Skip to content

Chuva de meteoros Perseidas atinge pico na madrugada de 13 de agosto; Lua Nova favorece visibilidade

Dr. Marcelo De Cicco, do projeto de monitoramento de meteoros EXOSS, dá as explicações


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 13/08/2026 - 08:53

Chuva das Perseidas registrada na Polônia em 2024. Foto: Marcin Rosadziński via APOD NASA. Chuva das Perseidas registrada na Polônia em 2024. Foto: Marcin Rosadziński via APOD NASA.
Chuva das Perseidas registrada na Polônia em 2024. Foto: Marcin Rosadziński via APOD NASA.
A aguardada chuva de meteoros Perseidas atingirá seu período de máxima atividade nas manhãs de 12 e 13 de agosto de 2026. Como o pico exato está previsto entre as 23h do dia 12 e 1h da madrugada seguinte, torna-se o alvorecer (Horário de Brasília) do dia 13 de agosto o período mais favorável, embora as madrugadas desses dois dias sejam boas janelas de observação.

O espetáculo oferece excelentes condições para quem está no Hemisfério Norte de nosso planeta, entretanto, no Brasil, a observação em termos gerais será razoavelmente fraca. As regiões Norte e Nordeste do Brasil serão os locais mais adequados para observar esses meteoros.

De acordo com o astrônomo Dr. Marcelo De Cicco, do projeto de monitoramento de meteoros EXOSS, a chuva das Perseidas é visível anualmente de meados de julho até o final de agosto. Em 2026, o período oficial de duração da chuva vai de 17 de julho a 24 de agosto, marcando o intervalo em que a Terra atravessa a corrente de detritos deixada pelo cometa Swift-Tuttle.

O cometa Swift-Tuttle, responsável pelos detritos que originam as Perseidas, foi descoberto independentemente pelos astrônomos Lewis Swift e Horace Tuttle em 1862. Quando passou pela Terra pela última vez, em 1992, era muito fraco para ser visto a olho nu.

A próxima passagem, prevista para 2126, poderá torná-lo visível a olho nu. O radiante (local de onde os meteoros parecem surgir) das Perseidas está localizado na constelação de Perseu. Embora a chuva de meteoros leve o nome da constelação de onde parece irradiar, a constelação não é a fonte dos meteoros.

Diferentemente dos anos anteriores, as condições de observação em 2026 serão espetaculares. A Lua estará na fase nova (com o ápice da fase ocorrendo às 14h37, no Horário de Brasília, do dia 12 de agosto), garantindo um céu completamente escuro e livre de interferência luminosa natural.

IMPACTO NO BRASIL

Como o radiante da chuva fica na constelação de Perseus (declinação + 58 graus), ele atinge baixas elevações no Hemisfério Sul. A taxa observável cai proporcionalmente à altura do radiante.

Você já deve ter lido por aí que haverá “mais de 100 meteoros por hora”. Na astronomia, o ZHR (Zenithal Hourly Rate) é um valor teórico padronizado para quando o ponto de onde os meteoros parecem vir (o radiante) está no topo do céu e em um local sem nenhuma poluição luminosa ou obstrução.

Como o radiante das Perseidas fica muito ao norte no céu, ele aparece baixo no horizonte para quem está no Hemisfério Sul.

Confira a visibilidade (em céu escuro, sob condições ideais) que observadores brasileiros terão em locais de céu limpo:

  •  Região Norte (AM, AP, RR, PA): A MELHOR VISÃO DO BRASIL!
    • Radiante atinge até 30 graus de elevação.
    • Taxa Real Esperada: 15 a 20 meteoros/hora.
  • Regiões Nordeste e Centro-Oeste:
    • Radiante atinge entre 10 e 15 graus de elevação.
    • Taxa Real Esperada: 5 a 10 meteoros/hora.
  • Regiões Sudeste e Sul:
    • Radiante fica muito baixo no horizonte Norte (10 graus).
    • Taxa Real Esperada: 1 a 5 meteoros/hora.
    • Bônus: oportunidade rara de avistar Earthgrazers, meteoros que “raspam” a alta atmosfera em trajetórias horizontais longas.

A dinâmica de observação das Perseidas faz com que a quantidade de meteoros aumente à medida que a noite avança. O radiante (ponto de onde os meteoros parecem surgir) nasce no meio da noite e atinge seu ponto mais alto ao amanhecer. Por isso, o melhor horário para olhar para o céu será pouco antes do amanhecer, a partir das 3h (aproximadamente, variando de acordo com a sua região; quanto mais ao Sul, mais tarde será a visibilidade).

QUANDO E COMO OBSERVAR?

  1. Janela ideal: entre 03h e 05h30 do dia 13 de agosto.
  2. Direção: olhe em direção ao Norte/Nordeste. Não precisa de telescópio ou binóculo! O melhor equipamento são os seus próprios olhos.
  3. Escuridão é tudo: afaste-se das luzes da cidade. A poluição luminosa reduz a quantidade de meteoros visíveis drasticamente.
  4. Paciência: fê ao menos 20 minutos para seus olhos se adaptarem ao escuro. Evite olhar a tela do celular!

VAI FOTOGRAFAR OU REGISTRAR? 

Os meteoros das Perseidas são extremamente rápidos (59 km/s) e costumam deixar rastros ionizados visíveis por alguns segundos no céu!

  • Configuração tipo camera digital DSLR/Mirrorless:
    • Lente grande-angular (ex: 14mm a 24mm) com abertura máxima (f/1.8 a f/2.8).
    • ISO entre 1600 e 3200.
    • Exposição contínua de 10 s a 20 s via intervalômetro.

FAÇA CIÊNCIA

Viu um bólido, ou seja, um meteoro superbrilhante que ilumina o chão? Reporte o horário exato, direção e brilho para as redes globais de monitoramento como o projeto EXOSS, no link: https://exoss.imo.net/members/imo/report_intro

Os meteoros das Perseidas são conhecidos por serem bastante coloridos, brilhantes e por deixarem rastros persistentes no céu. Embora seja uma chuva historicamente mais favorável e popular no Hemisfério Norte, por coincidir com o verão deles, a ausência total de brilho lunar em 2026 fará desta uma das edições mais bonitas e proveitosas para os observadores brasileiros que estiverem bem posicionados geograficamente.

Feitas de pequenos detritos espaciais do cometa Swift-Tuttle, as Perseidas são amplamente procuradas por astrônomos e observadores.

LEIA TAMBÉM:

Eclipse solar de 12 de agosto não será visível no Brasil: https://tribunadoplanalto.com.br/eclipse-solar-de-12-de-agosto-nao-sera-visivel-no-brasil/

Pesquisa