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“Torço para que Sandro seja o candidato do setor empresarial e que Vanderlan continue no Senado”

Rocha diz torcer para que Mabel e Vanderlan se acertem e, em agosto, Mabel seja o candidato do setor empresarial e que Vanderlan possa continuar fazendo o bom trabalho que tem feito no Senado Federal


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 09/06/2024 - 00:00

André Rocha, presidente da Fieg, do Sifaeg e do Sifaçúcar
André Rocha, presidente da Fieg, do Sifaeg e do Sifaçúcar
André Rocha assumiu a presidência da Fieg no último dia 5, com a desincompatibilização de Sandro Mabel, que vai disputar a eleição para prefeito de Goiânia. Será, segundo ele, uma gestão de transição e de continuidade. Sobre o apoio dos empresários às candidaturas que representam o setor produtivo, Rocha afirma desconhecer divisão no Fórum Empresarial em relação às pré-candidaturas de Sandro Mabel e Vanderlan Cardoso, e garante que os presidentes das entidades que representam o setor industrial vão trabalhar em prol da candidatura do ex-presidente da Fieg. 

Quais são as expectativas da Federação das Indústrias em relação à futura administração de Goiânia? A Fieg tem propostas para apresentar aos pré-candidatos?

Sim, a Fieg  sempre preparou, não só as reivindicações do setor industrial, mas propostas que podem ajudar o gestor municipal na sua condução. Nós temos proposições para a área da mobilidade urbana e meio ambiente; na questão da instalação de polos industriais e de infraestrutura; geração de emprego; treinamento de mão de obra; entre outras. Temos um histórico de fazer parcerias com municípios, entre os quais o de Goiânia, mas também Aparecida, Anápolis, Alto Horizonte, Nerópolis; no Estado todo procuramos parcerias com o governo municipal e vamos participar dessa discussão, apresentando proposta para os candidatos para que eles possam incorporá-las aos seus planos de governo.

O Fórum das Entidades Empresariais de Goiás, do qual a Fieg faz parte, se dividiu entre o apoio a Sandro Mabel (UB) e Vanderlan Cardoso (PSD). Como as entidades devem atuar nas eleições com dois candidatos ligados ao setor produtivo, além de Leonardo Rizzo (Novo)?

Para nós é muito importante ver empresários bem-sucedidos, bons gestores querendo se candidatar para administrar a nossa cidade, que precisa de uma gestão melhor, mas não só de gestão. Precisamos de candidatos que tenham perfil de gestor; que tenham articulação e saibam transitar em todas as esferas de poder, saibam transitar na esquerda e na direita e dialogar; que tenham capacidade de montar equipe; que sejam ligados não só à sociedade e ao setor empresarial, mas ao meio político, com um histórico de boas relações com os legislativos municipal, estadual e federal e um histórico de credibilidade junto aos vereadores; que possam ser sustentados por uma ótima chapa de vereadores eleitos. Tudo isso tem que ser observado. Esse é um primeiro ponto. O segundo é, no que diz respeito às entidades, elas são apolíticas, apartidárias, apenas fazem sugestões, têm nos seus quadros pessoas importantes que podem oferecer ajuda na gestão municipal. No que diz respeito à questão pessoal, eu desconheço qualquer divisão no Fórum Empresarial com relação a candidaturas. Sem querer desmerecer as qualidades dos demais pré-candidatos, temos um pré-candidato que até hoje fazia parte do fórum, que convivemos, respeitamos, conhecemos a sua liderança e a sua capacidade, não só à frente da Federação das Indústrias, mas pelo trabalho que desempenhou nas suas empresas e nas atividades executivas, visto que teve uma atuação muito importante durante o governo Michel Temer. Estou falando logicamente do presidente Sandro Mabel, mas temos muito respeito por todos os pré-candidatos. Alguns têm bons serviços prestados, o setor empresarial reconhece a atuação deles em prol do desenvolvimento da indústria goiana, com participações importantes no setor empresarial e também no setor político.  

A Fieg apoia Sandro Mabel?

