A chegada de Daniel Vilela ao Palácio das Esmeraldas representa mais do que uma mudança administrativa. Em muitos aspectos, simboliza a ascensão de uma geração inteira de lideranças que se formou nos movimentos estudantis, nas juventudes partidárias, nas entidades de representação, nas organizações religiosas e nos mais diversos espaços de participação social espalhados por Goiás.
Ao acompanhar esse momento, não consigo evitar uma reflexão sobre minha própria trajetória.
Não sou herdeiro político. Talvez seja até um “aborto da natureza” dentro dos padrões tradicionais da política goiana. Minha formação aconteceu longe dos gabinetes e das estruturas de poder. Começou na Igreja Católica, especialmente junto à juventude de Nerópolis. Foi convivendo com os jovens do Segue-me, compartilhando sonhos, inquietações e desafios, que compreendi uma verdade que carrego até hoje: a política é o instrumento mais poderoso criado pela humanidade para transformar vidas e melhorar a sociedade.
Foi com esse espírito que, aos 19 anos, tive contato com a militância partidária. Ao ingressar na Juventude do PSDB, conheci um universo muito diferente daquele em que havia crescido. Vindo de um ambiente mais conservador, fui apresentado ao movimento LGBTQIA+, ao movimento feminista, aos coletivos ligados à cultura afro-brasileira e a inúmeras outras expressões da sociedade organizada.
O impacto inicial foi inevitável. Com o tempo, porém, aquela convivência tornou-se uma das experiências mais enriquecedoras da minha vida. Aprendi que a democracia não se fortalece pela uniformidade de pensamento, mas pela capacidade de convivência entre diferentes. Aprendi que é possível discordar profundamente sem abrir mão do respeito, da amizade e da admiração.
Foi nesse ambiente plural que conheci muitos dos nomes que hoje ocupam posições relevantes na vida pública.
Por isso, ao ver Daniel Vilela assumir o comando do Estado, lembro de uma expectativa compartilhada por muitos de nós ainda na juventude: a de que, depois da geração que iniciou sua caminhada política nos anos 1980, chegaria o momento de uma nova leva de lideranças assumir responsabilidades maiores, respeitando o legado recebido, mas preparada para construir seu próprio caminho.
Entre aqueles que fizeram parte dessa caminhada estão Michel Magul, liderança religiosa da Igreja Ortodoxa em Goiânia, estudioso da política internacional e dos grandes temas globais; Aava Santiago, uma das principais vozes progressistas do estado; Sabrina Garcez, cuja capacidade de articulação e liderança a transformou em referência na política da capital; e Murillo Marques, cuja trajetória foi construída pela confiança, pelo trabalho e pela dedicação à vida pública.
Na Assembleia Legislativa, Lucas Calil consolidou uma atuação consistente e próxima de suas bases. Ao seu lado, merece destaque Gustavo Sebba, médico, agricultor e deputado estadual que tem pautado sua atuação pela coerência, pela ética e pela fidelidade às suas convicções, construindo uma identidade própria sem abrir mão do legado político de seu pai, Jardel Sebba. E ainda Wagner Neto, integrante de uma família tradicional da região de Itapuranga, que vem construindo sua própria trajetória pública a partir da forte conexão com o setor agropecuário e com as demandas do interior goiano.
Entre as lideranças surgidas do movimento estudantil e da participação juvenil, destacam-se ainda Thiago Albernaz, um dos pioneiros na ocupação de espaços institucionais por jovens lideranças, e Lucas Kitão, cuja atuação sempre esteve associada à proximidade com a população e à busca por soluções práticas para os desafios da gestão pública.
No campo jurídico, Darô Fernandes e Auro Jayme representam trajetórias distintas, mas igualmente relevantes. Enquanto Darô mantém presença ativa nos debates institucionais e jurídicos do estado, Auro tornou-se uma das referências da nova geração da advocacia goiana, exercendo influência importante nos espaços de representação da categoria.
O interior de Goiás também produziu lideranças de destaque. Cléber do Zezé, em Santo Antônio de Goiás; Carlinhos Canzi, em Jataí; Marcello Valle, em Mineiros; Toninho, na região de Uruaçu; e Hugo Gomes, em Nerópolis, representam diferentes realidades, mas compartilham a mesma disposição de assumir responsabilidades e enfrentar os desafios da vida pública.
Na região do Entorno do Distrito Federal, Marco Túlio, Diego Sorgato, Marcus Vinícius e Pábio Mossoró construíram protagonismo político a partir do profundo conhecimento das demandas locais e regionais.
