Produtor de Dona Flor e Seus Dois Maridos e O Quatrilho estava internado no Rio de Janeiro; Barretão deixa legado de mais de seis décadas no audiovisual nacional.
Morreu nesta quarta-feira (22) o cineasta e produtor Luiz Carlos Barreto, aos 98 anos, no Rio de Janeiro. O veterano estava internado no Hospital Copa Star, na Zona Sul carioca, desde segunda-feira (20), e não resistiu a uma pneumonia. A informação foi confirmada pela família e pelo hospital.
Conhecido como Barretão, o cearense construiu uma carreira de mais de seis décadas no cinema brasileiro. Começou como repórter fotográfico em 1950, passou pelos Diários Associados e pela revista O Cruzeiro, onde se tornou um dos grandes nomes do fotojornalismo brasileiro. Correspondente em Paris, formou-se em Letras pela Universidade Sorbonne e foi na capital francesa que ampliou seu olhar para o cinema.
Ao lado da esposa, Lucy Barreto, com quem foi casado por 75 anos, fundou a LC Barreto Produções Cinematográficas, uma das empresas mais importantes da história do audiovisual brasileiro. A produtora atravessou décadas e ajudou a criar uma filmografia que se confunde com a própria memória do país.
Entre suas obras mais emblemáticas estão Garrincha, Alegria do Povo (1963), Terra em Transe (1967), Bye Bye, Brasil (1979) e o maior sucesso de bilheteria do cinema brasileiro: Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), dirigido por seu filho Bruno Barreto, que atraiu 10,7 milhões de espectadores. A produção é a quinta maior bilheteria da história do cinema nacional.
Barretão também emplacou duas indicações ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em um período de dois anos: com O Quatrilho (1995), dirigido por seu filho Fábio Barreto, e com O Que É Isso, Companheiro? (1997), novamente dirigido por Bruno. Seu nome também foi citado em festivais como Cannes e Berlim.
O produtor deixa a esposa Lucy Barreto, os filhos Paula e Bruno Barreto, além de netos e bisnetos. Um de seus netos, Davi Barreto, lamentou a morte nas redes sociais: De alguma forma, achei que você viveria mais do que todos nós. Ele era um gigante na nossa família e no Brasil, uma verdadeira Estrela Guia na minha vida, escreveu.
O velório será realizado nesta quinta-feira (23), das 11h às 14h, no Palácio da Cidade, em Botafogo, e será aberto ao público. A cremação ocorrerá em cerimônia restrita à família no Memorial do Carmo, no Caju.
O velório de Luiz Carlos Barreto será aberto ao público nesta quinta-feira (23), das 11h às 14h, no Palácio da Cidade (Rua São Clemente, 370, Botafogo, Rio de Janeiro). A cremação será restrita à família.
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