A grave crise econômica e social enfrentada por Cuba tem levado um número cada vez maior de cidadãos cubanos a buscar uma nova vida no Brasil, e Goiânia aparece entre os destinos escolhidos por parte desses imigrantes. A informação faz parte de uma reportagem especial publicada pela Folha de S.Paulo, que acompanhou a chegada de refugiados cubanos ao município de Oiapoque, no Amapá, principal porta de entrada dessa nova rota migratória.
Segundo a reportagem, os cubanos enfrentam uma longa viagem que começa com um voo até o Suriname e segue por estradas da Guiana Francesa, travessias de barco pelo rio Oiapoque, percursos terrestres pela Amazônia e viagens fluviais e rodoviárias até diferentes estados brasileiros. Entre os grupos acompanhados pela equipe da Folha estavam uma professora de espanhol, um técnico em eletrônica, um fotógrafo e uma bailarina. Parte deles informou que seguiria para Goiânia, onde pretende morar e reconstruir a vida.
Os números mostram a dimensão desse movimento. Em 2025, cerca de 41,9 mil cubanos solicitaram refúgio no Brasil, ultrapassando, pela primeira vez, os venezuelanos, que tradicionalmente lideravam esse tipo de pedido. Somente em Oiapoque, ao menos 8.400 cubanos procuraram a Polícia Federal para formalizar o pedido de refúgio no ano passado. Até maio de 2026, outros 1.700 ingressos já haviam sido registrados.
Os relatos dos migrantes revelam uma realidade marcada pela escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, energia elétrica e água potável em Cuba. Muitos afirmam que venderam casas, móveis e praticamente todos os bens para financiar a viagem, que pode custar o equivalente a mais de R$ 30 mil para uma família.
Após o desembarque em Oiapoque, os refugiados procuram a Polícia Federal para obter o protocolo de solicitação de refúgio, documento que permite permanecer e trabalhar legalmente no Brasil enquanto o processo é analisado.
A reportagem da Folha de S.Paulo também destaca que a travessia é marcada pela atuação de grupos investigados por extorquir os migrantes, cobrando valores muito acima do normal por transporte, alimentação e travessias na região amazônica.