A Fieg não se posiciona, mas posso afirmar que todos os presidentes de sindicatos ligados à Fieg, cada um com a sua participação pessoal, vão trabalhar em prol da candidatura do Mabel. Antes de ser pré-candidato, ele fez uma consulta a esses presidentes, dividindo a responsabilidade de aceitar ou não a pré-candidatura. A entidade não se envolve, mas a pessoa física do presidente, seja do sindicato, de uma associação, de um líder de bairro, um vereador, ele se envolve na campanha da maneira que achar que pode, dentro da legislação, se envolver.

Os presidentes das entidades devem apoiar Sandro Mabel?

Os presidentes dos sindicatos ligados à indústria estão comprometidos, na pessoa física, com a pré-candidatura do Mabel. Nada contra as outras candidaturas, e não é só por uma questão de amizade ou de lealdade, ou de fidelidade, mas por acreditar na capacidade do Sandro, seja como gestor, seja como líder, como articulador. Eu até externei isso durante uma reunião do Fórum Empresarial com o senador Vanderlan Cardoso, que é uma pessoa que eu admiro, que tem um grande conceito e ajuda muito o setor empresarial. Falei para o Vanderlan que, ao lançar a sua candidatura, ele ia levar o meio empresarial a fazer uma “escolha de Sofia”, que é uma questão muito pesada. Agora, vamos esperar até o fim das tratativas, as convenções partidárias e as candidaturas serem posicionadas para ver o que ocorre daqui até lá. Temos que ter respeito pela história de cada um dos pré-candidatos, pelo que cada um representa, porque o que fala pelo candidato não é um texto; é sua vida, a sua trajetória, aquilo que fez, aquilo que está fazendo, a credibilidade que ele construiu ao longo de todos os anos.

O senhor  ainda acredita em um acordo entre Mabel e Vanderlan?

Eu espero que haja esse acordo, eu torço por esse acordo. Isso não quer dizer que vá ocorrer. E espero que, não ocorrendo, que eles façam uma campanha com o mais alto respeito um pelo outro, até pela história que eles têm juntos, desde lá atrás, quando Vanderlan veio para Goiás e tem uma trajetória empresarial muito bonita. Depois, apadrinhado pelo Sandro, foi candidato a prefeito e se tornou prefeito de Senador Canedo, teve um bom desempenho à frente da prefeitura; teve o apoio do Sandro na candidatura a governador, em 2010, e em outros momentos também. Eles têm todo um histórico, e  já haviam conversado antes sobre a hipótese de o Sandro ser candidato lançado pelo Vanderlan, mas o Sandro, num primeiro momento, não pensava em ser candidato. Depois, acabou refluindo. Por um lado, pela amizade e pela “escolha de Sofia”, infelizmente ficamos temerosos de ter as duas candidaturas; por outro, as pessoas veem com felicidade ter dois bons candidatos. Acho que cada um deles tem muita maturidade para isso. Tem outros pré-candidatos à Prefeitura de Goiânia e acho que os próximos 60 dias vão ser fundamentais para a definição dessas pré-candidaturas. Espero, particularmente, e torço muito para que eles possam se acertar e, em agosto, Sandro seja um candidato com apoio total do setor empresarial e que Vanderlan possa continuar fazendo o bom trabalho que tem feito no Senado Federal, se essa for a escolha dele. Se ele optar por ser candidato a prefeito de Goiânia, que  ambos possam fazer uma campanha muito respeitosa. 

No balanço que fez de sua gestão, Sandro Mabel destacou o trabalho em prol da Educação Básica e Profissional, da Saúde e Segurança do Trabalhador e da competitividade da indústria instalada no Estado. Qual será o enfoque de sua gestão?

