização partidária, mas a consolidação de um modelo em que o comando das Casas passa a funcionar como ativo eleitoral e transforma em voto um capital construído dentro do poder público.

 

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