O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se reunir neste domingo (28), na Flórida, com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, para discutir caminhos para o encerramento da guerra entre Ucrânia e Rússia. O encontro ocorre em um momento de intensificação do conflito e de pressão internacional por avanços diplomáticos concretos.
Na véspera do encontro, Zelensky fez duras críticas ao presidente russo Vladimir Putin após Moscou promover um dos ataques mais intensos do ano contra Kiev e sua região metropolitana. Para o líder ucraniano, a ofensiva demonstra que o Kremlin não sinaliza disposição real para a paz.
O bombardeio aéreo durou quase dez horas e resultou na morte de pelo menos duas pessoas, além de deixar outras 44 feridas, incluindo duas crianças, segundo autoridades locais. A ofensiva atingiu áreas residenciais e infraestrutura essencial da capital.
De acordo com o governo ucraniano, mais de 40% dos edifícios residenciais de Kiev tiveram o fornecimento de aquecimento interrompido, em meio a temperaturas congelantes. Durante todo o sábado, sirenes de ataque aéreo soaram de forma intermitente, mantendo a população em estado de alerta constante.
Incêndios atingiram diferentes pontos da cidade, destruindo prédios residenciais e uma oficina mecânica. Um lar de idosos precisou ser evacuado devido à propagação das chamas, conforme informou o Serviço de Emergência de Kiev.
Zelensky busca garantias de segurança
Falando a jornalistas a bordo de um avião rumo aos Estados Unidos, Zelensky afirmou que pretende obter, durante a conversa com Trump, sinais claros de garantias de segurança juridicamente vinculantes para a Ucrânia como parte de qualquer acordo de paz. Ele também reforçou o pedido por mais sistemas de defesa aérea, citando a escassez de mísseis diante dos ataques contínuos da Rússia.
Antes de chegar aos Estados Unidos, Zelensky fez uma parada no Canadá, onde se reuniu com o primeiro-ministro Mark Carney, em Halifax. O governo canadense anunciou um novo pacote de ajuda econômica de 2,5 bilhões de dólares canadenses à Ucrânia. Segundo uma fonte oficial, o auxílio permitirá ainda que o Fundo Monetário Internacional libere um empréstimo adicional de US$ 8,4 bilhões ao país.
Escalada militar e reação regional
Segundo a Força Aérea da Ucrânia, a Rússia lançou 519 drones e 40 mísseis contra o território ucraniano durante a madrugada de sábado. Zelensky destacou que, embora haja negociações em curso, a continuidade da violência contradiz qualquer discurso de pacificação.
Em resposta à ofensiva, a Polônia mobilizou caças e suspendeu temporariamente as operações em dois aeroportos, conforme informou a Reuters, citando autoridades polonesas. Autoridades americanas avaliam o encontro com cautela, reconhecendo os esforços diplomáticos recentes, mas sem estabelecer objetivos públicos claros para a reunião. Zelensky afirmou ao site Axios que espera avançar em um acordo para encerrar a guerra; Líderes europeus acompanham o diálogo à distância e não devem participar do encontro. Segundo fontes da Otan, o relacionamento atual entre Estados Unidos e Ucrânia é considerado produtivo, embora envolva riscos elevados, dada a imprevisibilidade do cenário político.
Plano de paz e entraves diplomáticos
Na última semana, Zelensky conversou com representantes da Otan e líderes do Canadá, Alemanha, Finlândia, Dinamarca e Estônia para alinhar posições. Ele também sinalizou disposição para flexibilizar pontos sensíveis das negociações, embora ainda não haja resposta oficial do Kremlin.
O plano inicial de paz, que contava com 28 pontos, foi reduzido para 20 após críticas de aliados da Ucrânia. Zelensky afirmou que o documento pode servir como base para o fim do conflito, embora as tratativas sigam concentradas entre Kiev e Washington, com Moscou atuando de forma indireta.
Ao comentar a disparidade entre discurso e ação, o presidente ucraniano afirmou que, enquanto representantes russos participam de longas negociações, “mísseis e drones falam por eles”, resumindo o clima de desconfiança que ainda marca o processo de paz.














