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Um ano sem celular nas escolas: 95% dos gestores relatam melhora na concentração e socialização

Pesquisa do MEC mostra que 95% dos gestores relatam melhora na concentração e socialização após um ano de restrição de celulares nas escolas


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 12/08/2026 - 15:46

Um ano sem celular nas escolas: 95% dos gestores relatam melhora na concentração e socialização - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Pesquisa do MEC com Inep e Instituto Alana mostra que 92% das escolas já implementaram a restrição; desafios incluem educação digital e apoio às famílias.

Um ano após a entrada em vigor da Lei nº 15.100/2025, que restringe o uso de celulares nas escolas, a medida já provocou mudanças significativas na rotina de estudantes e educadores. Pesquisa nacional do Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Inep, Instituto Alana e Unesco mostra que 92% dos gestores escolares afirmam que a norma já está sendo implementada em suas unidades.

Entre os gestores, 97% perceberam aumento da participação dos estudantes nas atividades pedagógicas e 95% relataram melhora na concentração e na socialização presencial. A redução de conflitos, agressões digitais e episódios de cyberbullying foi percebida por 88% dos gestores . O levantamento ouviu gestores, coordenadores pedagógicos e professores; os dados dos demais participantes serão divulgados em futuras publicações.

A pesquisa também identificou mudanças concretas no ambiente escolar: 67% das escolas viram aumento de atividades manuais, lúdicas e artísticas; 56% ampliaram atividades pedagógicas fora da sala de aula; e 59% adotaram ações para estimular brincadeiras e interação . Rodrigo Neves, psicólogo e especialista do Instituto Alana, avalia que a restrição abriu espaço para uma rotina mais diversificada e que a escola precisa ocupar esse espaço com interação, criatividade e aprendizado prático.

Embora a regra tenha sido bem recebida, os desafios persistem. Em 45% das escolas, os gestores consideram o processo consolidado, enquanto 47% afirmam que ele ainda está em andamento . A pesquisa também revela que 86% das instituições mantiveram ou ampliaram atividades pedagógicas com tecnologias digitais, e 87% realizaram ou planejam ações de educação digital.

Especialistas apontam que a restrição ao celular não significa uma escola sem tecnologia, mas uma oportunidade de repensar seu uso. A professora Débora Garofalo defende que o estudante deve passar de usuário a autor, criador e produtor de conhecimento, utilizando ferramentas digitais de forma crítica . “Regular o uso da tecnologia não é o mesmo que educar para o seu uso. A escola pode e deve estabelecer limites, mas também precisa formar estudantes capazes de compreender, questionar e fazer escolhas conscientes no ambiente digital”, afirma.

A pesquisa também aponta que a implementação é mais consistente onde há apoio das famílias. O psicólogo Rodrigo Neves sugere que as escolas aproveitem reuniões com pais para tratar de segurança digital e uso dos aparelhos, e destaca que as plataformas digitais também têm responsabilidade na proteção de crianças e adolescentes.

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Redação Tribuna do Planalto

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