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Etanol cai ao menor preço em dois anos, fica ainda mais vantajoso que gasolina, mas pode não ser um bom sinal

Preço baixo alivia o bolso agora, mas pode elevar a procura pelo biocombustível e provocar uma nova pressão sobre os valores nos postos


Por Carlos Nathan Sampaio em 21/08/2026 - 10:42

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(Foto: Reprodução)

O etanol atingiu o menor preço médio nacional em pouco mais de dois anos e ampliou a vantagem sobre a gasolina para os proprietários de veículos flex. A queda representa economia imediata no abastecimento, mas especialistas alertam que o cenário pode não durar: quanto mais motoristas migram para o biocombustível, maior fica a demanda, o que pode pressionar os preços novamente caso a oferta não cresça no mesmo ritmo.

Na segunda semana de agosto, o litro do etanol foi comercializado, em média, por R$ 4,02 no Brasil. O valor é o menor desde a primeira semana de julho de 2024, quando a média estava em R$ 3,95.

Os dados são do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, elaborado com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), e consideram a semana encerrada em 15 de agosto.

Na comparação com a última semana de julho, o etanol caiu de R$ 4,11 para R$ 4,02 por litro, redução de 2,03%. Desde a semana encerrada em 31 de março, quando custava aproximadamente R$ 4,80, o recuo acumulado chegou a 16,2%.

A gasolina comum também ficou mais barata, mas em menor intensidade. O preço médio caiu de R$ 6,68 para R$ 6,65 por litro, diminuição de 0,43%. O diesel S-10 passou de R$ 6,97 para R$ 6,92, queda de 0,69%.

Por que o preço pode voltar a subir?

A redução mais acentuada do etanol fez com que o biocombustível passasse a representar 64,4% do valor da gasolina, ante 65,2% no fim de julho. Pelo critério utilizado pelo levantamento, uma proporção inferior a 70% indica que abastecer com etanol é financeiramente mais vantajoso, considerando a diferença de rendimento entre os combustíveis.

Essa vantagem tende a levar mais consumidores com carros flex a escolherem o etanol. O aumento da procura, porém, pode provocar uma reação no próprio mercado: se a produção e os estoques não forem suficientes para acompanhar o consumo, os preços voltam a subir e a diferença em relação à gasolina diminui.

Esse movimento já foi observado em outros períodos. Uma análise técnica do Banco do Nordeste aponta que, em ciclos anteriores, a maior competitividade do etanol aqueceu a demanda e favoreceu a recuperação dos preços. Isso significa que a queda atual não é ruim para o motorista, mas pode ser temporária e não deve ser interpretada como garantia de combustível barato por um período prolongado.

A alta da demanda, entretanto, não provoca automaticamente um reajuste. O resultado também depende da quantidade disponível no mercado. A Empresa de Pesquisa Energética avalia que a boa perspectiva para a safra 2026/27 de cana-de-açúcar e o crescimento da produção de etanol de milho fortalecem a oferta nacional. Se essa produção acompanhar o avanço do consumo, a pressão sobre os preços pode ser limitada.

Diferenças entre os estados

Mato Grosso apresentou a relação mais favorável ao etanol, equivalente a 55% do preço da gasolina. Depois aparecem São Paulo, com 57,1%; Mato Grosso do Sul, com 61,4%; Paraná, com 61,8%; e Minas Gerais, com 63,5%.

São Paulo registrou o menor preço médio do biocombustível, de R$ 3,70 por litro. Mato Grosso teve média de R$ 3,77, enquanto Minas Gerais ficou em R$ 4,05. Sergipe apresentou o maior valor: R$ 5,53.

No diesel S-10, Goiás apareceu com o terceiro menor preço do país, de R$ 6,81 por litro. O estado ficou atrás apenas do Rio Grande do Sul, com R$ 6,38, e de Santa Catarina, com R$ 6,64. No Acre, onde foi encontrado o maior valor, a média chegou a R$ 8,13.

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