Estou fazendo uma gestão de transição de quatro meses e torço pelo resultado positivo das pretensões do Sandro Mabel, para que eu possa concluir esse mandato e tenha mais dois anos de gestão. Nesse primeiro momento, a gestão é de continuidade, de transição; e temos metas arrojadas. Somos uma equipe que trabalha junto sob a liderança do Sandro há 5 anos e meio, temos as metas que foram colocadas para cada um dos gestores de cada uma das unidades, Sesi, Senai e IEL, para atingir, para atender os nossos acionistas, como diz o Sandro, atender melhor as indústrias com treinamentos e capacitações. Estamos treinando e capacitando 25 mil estudantes e queremos ampliar isso; estamos com várias obras físicas em andamento, investindo em reformas de escolas, acabamos de inaugurar duas em Goiânia, na Vila Canaã e no Jardim Planalto; acabamos de inaugurar também uma obra em Catalão e outra em Itumbiara; devemos inaugurar, nos próximos 30 dias, uma em Rio Verde e estamos com duas obras aqui em Anápolis, uma no bairro Jundiaí e outra na vila Jaiara; temos uma escola grande em construção em Mineiros outra em Luziânia. E eu espero, dentro dos próximos 60 dias, lançar outras duas escolas importantes, uma em Goianésia e a outra em Senador Canedo.

A Indústria responde por 14% do PIB da capital. Esse percentual está dentro do esperado?

A primeira questão que temos que nos debruçar é sobre o papel da indústria na economia do Brasil. Vivemos um processo de desindustrialização, o que é muito negativo, não só para a indústria, mas para a sociedade, porque a cadeia produtiva da indústria é mais longa e remunera mais, além de ser uma cadeia que está presente, sobretudo no caso, por exemplo, de Goiás, no interior do Estado. Mas apesar do decréscimo da participação da indústria no PIB, em Goiás ocorreu o contrário; a indústria tem crescido sua participação no PIB, principalmente a agroindústria. É importante salientar que essa agroindústria está no interior do estado, e isso é muito positivo para regiões mais carentes e para as cidades menores. Ela não está concentrada nos grandes eixos, como Goiânia, apesar de ter uma participação grande em Goiânia, Aparecida e Anápolis, por exemplo, está muito centrada no interior do Estado. Nós vemos  a indústria com participação importante em Catalão, Rio Verde, Itumbiara, Goianésia, Perolândia, Mineiros e cidades pequenas e médias, como Edéia, Goiatuba. Em Goiânia, temos várias indústrias importantes, a indústria da construção civil, as indústrias de confecção, temos um setor moveleiro importante, indústrias gráficas, indústrias farmacêuticas, e Goiânia tem espaço para abrigar polos industriais em regiões onde a população já está, como por exemplo, como a região Noroeste, que poderia se beneficiar do fato de ser a região mais próxima da Ferrovia Norte-Sul, que passa próximo a Goianira. Precisamos concatenar com o poder público e incentivar a instalação dessas indústrias, tirando essa imagem de que a indústria é poluente. Pelo contrário, temos indústrias que adotam práticas de ESG, de sustentabilidade, governança e meio ambiente, e indústrias do setor de tecnologia, que são importantes inclusive para atrair profissionais que recebem uma média alta de salário, o que contribui para o consumo.Temos também a oportunidade de trazer mais indústrias de alimentos, além da indústria do turismo, e com isso incrementar o comércio e os serviços. É importante essa movimentação para todos. O Fórum Empresarial, não só a Fieg, comunga com essa questão de procurar fazer polos industriais, espalhados pela cidade, da mesma forma que o Fórum Empresarial trabalha por uma ocupação maior e melhor do Centro de Goiânia, que também é uma preocupação que temos. Precisamos fazer isso em parceria, seja com o governo municipal seja com o estadual, trabalhar em duas, três mãos, juntos para o desenvolvimento da nossa cidade. Goiânia é uma das dez maiores cidades do país, mas é uma cidade que aspira por mudanças. Infelizmente, temos uma das cidades com maior percentual de áreas verdes do mundo e que hoje não está bonita, que está de certa forma um pouco largada, que tem problemas de mobilidade, e nós precisamos atuar na nossa responsabilidade de cidadão, de empresários, de líder classista, de sociedade organizada junto ao poder público para minorar esses efeitos nocivos, não só para a autoestima do goianiense, mas do goiano como um todo. O goiano que mora em Uirapuru, Itapirapuã, em Catalão, em Morro Agudo, quando vê como está a capital, isso interfere diretamente nesses outros municípios. O que precisamos é mostrar que a cidade não está largada, não está abandonada, que vai ser mais bonita, que vai estar mais limpa, melhorar a questão da mobilidade, melhorar o fluxo. Temos em Goiânia, no horário de pico, ônibus que transita a 13 km por hora. Não pode uma cidade desse porte ter os problemas de mobilidade que temos. Precisamos de atuações firmes, não só com obras de infraestrutura, mas também usando tecnologia, inteligência artificial, fazendo parcerias com universidades, com o Google, com Waze, para melhorar o dia a dia do goianiense.

