O PSD oficializa neste domingo (26), em São Paulo, a candidatura do ex-governador Ronaldo Caiado à Presidência da República. Gilberto Kassab, presidente nacional da legenda, será confirmado como candidato a vice em uma convenção marcada pela presença de parte expressiva da base governista de Goiás e pela liberdade concedida aos diretórios estaduais para apoiar outros presidenciáveis, o que também expõe certa divisão dentro da própria legenda.
O encontro começa às 8h, na sede nacional do partido, no bairro da Bela Vista. A solenidade política está prevista para as 9h. No mesmo local, o PSD paulista realizará sua convenção estadual, que vai formalizar o apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, do Republicanos, embora ele não participe do lançamento da candidatura presidencial de Caiado.
A comitiva de Goiás será liderada pelo governador Daniel Vilela, do MDB. Também confirmaram presença os pré-candidatos ao Senado Gracinha Caiado, do União Brasil, Gustavo Mendanha, do PRD, e Vanderlan Cardoso, do PSD. O ex-secretário estadual de Governo Adriano da Rocha Lima, cotado para a vice na chapa de Daniel, também estará no evento.
As presenças dão à convenção um componente estadual. Caiado pretende utilizar o ato para apresentar nacionalmente o grupo que deixou no comando de Goiás e reforçar a vinculação entre sua campanha ao Planalto e o projeto de reeleição de Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas.
O deputado federal Zacharias Calil, do MDB, e o ex-senador Luiz Carlos do Carmo, do PSD, não viajarão. Zacharias se recupera de dores no ombro. Luiz do Carmo passou por uma cirurgia. Os dois integram as articulações da base para as eleições em Goiás.
Chapa própria, palanques divididos
Caiado será lançado com uma chapa formada apenas pelo PSD, sem o apoio formal de outra legenda. A escolha de Kassab para a vice foi anunciada no início de julho e encerrou a tentativa de utilizar a vaga para atrair um partido aliado.
“A chapa está posta. É um caminho sem volta”, afirmou Caiado ao anunciar Kassab. Segundo ele, a presença do dirigente partidário consolida a decisão do PSD de disputar a Presidência.
A candidatura, porém, não unifica o partido nos estados. A convenção deve confirmar a autonomia dos diretórios para manter acordos regionais e apoiar adversários de Caiado. A regra permite que integrantes do PSD subam nos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de Flávio Bolsonaro ou de outros concorrentes.
A liberação ajuda Kassab a preservar alianças estaduais, mas limita a capacidade da campanha de apresentar toda a estrutura do PSD como força eleitoral de Caiado. O partido tem governadores, senadores, deputados e a maior bancada de prefeitos do país, mas parte desse contingente estará comprometida com outros projetos presidenciais.
A divisão será percebida nas ausências. A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e o senador Otto Alencar, da Bahia, aliados de Lula, não devem comparecer. O governador de Sergipe, Fábio Mitidieri, e Eduardo Paes, candidato ao governo do Rio de Janeiro, também tendem a ficar fora do encontro por causa dos acordos com o campo governista.
O governador de Minas Gerais, Mateus Simões, deve ser outro desfalque. Ele apoia a candidatura presidencial do ex-governador Romeu Zema, do Novo. Em contrapartida, são aguardados os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que disputaram com Caiado a indicação presidencial do PSD.
Busca por aliados
Mesmo depois da confirmação da chapa pura, Caiado continuará buscando alianças. O ex-governador afirmou nesta semana que pretende procurar dirigentes do PP e do União Brasil, partido que deixou após enfrentar resistências internas à sua candidatura presidencial.
A federação formada pelas duas siglas ainda discute qual posição adotará no primeiro turno. Caiado tenta recuperar pontes construídas durante sua passagem pelo União Brasil e atrair uma estrutura partidária capaz de ampliar o tempo de propaganda, os recursos e os palanques estaduais de sua campanha.
MDB e Republicanos também foram citados desde o início das articulações como possíveis parceiros, mas nenhuma das legendas formalizou adesão à candidatura. O Republicanos está ligado a Tarcísio em São Paulo, enquanto setores do MDB mantêm alianças com Lula em diferentes estados.
A presença de Daniel Vilela na convenção terá, portanto, caráter político e estadual, mas não representa apoio nacional do MDB. A mesma distinção vale para Gracinha Caiado e Gustavo Mendanha, filiados a partidos que ainda não aderiram à chapa presidencial do PSD.
Disputa pela centro-direita
A estratégia de Caiado será apresentar sua experiência administrativa em Goiás, principalmente na segurança pública e no equilíbrio fiscal, como contraponto ao presidente Lula e a Flávio Bolsonaro. O goiano tenta ocupar o espaço de uma direita que rejeita o PT, mas não pretende seguir automaticamente o candidato escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
A estrutura da convenção terá forte investimento digital. Serão utilizados QR Codes, avatares, figurinhas e uma versão de Caiado produzida por inteligência artificial para interagir com o público. A campanha pretende transformar os participantes em multiplicadores de conteúdo nas redes sociais.













