Controlar a glicemia não depende apenas da alimentação equilibrada ou do uso de medicamentos. A prática regular de exercícios físicos tem papel decisivo na prevenção e no tratamento do diabetes, do pré-diabetes e da resistência à insulina, condições que afetam milhões de pessoas e estão cada vez mais presentes na população adulta e idosa.
Segundo o médico nutrólogo e intensivista Dr. José Israel Sanchez Robles, a atividade física deve ser considerada uma parte fundamental do tratamento e da manutenção da saúde metabólica. “O exercício físico atua como uma importante ferramenta terapêutica para o organismo. Durante a atividade física, os músculos aumentam a utilização da glicose circulante, contribuindo para a redução da glicemia e para a melhora da sensibilidade à insulina”, explica.
De acordo com o especialista, embora muitas pessoas associem o controle glicêmico apenas à alimentação, as evidências científicas mostram que os exercícios podem ter impacto semelhante na prevenção e no controle da doença. “Diversos estudos demonstram que a prática regular de atividade física reduz significativamente o risco de desenvolver diabetes e melhora o controle glicêmico em pacientes já diagnosticados. Além disso, favorece a perda de peso, um dos fatores mais importantes para a estabilidade da glicemia”, afirma.
Entre as modalidades mais recomendadas estão os exercícios de força, como a musculação, e os treinos intervalados de alta intensidade, conhecidos como HIIT. Segundo José Israel, atividades que promovem maior estímulo muscular costumam apresentar resultados mais expressivos no controle da glicose.
“Embora qualquer atividade física seja superior ao sedentarismo, estudos mostram que os melhores resultados no controle da glicemia costumam ser observados com exercícios que promovem maior estímulo muscular. A musculação, por exemplo, favorece o aumento da massa muscular e melhora a capacidade do organismo de utilizar a glicose”, destaca.
O médico ressalta ainda que a intensidade do treinamento também influencia os resultados. “Para alcançar benefícios mais expressivos, o treinamento de força deve proporcionar estímulos adequados ao organismo. Isso não significa exceder limites ou assumir riscos, mas utilizar cargas progressivas e compatíveis com a capacidade individual de cada pessoa.”
Outro aspecto importante é a preservação da massa muscular ao longo do envelhecimento. Segundo ele, a perda natural de músculos pode ser acelerada pelo diabetes tipo 2 e pela resistência à insulina, tornando ainda mais importante a prática regular de exercícios.
“Por isso, especialmente em indivíduos mais velhos, preservar e desenvolver a massa muscular é uma estratégia fundamental para a manutenção da saúde metabólica e do adequado funcionamento do organismo”, ensina.
O horário da atividade física também pode influenciar nos resultados. Conforme o especialista, pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2 podem obter melhor controle glicêmico ao se exercitarem no período da tarde. Além disso, realizar atividades cerca de 30 minutos após as refeições ajuda a reduzir os picos de glicose no sangue.
“Para pessoas com pré-diabetes ou diabetes tipo 2, a prática de exercícios no período da tarde pode favorecer um melhor controle glicêmico. Além disso, realizar atividade física cerca de 30 minutos após as refeições contribui para reduzir os picos de glicose pós-prandiais”, orienta.
Apesar disso, José Israel enfatiza que a regularidade é mais importante do que o horário ideal. “O melhor exercício é aquele que pode ser mantido de forma regular e consistente. A recomendação é praticar atividade física pelo menos três vezes por semana, evitando permanecer mais de dois dias consecutivos sem se exercitar.”
Para quem prefere treinar pela manhã, o médico recomenda atenção à alimentação antes do exercício. “Evite o consumo excessivo de carboidratos logo ao acordar. Antes do treino, uma refeição leve contendo proteínas e fontes de carboidratos de qualidade, como frutas, vegetais e grãos integrais, pode ser uma excelente estratégia nutricional.”
O especialista também chama atenção para a importância do diagnóstico precoce da resistência à insulina e do pré-diabetes. “Quanto mais precocemente a resistência à insulina ou o pré-diabetes forem identificados, maiores são as chances de reversão por meio de mudanças no estilo de vida. O paciente deve compreender que exerce um papel fundamental e ativo nesse processo.”
Por fim, ele reforça que pequenas mudanças adotadas de forma consistente podem trazer impactos significativos para a saúde a longo prazo. “Costumo orientar meus pacientes que eles têm papel decisivo no controle da própria saúde. A combinação entre alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e redução do excesso de peso pode promover importantes benefícios metabólicos e mais qualidade de vida. Mudanças consistentes realizadas hoje podem prevenir complicações futuras.”














