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Candidatos de Goiás com patrimônio acima de R$ 500 mil recebem benefícios sociais, aponta levantamento do Estadão

Reportagem cruzou dados do TSE, Bolsa Família e Gás do Povo; dois candidatos goianos responderam ao jornal e explicaram a situação patrimonial


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 25/08/2026 - 13:08

Candidatos de Goiás com patrimônio acima de R$ 500 mil recebem benefícios sociais, aponta levantamento do Estadão
Candidatos de Goiás com patrimônio acima de R$ 500 mil recebem benefícios sociais, aponta levantamento do Estadão

Um levantamento exclusivo do Estadão identificou candidatos às eleições de 2026 que declararam patrimônio superior a R$ 500 mil à Justiça Eleitoral e, ao mesmo tempo, aparecem como beneficiários de programas sociais do governo federal. Entre os nomes encontrados estão três candidatos de Goiás, segundo o cruzamento de dados realizado pelo jornal.

A reportagem, publicada em 24 de agosto, analisou informações de candidatos registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e cruzou os dados com pagamentos do Bolsa Família, do Gás do Povo e de programas anteriores, como os auxílios Brasil e Emergencial.

O Estadão ressalta que o recebimento de benefício social não é automaticamente incompatível com a existência de patrimônio. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o critério principal para o Bolsa Família é a renda familiar, e não simplesmente o valor dos bens declarados.

Candidatos de Goiás aparecem entre os beneficiários

O caso de maior patrimônio identificado entre os candidatos beneficiários é o do candidato a deputado estadual de Goiás Sérgio Francisco (DC). Conforme os dados levantados pelo Estadão, ele declarou R$ 1,2 milhão em bens, incluindo imóveis, terrenos e veículos. O valor o coloca como o candidato com maior patrimônio entre os beneficiários encontrados pela reportagem.

Sérgio Francisco recebeu R$ 24 mil do Bolsa Família e do Auxílio Emergencial em períodos distintos. Segundo o levantamento, os pagamentos ocorreram entre abril e dezembro de 2020 e novamente de outubro de 2023 a junho de 2026.

Ao Estadão, o candidato afirmou que já deu baixa no Bolsa Família e explicou que parte de seu patrimônio está relacionada a dois lotes que ainda são pagos de forma parcelada. “Eu sofri um acidente na época, não tinha o que comer e morava sozinho. Os lotes, eu pago as prestações. Passei por muitas dificuldades financeiras”, disse Sérgio Francisco ao jornal.

A reportagem informou que solicitou comprovantes do cancelamento do benefício, mas não havia recebido os documentos até a publicação.

Talita Lemke explica patrimônio de R$ 1,09 milhão

Também candidata por Goiás, Talita Lemke (PDT), que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados, declarou R$ 1,09 milhão em patrimônio ao TSE.

Segundo o levantamento do Estadão, ela recebeu R$ 34,5 mil do Bolsa Família e dos auxílios Brasil e Emergencial entre março de 2020 e junho de 2026. Na declaração apresentada à Justiça Eleitoral, Talita informou possuir uma propriedade rural avaliada em R$ 1 milhão e dois veículos que, juntos, somam R$ 91 mil.

Em resposta ao Estadão, Talita afirmou que é pequena produtora rural e que a propriedade onde vive com a família foi herdada dos pais. “Somos pequenos produtores rurais. Essa propriedade que nós temos, onde moramos, é uma propriedade que recebemos de herança de meus pais. Esse valor que declarei é o valor dela. Porém, como produtores rurais, não temos renda fixa. Meu esposo, além de trabalhar aqui, trabalha de diarista nas propriedades vizinhas. Vivemos da terra em si, plantando e colhendo”, afirmou ao jornal.

Adão Alves da Silva também aparece no levantamento

O terceiro candidato de Goiás identificado pelo levantamento é Adão Alves da Silva (PSB), candidato a deputado estadual.

Ele declarou ao TSE R$ 545 mil em patrimônio e, de acordo com os dados analisados pelo Estadão, recebeu R$ 38,2 mil do Bolsa Família em diferentes períodos desde abril de 2020.

Diferentemente de Sérgio Francisco e Talita Lemke, Adão Alves da Silva não respondeu aos questionamentos do Estadão até a publicação da reportagem. O jornal informou que todos os candidatos identificados foram procurados.

O que diz o governo sobre patrimônio e Bolsa Família

Segundo o MDS, o Bolsa Família é destinado a famílias em situação de pobreza, com renda per capita de até R$ 218 por mês. Já o Gás do Povo atende famílias com renda de até meio salário mínimo por pessoa. É necessário também manter os dados atualizados no Cadastro Único. O ministério esclareceu ao Estadão que não existe uma regra que estabeleça um limite patrimonial para os beneficiários.

A pasta, porém, afirmou que informações sobre patrimônio podem ser utilizadas junto com outros dados para identificar possíveis inconsistências cadastrais ou indícios de subdeclaração de renda.

O governo informou ainda que está apurando os casos apontados pela reportagem. Se forem confirmadas irregularidades, os beneficiários podem ter os pagamentos interrompidos, além de serem obrigados a devolver os valores recebidos e ficar impedidos de receber o Bolsa Família por cinco anos.

Levantamento identificou 777 candidatos beneficiários

De acordo com a metodologia apresentada pelo Estadão, foram analisados os dados dos 20.607 candidatos registrados nas eleições de 2026 e cruzados os nomes com microdados de pagamentos do Bolsa Família e do Gás do Povo.

O cruzamento encontrou 492 candidatos que receberam Bolsa Família e outros 285 que aparecem como beneficiários do Gás do Povo. Entre eles, três declararam patrimônio igual ou superior a R$ 1 milhão e outros sete informaram bens acima de R$ 500 mil.

O Estadão destacou que a presença de um candidato na base de beneficiários não significa, por si só, que tenha cometido irregularidade. A situação depende da análise das condições de renda, do cadastro e das demais informações utilizadas pelo governo na concessão dos programas.

Fonte: Estadão.

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