O novo plano diretor da capital prevê áreas para a criação de distritos industriais. Seriam distritos voltados para quais setores? 

Todos esses que falei. Para nós, tecnologia é importante. Vimos a transformação que houve em Florianópolis, que está atraindo incubadoras, startups, uma série de empresas nessa área. Mas temos um setor moveleiro forte na região do Guanabara e muitas dessas indústrias acabaram indo para as cidades vizinhas, como Senador Canedo, e podem retornar; um setor importante é o de indústrias gráficas, que dando os incentivos, pode ampliar e trazer mais investimentos. Algumas saíram de Goiânia, foram para Aparecida. Não tenho nada contra as empresas estarem na região metropolitana, mas precisamos discutir a região metropolitana como um todo, a mobilidade como um todo, de uma maneira articulada e voltar a ter novos investimentos em Goiânia, aproveitando que temos muita mão de obra que reside no setor Noroeste. É importante levar indústrias para lá para que eles não tenham que atravessar a cidade ou ir para uma cidade vizinha, comprometendo a mobilidade, o trânsito. Para nós é muito importante levar indústrias e temos que ver qual é a melhor, uma indústria de alimentos, fazer palos de confecções. Temos que aproveitar que temos grandes polos de confecções na Rua 44 e na Bernardo Sayão, e explorar isso mais, não só ampliando a quantidade de confecções, mas trabalhando a valorização da marca da indústria goiana. Ter uma marca “made in Goiás” mais valorizada e agregar valor com isso. Quando se movimenta o setor industrial, querendo ou não, movimenta outra indústria muito importante, que é o mercado imobiliário, a indústria da construção civil. Temos indústrias de cosméticos na região do entorno de Goiânia que também podem ser atraídas e, com isso, gerar emprego e renda para a nossa cidade.

Sobre a Política Estadual dos Combustíveis de Goiás, Goiás é o segundo  maior produtor de etanol, atrás de São Paulo. O Governo de Goiás ampliou o benefício fiscal do álcool anidro no Estado para fomentar a produção local de biocombustíveis. Qual o impacto dessa medida na produção de etanol em Goiás? 

