Relatório do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago projeta 13,3 mil mortes no Brasil, a maioria nas regiões Norte e Nordeste. Fenômeno pode ser o mais intenso já registrado.
O Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago divulgou nesta semana um relatório que projeta 451 mil mortes adicionais por calor extremo no mundo entre junho de 2026 e fevereiro de 2027. O estudo atribui o número ao Super El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, que pode se tornar o mais intenso já registrado.
O Brasil aparece como o quinto país mais afetado, com estimativa de 13,3 mil mortes relacionadas ao calor no período. O país deve ser o mais impactado na América Latina. As projeções indicam que o período mais crítico será o verão, entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027.
Norte e Nordeste concentram as maiores estimativas
Segundo o relatório, as mortes devem se concentrar nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. O Pará lidera as estimativas, com 2,3 mil mortes projetadas. Em seguida aparecem Maranhão, com 1,3 mil, e Amazonas e Bahia, com 1,2 mil cada.
No ranking global, o Brasil é antecedido por Índia, Sudão, Indonésia e Nigéria. A Nigéria lidera a lista, com 31,4 mil mortes projetadas, seguida por Indonésia (19,3 mil), Sudão (17,5 mil) e Índia (15,8 mil).
Mortes se concentram no Sul Global
O estudo aponta que a maioria das mortes deve ocorrer no Sul Global, em países já vulneráveis a problemas de segurança alimentar e custos de energia. A região do Sahel, na África, deve registrar 66,8 mil mortes adicionais, quase metade delas na Nigéria. No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam 19,4 mil mortes projetadas, enquanto a Indonésia aparece com 19,3 mil.
“Se você já está em um lugar quente, os dois graus extras serão muito mais perigosos”, afirmou Michael Greenstone, cofundador do laboratório e professor da Universidade de Chicago. Ele destacou que países mais ricos têm maior acesso a ar-condicionado, água confiável e sistemas de saúde funcionais, o que reduz a vulnerabilidade ao calor extremo.
Fenômeno deve elevar temperaturas em 1,2°C e aumentar dias extremos em 44%
O relatório projeta que as temperaturas médias globais da superfície terrestre devem ficar cerca de 1,2°C acima do normal durante o Super El Niño. Isso deve produzir 44% mais dias de calor extremo do que em um ano típico.
Os pesquisadores compararam as temperaturas previstas com a média registrada entre 1996 e 2025 para estimar as mortes adicionais. A metodologia combinou previsões sazonais de temperatura com dados sobre a relação entre calor e mortalidade em mais de 24 mil regiões do mundo.
O estudo classifica o fenômeno como um “cartão-postal do futuro”, uma vez que as temperaturas extremas de hoje podem se tornar comuns em cerca de 20 anos com o avanço das mudanças climáticas.
Medidas de adaptação podem salvar dezenas de milhares de vidas
Os autores do relatório defendem que ações emergenciais podem reduzir significativamente o número de mortes. Entre as medidas recomendadas estão sistemas de alerta de calor, centros de resfriamento, pontos de hidratação, proteção para trabalhadores expostos ao calor e ampliação da capacidade hospitalar.
“Este relatório permite que os tomadores de decisão vejam exatamente onde ações emergenciais podem ser tomadas agora para salvar dezenas de milhares de vidas nos próximos meses”, afirmou Greenstone.
Os pesquisadores também defendem o que chamam de financiamento antecipatório, para que governos possam mobilizar recursos antes dos picos de calor perigoso.
Durante períodos de calor extremo, a recomendação das autoridades de saúde é redobrar a hidratação, evitar exposição ao sol nos horários mais quentes e manter ambientes ventilados. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis. Em caso de sintomas como tontura, náusea ou fraqueza intensa, a orientação é procurar uma unidade de saúde. O Ministério da Saúde disponibiliza o Protocolo Nacional de Calor Extremo no aplicativo Meu SUS Digital. A população pode se cadastrar para receber alertas da Defesa Civil pelo SMS 40199.
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