Skip to content

Rio Verde e Senador Canedo podem perder quase R$ 217 milhões com Reforma Tributária

Estimativa do IMB usa dados de 2022 e aponta impacto anual no cenário integral; transição do novo sistema será gradual e terá mecanismos de compensação


Por Carlos Nathan Sampaio em 01/09/2026 - 14:34

Há 10 anos Rio Verde entrava para história como primeira cidade a receber sinal de TV totalmente digital Reforma Tributária
Rio Verde. (Foto: Reprodução)

Rio Verde e Senador Canedo aparecem como os municípios goianos com as maiores perdas potenciais de receita decorrentes da Reforma Tributária. Simulação do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB) calcula uma redução anual de R$ 147,9 milhões para Rio Verde e de R$ 68,9 milhões para Senador Canedo. Somadas, as perdas chegam a R$ 216,8 milhões.

Os valores representam um cenário de aplicação integral das novas regras, calculado com base nas receitas e nos repasses de 2022. Portanto, não significam que os dois municípios deixarão de receber todo esse montante imediatamente. A substituição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto Sobre Serviços (ISS) pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) ocorrerá gradualmente.

O estudo colocou ainda Jataí, com perda estimada de R$ 54,8 milhões, e Anápolis, com R$ 50,3 milhões, entre as cidades mais afetadas em valores absolutos. Ao todo, 102 municípios goianos poderiam perder mais de R$ 1 bilhão por ano no cenário simulado. As maiores perdas percentuais foram identificadas em Cachoeira Dourada, São Simão, Perolândia e Davinópolis.

A explicação está na mudança da tributação da origem para o destino. Atualmente, municípios que concentram indústrias, centros de distribuição e grandes unidades produtivas recebem parcelas maiores do ICMS por meio do Valor Adicionado Fiscal (VAF). Rio Verde, com sua economia ligada ao agronegócio e à agroindústria, e Senador Canedo, onde está instalado um dos principais polos de combustíveis e derivados de petróleo de Goiás, são beneficiados por esse modelo.

Com a Reforma Tributária, o imposto ficará prioritariamente no local onde o bem ou serviço for consumido. A Emenda Constitucional nº 132 também definiu que a parcela estadual do IBS destinada aos municípios será dividida com peso de 80% para a população, 10% para indicadores de educação, 5% para preservação ambiental e 5% igualmente entre as cidades.

A transição começou em 2026 com a fase de testes. A cobrança definitiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, começa em 2027. Já a substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS ocorrerá entre 2029 e 2032, com implantação integral prevista para 2033.

Além disso, a legislação prevê uma transição federativa de longo prazo para impedir quedas bruscas na receita. Entre 2029 e 2077, parte da arrecadação será retida e redistribuída com base no que estados e municípios recebiam antes da reforma. Haverá ainda um mecanismo de compensação para os entes que registrarem as maiores reduções.

Por esse motivo, os números do IMB devem ser interpretados como indicação da direção do impacto, e não como corte imediato. Uma nova pesquisa desenvolvida em 2026 pela Secretaria da Economia, Universidade Federal de Goiás (UFG) e Federação Goiana de Municípios (FGM) busca atualizar as estimativas e avaliar como as prefeituras estão se preparando para o novo sistema.

Para o empresário de Senador Canedo e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), os municípios potencialmente prejudicados precisam antecipar medidas de adaptação.

“Essa agenda tem que ser construída agora, e deve ser acompanhada por uma compreensão das populações envolvidas, no sentido de elegerem bancadas maiores que as representem na Alego a partir do ano que vem”, afirma.

Entre as possibilidades defendidas por Carvalho está o aprimoramento da arrecadação de tributos municipais que não serão extintos, como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). Uma das medidas seria ampliar a integração com cartórios para reduzir casos de subavaliação de imóveis.

O candidato, porém, considera que aumentar alíquotas deve ser a última alternativa. “O contribuinte já paga muitos impostos. Aumentar ainda mais alíquotas, sejam quais forem os estratagemas, sempre é uma medida em último caso”, salienta.

Carvalho defende que Senador Canedo também invista no comércio, nos serviços e na geração de empregos para reter uma parcela maior do consumo dentro do próprio município. Segundo ele, muitos moradores trabalham e realizam compras em Goiânia, o que poderá limitar a arrecadação canedense em um sistema baseado no destino.

“Quem vive em Senador Canedo precisa passar a comprar em Senador Canedo. Nossa cidade ainda tem características de cidade-dormitório. Nossas ações precisam ser no sentido de mudar essa característica”, conclui.

Pesquisa