Plataforma reúne palavra escrita, tradução, imagens e áudios com pronúncia de falantes nativos. Brasil tem 295 línguas indígenas faladas por 391 etnias.
Mais de 400 comunidades indígenas autoidentificadas existem atualmente no Brasil, e cada uma delas tem uma língua original própria. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país possui cerca de 295 línguas indígenas faladas por 391 etnias diferentes. Muitas dessas línguas, no entanto, contam com poucos falantes e correm o risco de desaparecer em poucas gerações.
Pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), em parceria com comunidades indígenas da Amazônia, criaram os Dicionários Multimídia para Línguas Indígenas para enfrentar esse cenário. A ferramenta atua diretamente no registro histórico, na preservação da memória e no fortalecimento das identidades dessas comunidades.
A tecnologia reúne em um único espaço virtual os dicionários de diversas línguas indígenas. A estrutura alia a palavra escrita, a tradução em português, imagens e áudios com a pronúncia de falantes nativos. A plataforma permite pesquisar, comparar diferentes idiomas e aproximar o vasto patrimônio cultural e linguístico tanto das próprias comunidades quanto da sociedade brasileira como um todo.
Os dicionários foram desenvolvidos para atender a uma demanda social e para valorizar a memória, a identidade e a cultura dos povos originários. O projeto integra o programa Novo Seculo, liderado pelo MPEG, e está disponível na plataforma do Dicionário Multimídia no site do Museu do Índio.
A iniciativa surgiu em um cenário crítico em que muitas línguas indígenas contam com poucos falantes e correm o risco de desaparecer em poucas gerações. Por isso, a ferramenta atua diretamente no registro histórico, na preservação da memória e no fortalecimento das identidades dessas comunidades.
Em 2026, a plataforma do Museu do Índio, em parceria com o MPEG, já conta com registros de seis idiomas: Mebengokre (Kayapó), do Pará; Krahô, do Tocantins; Wapichana, de Roraima; Palikur, do Amapá; e os sateré-mawé e ashaninka, ambos do Amazonas. A previsão é que novos idiomas sejam incorporados no futuro, como o Baniwa e o Tukano . O Museu Goeldi também desenvolve seus próprios dicionários, incluindo idiomas como Kanoé, Oro Win, Puruborá, Sakurabiat, Salamãi e Wanyam, em um projeto separado de documentação linguística.
O projeto teve início em 2009, com o desenvolvimento de um dicionário da língua Mebengokre. A coordenação do projeto é da pesquisadora Marília Ferreira, com curadoria de informações de dicionários etnolinguísticos e coordenação de equipes técnicas em linguística computacional.
Os dicionários multimídia não são apenas ferramentas de preservação, mas também instrumentos de fortalecimento da identidade cultural. Para as comunidades indígenas, a língua é uma base de troca de identidade cultural entre comunidades, que atravessa gerações e possibilita o compartilhamento de costumes, crenças e pensamentos.
O linguista e coordenador do Dicionário Multimídia do Museu do Índio, Arnaldo Alves, afirma que a plataforma é uma ferramenta de resistência linguística e faz parte de uma política de fortalecimento das identidades étnicas. Ele ressalta que as pesquisas e a elaboração dos dicionários só foram possíveis graças à colaboração com as comunidades indígenas .
Os dicionários multimídia para línguas indígenas estão disponíveis gratuitamente na plataforma do Museu do Índio. Qualquer pessoa pode acessar o site para conhecer os idiomas, ouvir a pronúncia de falantes nativos e aprender sobre a cultura indígena brasileira. A ferramenta é um recurso valioso para estudantes, pesquisadores e interessados na diversidade linguística do país.
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