Os deputados estaduais de Goiás que disputam as eleições de 2026 declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) patrimônios formados por imóveis urbanos, fazendas, participações em empresas, aplicações financeiras, veículos e máquinas agrícolas. Dos 41 titulares da atual legislatura, 30 apresentam aumento no valor dos bens em relação às eleições de 2022. Treze mais que dobraram o patrimônio no período.
O grupo dos que registraram crescimento superior a 100% reúne Gugu Nader (PSDB), Lincoln Tejota (União Brasil), Dr. George Morais (MDB), Julio Pina (Solidariedade), Amauri Ribeiro (PL), Dra. Zeli (PSD), Issy Quinan (MDB), Cairo Salim (MDB), Lucas do Vale (PSD), Karlos Cabral (PSB), Henrique César (Podemos), Bia de Lima (PT) e Coronel Adailton (Solidariedade).
As variações, entretanto, partem de bases bastante diferentes. Gugu Nader passou de R$ 205,8 mil em 2022 para R$ 1,13 milhão neste ano, crescimento de 450%. Lincoln Tejota saiu de R$ 262,9 mil para R$ 1,22 milhão, alta de 367%. Já George Morais avançou de R$ 2,09 milhões para R$ 8,61 milhões, aumento de 311%.
Na declaração de George, a maior fatia está em um consórcio não contemplado, avaliado em R$ 6,58 milhões. O deputado também informou R$ 700 mil em dinheiro em espécie, apartamentos, terrenos, benfeitorias em propriedade rural, quotas empresariais e aplicações financeiras.
Em valores absolutos, os maiores acréscimos aparecem entre patrimônios que já estavam na casa dos milhões. Issy Quinan passou de R$ 5,07 milhões para R$ 15,87 milhões, diferença de aproximadamente R$ 10,8 milhões. Lucas do Vale acrescentou R$ 7,6 milhões ao patrimônio declarado, que chegou a R$ 11,95 milhões. George Morais registrou aumento de R$ 6,52 milhões.
Também tiveram crescimento nominal superior a R$ 1 milhão Julio Pina, Coronel Adailton, Amauri Ribeiro, Cairo Salim, Karlos Cabral, Rubens Marques e Dra. Zeli. Os aumentos variam de cerca de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões.
Terra, imóveis e máquinas
A composição dos patrimônios varia conforme a atividade econômica de cada parlamentar. Entre aqueles ligados ao setor rural, terras e equipamentos ocupam parte relevante das declarações.
Issy Quinan informou um imóvel rural em Vianópolis avaliado em R$ 5,6 milhões. Sua declaração ainda reúne 25 veículos e equipamentos, entre caminhonetes e máquinas agrícolas, além de investimentos.
Amauri Ribeiro declarou R$ 2,67 milhões. A relação apresentada à Justiça Eleitoral inclui propriedades rurais em Piracanjuba, apartamento em Goiânia, terrenos, participação em chácara e recursos mantidos em instituições financeiras.
Bia de Lima informou R$ 1,2 milhão em patrimônio. Os bens incluem uma casa em Jataí avaliada em R$ 450 mil, dois apartamentos em Goiânia, um sítio em Serranópolis, terrenos em Jataí e Caldas Novas e R$ 150 mil em dinheiro em espécie.
Lincoln Tejota concentrou os R$ 1,22 milhão declarados em dois bens: um apartamento em Goiânia, avaliado em R$ 850 mil, e um veículo BMW Mini Cooper, de R$ 379 mil.
Já Cairo Salim declarou R$ 2,27 milhões distribuídos entre imóveis, investimentos, recursos bancários, participações empresariais e dinheiro em espécie. O maior item é uma quota de empreendimento imobiliário avaliada em R$ 1,18 milhão. A relação inclui ainda aplicações, terrenos e participação em apartamento.
Empresas e ativos financeiros
Participações empresariais, créditos e investimentos também representam parcelas relevantes dos bens apresentados pelos deputados.
Jamil Calife (PP), mesmo aparecendo entre os parlamentares que reduziram patrimônio em relação a 2022, declarou R$ 26,64 milhões neste ano. São R$ 8,07 milhões em crédito decorrente de empréstimo, participações societárias que individualmente chegam a R$ 6,66 milhões e R$ 4,18 milhões, além de casas, investimentos, veículo e outros ativos.
No caso de George Morais, o consórcio de R$ 6,58 milhões responde sozinho por mais de três quartos dos R$ 8,61 milhões informados. Cairo Salim, por outro lado, apresenta uma carteira mais pulverizada entre imóveis, recursos financeiros e participações empresariais.
Gugu Nader declarou R$ 1,13 milhão, composto por terrenos, imóveis e créditos a receber. O tucano registra a maior variação percentual entre os deputados comparados com a eleição passada.
Outros 15 também tiveram aumento
Além dos 13 deputados que mais que dobraram os bens, outros parlamentares registraram crescimento em relação a 2022, mas abaixo de 100%.
Estão nesse grupo Amilton Filho (MDB), Anderson Teodoro (PRD), Antônio Gomide (PT), Bruno Peixoto (União Brasil), Charles Bento (MDB), Cristóvão Tormin (PRD), Delegado Eduardo Prado (PL), Gustavo Sebba (PSDB), Lineu Olimpio (MDB), Major Araújo (PL), Mauro Rubem (PT), Paulo Cezar Martins (MDB), Rosângela Rezende (Agir), Rubens Marques (PSB) e Vivian Naves (Republicanos).
Cristiano Galindo (Solidariedade) e Ricardo Quirino (Republicanos) também aparecem com valores superiores aos de 2022. Os dois não haviam informado bens naquela eleição. Neste ano, Galindo declarou aproximadamente R$ 764 mil, enquanto Quirino apresentou R$ 30,9 mil.
Com os dois casos, são 30 parlamentares com aumento no valor declarado entre as duas eleições.
Oito declaram patrimônio menor
Na direção oposta, oito deputados apresentaram à Justiça Eleitoral patrimônio inferior ao informado quatro anos atrás.
A lista reúne Jamil Calife (PP), André do Premium (União Brasil), Alessandro Moreira (PRD), Clécio Alves (PSDB), José Machado (PSDB), Lucas Calil (PRD), Virmondes Cruvinel (União Brasil) e Wagner Camargo Neto (Solidariedade).
A maior redução em valores absolutos é a de Jamil Calife, com cerca de R$ 4,69 milhões a menos em relação a 2022. Mesmo com a queda, ele declarou R$ 26,64 milhões em 2026.
Proporcionalmente, a maior retração aparece na declaração de Wagner Camargo Neto, com diminuição de 56,52% no patrimônio informado à Justiça Eleitoral.
Três parlamentares apresentaram exatamente o mesmo total registrado quatro anos atrás: Talles Barreto (União Brasil), Veter Martins (PSB) e Wilde Cambão (União Brasil).
As declarações entregues ao TSE não representam necessariamente o valor de mercado atual dos bens. Imóveis e outros ativos podem continuar registrados pelo custo de aquisição ou por valores utilizados em declarações anteriores. A relação também é apresentada pelos próprios candidatos no processo de registro eleitoral.













