Mesmo que produtores e frigoríficos iniciem imediatamente as adaptações exigidas pela União Europeia, a carne bovina goiana poderá levar até 30 meses para cumprir integralmente as novas regras. O prazo acompanha o ciclo da pecuária de corte, já que todo o histórico do animal, do nascimento ao abate, deverá ser comprovado.
A suspensão das importações brasileiras entrou em vigor na última quinta-feira pode provocar perdas de US$ 16,8 milhões por mês para Goiás. A restrição alcança carnes, peixes de cultivo, mel, ovos e outros produtos de origem animal.
Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), a decisão não foi motivada pela identificação de produtos contaminados. “Cabe destacar que a suspensão se trata de uma questão de capacidade de comprovação documental, e não de questões sanitárias sobre a carne brasileira”, explicou o analista econômico da entidade, Saulo Nogueira.
Para atender às regras europeias, o setor terá de comprovar o controle sobre o uso de antimicrobianos durante toda a vida dos animais. Como um boi pode levar cerca de 30 meses para chegar ao abate, a regularização dos procedimentos não garante o retorno imediato das exportações.
Em Goiás, a JBS de Mozarlândia e a Minerva Foods de Palmeiras de Goiás estão entre as unidades mais afetadas. As duas plantas foram estruturadas para atender ao mercado europeu de cortes nobres, que paga valores cerca de 20% superiores aos praticados em outros destinos.
Embora a produção possa ser redirecionada para China, Estados Unidos, Japão, Indonésia e Coreia do Sul, a mudança tende a reduzir as margens do setor. “Exportadores goianos podem, e devem, redirecionar sua produção”, afirmou Saulo, alertando que o impacto comercial poderá superar as estimativas iniciais.












