Quando as pessoas ouvem falar em genética animal, muita gente imagina algo distante da vida real. Parece assunto de laboratório, de especialistas, de criadores. Mas a verdade é que a genética está presente todos os dias na mesa do brasileiro.
Ela está na carne mais macia, no leite produzido com mais eficiência, na sustentabilidade que hoje o consumidor cobra, e o criador profissional prima, na capacidade que Goiás e o Brasil desenvolveu de produzir alimento de qualidade para o mundo inteiro.
Quem vive a pecuária sabe o quanto o setor evoluiu nas últimas décadas. Houve um tempo em que um boi precisava de quase cinco anos para atingir peso de abate. Hoje, graças à seleção genética, à nutrição de precisão e às tecnologias de manejo, esse tempo caiu drasticamente. Produzimos mais, em menos área, com mais qualidade e responsabilidade ambiental.
Mas talvez o nosso maior desafio ainda seja explicar isso para quem está fora da porteira.
E é exatamente por isso que a Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ) realizou mais uma edição da Goiás Genética, e que atraiu os olhares de tantos visitantes, durante a Agrocapital 2026, às margens da GO-020. Depois de 13 anos no Parque Agropecuário de Goiânia, entendemos que era hora de crescer, ampliar horizontes e aproximar ainda mais o agro da sociedade.
Montamos um pavilhão de cerca de 7 mil metros quadrados para receber todos, criadores, pesquisadores, estudantes, empresários e também famílias e consumidores que muitas vezes nunca tiveram contato direto com esse universo.
Ali estiveram cerca de 200 animais expostos e que representam décadas de pesquisa, dedicação e investimento. Animais que ajudam Goiás a ser protagonista em uma cadeia que movimentou mais de R$ 20 bilhões em exportações no último ano.
Entre eles estava o Havaí FIV GL Paineiras, um Guzerá criado por mim e pela minha esposa Geisa, que ganhou o título de Melhor Touro Adulto do Ranking Nacional de 2025 e recentemente consagrado Grande Campeão da ExpoCurvelo 2026. Um animal jovem, de apenas 28 meses, pesando mais de uma tonelada, resultado de um trabalho construído com paciência, critério e muita paixão pela raça.
Mas faço questão de dizer: não é apenas sobre um animal campeão.
É sobre o que ele e tantos outros campeões que estarão na Goiás Genética representam.
Cada pista de julgamento mostra ciência aplicada. Quando um jurado avalia genética, genealogia, morfologia e funcionalidade, ele está olhando para aquilo que poderá produzir um rebanho melhor no futuro. Mais produtivo, mais eficiente e mais sustentável.
O Guzerá, raça pela qual tenho enorme paixão, é parte importante dessa história. Uma raça forte, adaptada, resistente e que ajudou a construir a pecuária tropical brasileira. Assim como todas as raças zebuínas que fazem do nosso país referência mundiais.
A Goiás Genética é sempre uma vitrine desse trabalho silencioso que acontece todos os dias dentro das fazendas brasileiras. Um trabalho que muitas vezes não aparece, mas que alimenta milhões de pessoas no Brasil e no exterior.
Nossa missão continua sendo essa: abrir as portas, aproximar as pessoas e mostrar que a ciência também desfila no pasto e chega à vitrines como a Goiás Genética.
Luciano Bomfim – Criador e Presidente da Associação Goiana dos Criadores de Zebu (AGCZ)



Por Luciano Bomfim em 05/06/2026 - 13:56









