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Secretário inclui precatórios de R$ 870 milhões da Prefeitura e da Comurg em pedido de renovação de calamidade

Além dos débitos judiciais, subsídio do transporte, contratos não empenhados e restos de dívidas da gestão anterior compõem cenário que secretário classifica como “calamitosa”


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 18/06/2025 - 08:53

valdivino oliveira mistura dados para inflar pedido de calamidade
Valdivino de Oliveira mistura dívidas em chegar a R$ 4,8 bilhões durante audiência na Alego (Foto: Will Rosa)

Durante audiência na Comissão de Tributação, Finanças e Orçamento da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), nesta terça-feira (17), o secretário da Fazenda de Goiânia, Valdivino de Oliveira, incluiu R$ 870 milhões em precatórios, sendo R$ 460 milhões da administração direta e R$ 410 milhões da Comurg e de Requisições de Pequeno Valor (RPVs). A Comurg não está registrada na contabilidade da Prefeitura.

O secretário detalhou uma série de passivos históricos para reforçar o pedido da Prefeitura para prorrogar o decreto de calamidade financeira por mais 180 dias. Segundo ele, a dívida real da capital supera os R$ 4,8 bilhões e

O secretário também listou R$ 80 milhões em subsídio do transporte coletivo, que deixaram de ser pagos aos operadores, R$ 48 milhões em contratos sem empenho na locação de máquinas e equipamentos para a Semad, e R$ 43 milhões devidos pela Seinfra a obras já concluídas, mas sem registro formal. “Essas dívidas não aparecem nos balanços porque não foram empenhadas. Mas existem e precisam ser quitadas”, afirmou.

Precatórios

A gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD) pagou R$ 280 milhões em precatórios em dezembro de 2024, último mês de mandato.

O pedido de prorrogação do decreto de calamidade financeira recebeu parecer contrário do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-GO). “O TCM vê a contabilidade, e ela parece em ordem. Mas a vida real nos mostra outra coisa”, alega Valdivino. O TCM mantém a visão de que não há razão para estado de calamidade financeira.

Para a jornalista e comentarista da TV Anhanguera, Cileide Alves, o secretário misturou tipos distintos de dívidas para justificar o pedido de calamidade. “O que o secretário fez ontem lá na Assembleia foi uma mistura de números e de contas”, explicou.

“Vamos imaginar uma pessoa que recebe 5 mil reais por mês e tem um déficit mensal de 200 reais. Se ela soma a dívida do carro, da casa financiada e joga tudo como se fosse dívida do mês, vai parecer que o déficit é de 3 mil reais. Foi isso que a Prefeitura fez: juntou dívidas imediatas com outras parceladas, não auditadas e que não vencem agora, para criar um ambiente de maior dificuldade”, comparou.

Segundo Cileide, as chamadas “dívidas do pendrive”, citadas pelo secretário, não são novidade e não foram geradas exclusivamente na última gestão. “Essa dívida não foi feita só na gestão do Rogério Cruz, ela vem de gestões anteriores, assim como a dívida da Comurg, que também é uma dívida de décadas.”

Clima

O clima entre os deputados estaduais era pela rejeição da prorrogação do decreto de calamidade, mas o clima teria mudado após a apresentação do representante do Paço. Nos bastidores, há informação de um acordo para conseguir os votos.

Lucas de Godoi

Jornalista formado pela PUC Goiás. Na Tribuna do Planalto, cobre administração pública e os principais desdobramentos do cenário político em Goiás.

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