A Uber vai demitir aproximadamente 3,3 mil funcionários, o equivalente a 10% de sua equipe global. Essa será a maior rodada de cortes promovida pela empresa desde a pandemia de Covid-19.
A notícia pode causar preocupação entre quem trabalha dirigindo ou fazendo entregas pela plataforma, mas a decisão não inclui motoristas e entregadores parceiros. Os desligamentos atingem o quadro corporativo da companhia.
A Uber possuía cerca de 34 mil funcionários no fim de 2025. Com a redução anunciada nesta quarta-feira (2), o total deverá ficar abaixo de 30 mil empregados.
Por que a Uber está demitindo?
O diretor-executivo Dara Khosrowshahi explicou aos funcionários que a empresa cresceu rapidamente nos últimos cinco anos. Embora a receita tenha quase triplicado nesse intervalo, o avanço teria criado uma estrutura excessivamente complexa. Com mais equipes, gestores e processos internos, a companhia passou a enfrentar dificuldades para tomar decisões rápidas e estabelecer responsabilidades com clareza.
A reestruturação pretende reduzir níveis de comando e acabar com aproximadamente metade das chamadas “microequipes”. Áreas com funções semelhantes também serão unificadas.
Os serviços de entrega de restaurantes, produtos do varejo e vendas diretas, por exemplo, ficarão concentrados sob uma única liderança.
Trabalho remoto será reduzido
A Uber também decidiu concentrar seus empregados em grandes escritórios, como os mantidos em São Francisco e Nova York. O trabalho totalmente remoto ficará restrito a aproximadamente 1% dos funcionários. A política híbrida da companhia prevê a presença no escritório durante pelo menos três dias por semana. A empresa defende que a aproximação das equipes facilitará a colaboração e aumentará a velocidade das decisões.
Ainda não foram informados quantos trabalhadores serão demitidos em cada país nem se haverá impacto direto sobre empregados dos escritórios brasileiros.
Robotáxis entram na estratégia
Outra prioridade da Uber é ampliar os investimentos em veículos autônomos. A empresa enfrenta concorrência crescente de serviços de robotáxi mantidos por companhias como Waymo e Tesla. A Uber pretende reinvestir parte da economia obtida com a redução do quadro em inovação, expansão e tecnologias consideradas fundamentais para o futuro da mobilidade.
Mesmo assim, o presidente da empresa não declarou que a inteligência artificial ou os carros autônomos sejam os responsáveis diretos pelas 3,3 mil demissões. Oficialmente, o corte foi atribuído à reorganização da estrutura corporativa.
Motoristas serão afetados?
A medida não representa a exclusão de 10% dos motoristas cadastrados. Condutores e entregadores são considerados trabalhadores independentes pela Uber e, portanto, estão fora do número anunciado. Os desligamentos envolvem empregados contratados para atuar em áreas administrativas, tecnológicas, operacionais e de gestão. A companhia ainda não divulgou a distribuição exata das vagas eliminadas entre os departamentos.
A maior demissão coletiva anterior ocorreu em 2020. No auge da pandemia, quando o movimento de passageiros despencou, a Uber eliminou cerca de 6,7 mil postos de trabalho e fechou dezenas de escritórios.
Desta vez, os cortes ocorrem mesmo com a companhia registrando crescimento. A Uber apresentou receita de US$ 14,2 bilhões no segundo trimestre de 2026, aumento de 12%, além de lucro líquido de US$ 2,4 bilhões.
A maior parte dos empregados afetados já foi comunicada. Nos países em que a legislação exige consultas ou negociações antes das demissões, o processo seguirá as regras locais.
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