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Convenção do PL em Goiás apela à nacionalização e reforça polarização

Discursos de Wilder Morais e Gustavo Gayer colocaram Flávio Bolsonaro no centro do palanque estadual e deixaram o debate local em segundo plano


Domingos Ketelbey Por Domingos Ketelbey em 04/08/2026 - 07:42

A convenção do PL, realizado na noite desta sexta-feira (3), que oficializou a chapa liderada pelo senador Wilder Morais ao Governo de Goiás foi marcada pela tentativa de transportar a polarização nacional para a disputa pelo Palácio das Esmeraldas.

O encontro confirmou a empresária Ana Paula Rezende como candidata a vice-governadora e homologou as candidaturas dos deputados federais Gustavo Gayer e Oséias Varão às duas vagas ao Senado. Ambos terão suplentes indicados em uma coligação com o Novo. O empresário Leonardo Rizzo será primeiro suplente de Gayer enquanto o advogado Telêmaco Brandão de Varão.

Embora reunisse os principais nomes do partido para a disputa estadual, o ato teve como personagem central o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Ele participou por vídeo e pediu unidade aos grupos de direita para ampliar a bancada da legenda no Congresso e nas assembleias legislativas.

Wilder deixou explícita a prioridade da campanha. “Em primeiro lugar eu vou defender você, depois vou defender o nosso estado de Goiás”, afirmou ao se dirigir a Flávio. O candidato também prometeu percorrer os municípios goianos para divulgar o nome do presidenciável.

O deputado federal Gustavo Gayer seguiu pelo mesmo caminho. Em discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sustentou que a união dos grupos conservadores seria uma questão de “sobrevivência” e apresentou a chapa estadual como parte do projeto nacional do bolsonarismo.

A estratégia ajuda o PL a mobilizar uma militância identificada com o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também reduz o espaço para uma agenda propriamente goiana. As propostas para segurança, saúde, infraestrutura e desenvolvimento econômico ficaram em segundo plano diante dos ataques ao governo federal e dos apelos pela vitória de Flávio.

A empresária Ana Paula Rezende foi quem tentou estabelecer uma ponte com o debate estadual. Filha do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende, ela reivindicou o legado político do pai e buscou ampliar o discurso da chapa para além do eleitorado tradicionalmente bolsonarista.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, participou presencialmente e reforçou o apoio da direção partidária a Wilder. Fora do PL, a coligação conta com o Novo, único aliado incorporado até a formalização das candidaturas.

A convenção mostrou uma chapa fechada, mas dependente da força nacional do partido. O cálculo é transformar a disputa pelo governo estadual em mais um capítulo do confronto entre Lula e o bolsonarismo. Ao seguir esse caminho, o PL também consolida a polarização que pretende levar às urnas em Goiás.

 

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