Goiás vinha perdendo espaço, o setor sucroenergético, apesar de estar crescendo no Brasil e em Goiás, estava crescendo menos aqui do que em outros estados, como o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Acabamos perdendo a segunda produção de cana para Minas, perdemos a segunda posição na fabricação de etanol de milho para o Mato Grosso do Sul e perdemos a segunda posição na fabricação do etanol para o Mato Grosso. Nos tornamos terceiro em cana, terceiro em etanol de milho e terceiro em etanol total. A boa notícia é que nos tornamos o terceiro em açúcar, éramos quarto. Na fabricação total de produtos, quando somados todos os produtos agregados, ainda somos o segundo, atrás somente de São Paulo, porque Minas tem muita cana, mas não tem nada de milho; Mato Grosso tem muito milho, mas tem pouca cana; e nós temos muita cana e uma quantidade razoável de milho. O que possibilitou essas medidas do governo estadual, não só para o etanol anidro, que é o misturado na gasolina, mas com o hidratado? Primeiro, ele vai em linha com programas de políticas públicas que foram lançados pelo governo federal, como o Combustível do Futuro e o Mobilidade Verde. Devemos ter um aumento da mistura do anidro na gasolina de 27% para 30% e, ao estimular, vamos estimular investimentos aqui em Goiás. Nós estamos também nos preparando para o futuro do setor sucroenergético, que não é mais sucroenergético, é bioenergético, porque o sucro vem da cana e estamos cada vez mais fazendo etanol de cereais, como milho e sorgo. Temos também investimentos que deverão ser feitos no biogás, e já temos duas indústrias em Goiás de biogás e esse biogás está sendo utilizado na produção de energia. Uma dessas indústrias deve fazer um investimento para transformar esse biogás no biometano, que também pode virar energia, mas pode substituir o diesel das frotas e ser canalizado para atender outras empresas. É um gás verde e isso atende o ESG das empresas. O resultado dessas medidas anunciadas pelo governo do Estado, assim como o estímulo ao anunciar que a frota de veículos oficiais será movida a etanol e, se for veículos movidos a bateria, eles serão híbridos flex movidos a etanol, está sendo traduzido em R$ 20 bilhões em investimentos, computando desde o ano de 2023 até o final de 2026. Nós estamos hoje com três fábricas de açúcar em construção e devemos começar agora uma refinaria de açúcar; devemos ter pelo menos mais duas ou três usinas flex, fazendo etanol de milho; várias unidades estão ampliando o seu plantio. São investimentos significativos, e o  importante é que são investimentos no interior do Estado. O setor está instalado em 28 municípios, onde normalmente é o maior empregador. Só não é o maior empregador em Rio Verde, mas em Itumbiara é o maior empregador, em Goianésia, em Porteirão, em Vicentinópolis,em Caçu e Cachoeira Alta, em Mineiros, Chapadão do Céu. É importante porque o setor vai gerar emprego, vai gerar renda, vai interiorizar o desenvolvimento, produz não só combustível, mas alimentos, seja o açúcar, que é um alimento humano, seja DDG, a levedura que se utiliza na ração animal, além de produzir energia, não só da biomassa, mas também do biometano. O setor está se preparando para um outro grande investimento no futuro, que é o etanol de segunda geração, para ser utilizado no combustível sustentável de aviação, o SAF, que também é utilizado nos navios, na navegação. O governo de Goiás, ao fazer isso,  permite que as empresas possam fazer os investimentos, nos preparando não só para o futuro, mas no presente. Por isso que serão R$ 20 bilhões investidos no Estado de Goiás. Esperamos, com isso, retomar essas segundas posições, a segunda posição geral é nossa, mas queremos brigar, nesse primeiro momento, pelas medalhas de prata individuais, não só por equipe. E trazer investimentos importantes que vão agregar tecnologia aqui em Goiás.

Qual a avaliação que o senhor faz do plano de reindustrialização do governo Lula, comandado por Geraldo Alckmin?

Tem que analisar como um todo. Se pegar, por exemplo, o Combustível do Futuro, é uma ótima medida; o Mobilidade Verde é uma ótima medida, porque você vai ao encontro do papel do Brasil na transição energética. Atende a indústria automobilística, atende a indústria produtora de bioenergia no Brasil, seja biodiesel, seja etanol, seja biogás, e isso é importante. A Neo Indústria também é muito importante. O Brasil ganhou muito quando começou a investir cada vez mais no agro com os planos safra. A Neo Indústria é um plano safra para a indústria. É o ideal? Não, mas o ótimo é inimigo do bom, já é um primeiro passo e temos que aplaudir. O que não dá é fazer todos esses programas e ao mesmo tempo querer segurar o preço da gasolina de uma forma artificial, o que inibe investimentos e traz insegurança jurídica; e mais ainda, soltar uma medida provisória que impede a fruição de créditos tributários; fora a medida provisória 1185, que virou a Lei 14.789, da subvenção de investimentos, a própria Reforma Tributária. O governo sinaliza, ofertando uma boa política de industrialização nacional, dar um primeiro passo que pode ser aperfeiçoado, mas ao mesmo tempo, o governo deixa de desonerar a folha de pagamento, e damos passos atrás. E haja trabalho para as federações das indústrias, para as associações, sejam setoriais ou nacionais, para as confederações discutir com o governo para que não se iniba a competitividade da indústria brasileira, para que tenhamos um mecanismo completo de beneficiar a competitividade dessas indústrias, para que se consiga atingir o objetivo da reindustrialização, da neoindustrialização, que só é atingido, não com a política pública direta para industrialização, mas também olhando o lado fiscal. E infelizmente as últimas medidas fiscais têm sido danosas para o setor industrial, principalmente nas regiões onde há desigualdade regional, sobretudo o Centro-Oeste brasileiro. Goiás é afetado muito diretamente, não só a indústria, mas também o poder público estadual e municipal goiano.