Em Itumbiara, Zé Antônio mantém importante presença política no sul do estado. Em Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha consolidou-se como uma das figuras mais conhecidas da política goiana contemporânea, enquanto Lipe Gomes representa a continuidade de uma nova geração de lideranças vinculadas ao grupo político liderado por Marconi Perillo.
Outro nome que merece destaque é Danilo Jandaia. Oriundo do movimento estudantil, acumulou experiências em funções relevantes nos governos de Goiás, do Brasil e de São Paulo antes de assumir a Prefeitura de Jandaia, onde hoje coloca em prática a experiência adquirida ao longo de sua trajetória.
Nos legislativos municipais, Higor Franco, Lucas Vergílio, Fabrício Rosa e Thiallo Guiotti, em Goiânia, e Allyson Rosa, atual presidente da Câmara Municipal de Ipameri, representam uma geração que compreendeu cedo a importância da participação política e da construção institucional.
A política, entretanto, não se faz apenas nos parlamentos e governos. Tiago Falbo demonstra isso ao atuar junto ao setor empresarial e às entidades representativas da sociedade civil organizada.
Entre os exemplos femininos dessa geração, destaca-se Igara de Castro, primeira-dama de Goianésia, que vem desenvolvendo importante trabalho social e contribuindo para ampliar as ações voltadas à população mais vulnerável ao lado do prefeito Renato de Castro.
Da mesma forma, Narcia Kelly consolidou-se como uma das principais referências do cooperativismo goiano e da liderança feminina no estado, trajetória fortalecida por sua experiência à frente da Prefeitura de Bela Vista de Goiás.
Ao ampliar o olhar para além das fronteiras goianas, é impossível não lembrar de trajetórias que seguiram caminho semelhante em diferentes regiões do país. Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, e Raquel Lyra, governadora de Pernambuco, ambos egressos da Juventude do PSDB, demonstram como os espaços de formação política foram capazes de preparar lideranças para assumir algumas das mais importantes responsabilidades públicas do Brasil.
Esse processo não produziu apenas governantes. Também revelou profissionais que passaram a ocupar posições de influência em outras áreas da vida nacional. É o caso de Paulo Mathias, comunicador e apresentador em São Paulo, cuja trajetória também teve origem na militância juvenil tucana. São exemplos que reforçam uma constatação simples: os ambientes de participação política e formação de lideranças produziram uma geração capaz de contribuir com o país em diferentes campos, da administração pública à comunicação, da representação política à sociedade civil.
Ao observar todos esses nomes, uma característica se destaca: apesar das diferenças ideológicas, partidárias, religiosas e pessoais, existe entre nós uma história comum.
Somos uma geração formada na convivência democrática.
Uma geração que aprendeu a debater sem destruir pontes.
Uma geração que compreendeu que adversários não precisam ser inimigos.
Uma geração que conviveu com conservadores, progressistas, liberais, social-democratas, religiosos, empresários, sindicalistas, ativistas, gestores públicos e representantes dos mais diversos setores da sociedade.
Nem todos concordam entre si. Talvez poucos concordem em tudo. Mas existe algo que nos une: o respeito.
Conheço muitos desses nomes de perto. Conheço suas virtudes, suas limitações, seus acertos e seus erros. E justamente por isso acredito que nossa geração chega aos espaços de decisão mais preparada tecnicamente, mais madura politicamente e mais consciente da complexidade dos desafios que Goiás enfrenta.
Naturalmente, os nomes aqui citados são apenas alguns exemplos. Existem muitos outros homens e mulheres da nossa geração ocupando posições de liderança nos municípios, nas entidades de classe, no setor produtivo, nos movimentos sociais, nas organizações religiosas, no serviço público e na iniciativa privada. Se, involuntariamente, deixei alguém de fora desta reflexão, desde já peço desculpas.
Aliás, essa eventual omissão apenas confirma a riqueza do processo vivido por nossa geração. A quantidade e a qualidade das lideranças formadas nos movimentos estudantis, nas juventudes partidárias e nas diversas organizações da sociedade são tão expressivas que seria impossível registrar todas em um único artigo.
O mais importante é reconhecer que existe uma geração inteira assumindo responsabilidades, ocupando espaços de decisão e fazendo a diferença na vida das pessoas em Goiás e em todo o Brasil.
A chegada de Daniel Vilela ao governo simboliza, em muitos aspectos, a chegada definitiva dessa geração aos espaços centrais de decisão.
Agora cabe a todos nós honrar essa oportunidade, ajudando a construir um Goiás mais justo, equilibrado, desenvolvido e capaz de oferecer qualidade de vida para todos os seus cidadãos.















