Os 10% mais ricos concentram 40,3% da renda no Brasil; desigualdade racial mantém negros na base da pirâmide, aponta IBGE. Enquanto 10% mais ricos são majoritariamente brancos, a base da pirâmide é composta por 80% de negros.
A lista da Forbes divulgada nesta quinta-feira (27) mostra que os 255 bilionários brasileiros acumulam R$ 1,86 trilhão em patrimônio. O cofundador do Facebook, Eduardo Saverin, lidera o ranking pelo terceiro ano consecutivo, com R$ 162,9 bilhões. Em segundo lugar aparece Vicky Safra, herdeira do Banco Safra, com R$ 130,6 bilhões, seguida por Jorge Paulo Lemann, com R$ 103,5 bilhões.
Confira os 10 brasileiros mais ricos em 2026
Eduardo Saverin (Meta/Facebook) — R$ 162,9 bilhões
Vicky Safra e família — R$ 130,6 bilhões
Jorge Paulo Lemann e família (3G Capital/AB InBev) — R$ 103,5 bilhões
André Esteves (BTG Pactual) — R$ 66,1 bilhões
Fernando Roberto Moreira Salles (Itaú Unibanco/CBMM) — R$ 50,3 bilhões
Pedro Moreira Salles (Itaú Unibanco/CBMM) — R$ 46,6 bilhões
Max Van Hoegaerden Herrmann Telles (3G Capital/AB InBev) — R$ 38,8 bilhões
Miguel Krigsner (O Boticário) — R$ 35,7 bilhões
Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família (AB InBev/3G Capital) — R$ 35,4 bilhões
Ricardo Castellar de Faria (Granja Faria) — R$ 35,1 bilhões
Os três primeiros colocados concentram, sozinhos, R$ 397 bilhões. Para efeito de comparação, Saverin possui patrimônio quase cinco vezes maior que o do décimo colocado, Ricardo Castellar de Faria.
Entre os dez primeiros aparecem fortunas construídas em diferentes setores, da tecnologia ao mercado financeiro, passando por bebidas, mineração, cosméticos e agronegócio. André Esteves, fundador e principal acionista do BTG Pactual, ocupa a quarta colocação, com R$ 66,1 bilhões. Na sequência aparecem os irmãos Fernando e Pedro Moreira Salles, ligados ao Itaú Unibanco e à CBMM, com R$ 50,3 bilhões e R$ 46,6 bilhões, respectivamente. Miguel Krigsner, fundador do Grupo Boticário, aparece em oitavo, com patrimônio estimado em R$ 35,7 bilhões. Carlos Alberto Sicupira e família estão logo atrás, com R$ 35,4 bilhões, enquanto Ricardo Castellar de Faria fecha o Top 10 com R$ 35,1 bilhões.
Os dez primeiros colocados concentram, sozinhos, R$ 397 bilhões. Saverin possui patrimônio quase cinco vezes maior que o do décimo colocado, Ricardo Castellar de Faria, que tem R$ 35,1 bilhões. Os setores que mais geraram fortuna entre os bilionários brasileiros são tecnologia, bancos, bebidas e investimentos, mineração, cosméticos e agronegócio.
Qual cor esse negócio tem?
Enquanto isso, os 10% mais ricos do Brasil concentram 40,3% de toda a renda nacional, segundo dados da Pnad Contínua de 2025 divulgados pelo IBGE. Isso significa que um grupo de 21,2 milhões de pessoas detém uma fatia maior do que a soma dos rendimentos dos 70% que menos ganham. O rendimento médio mensal per capita desse grupo foi estimado em R$ 9.117, o que equivale a 13,8 vezes a renda dos 40% mais pobres (R$ 663).
Para estar entre os 10% mais ricos, bastou, em 2025, uma renda média mensal de R$ 3.590 por pessoa. Enquanto isso, na base da pirâmide, os 5% mais pobres sobrevivem com uma renda média de apenas R$ 166 por mês, e a metade mais pobre da população (106 milhões de pessoas) divide apenas 9,3% da renda nacional.
Os números, no entanto, não são uniformes quando recortados por raça. Dados do Ipea mostram que, em 2022, a pobreza no Brasil tinha cor: a renda das pessoas brancas era, em média, 87% maior que a das pessoas negras, e a maior distância se dava entre mulheres negras e homens brancos. Enquanto os 10% mais pobres são compostos majoritariamente por negros (80%), os 10% mais ricos são majoritariamente brancos (70%). A desigualdade racial, portanto, não é um desdobramento acidental da pobreza, mas uma de suas estruturas fundamentais.
Apesar da melhora recente em indicadores como o índice de Gini, a concentração de renda no topo segue como um traço estruturante da sociedade brasileira. Em 2025, a renda dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, enquanto a dos 10% mais pobres avançou apenas 3,1%. O fosso entre os que estão no topo e os que estão na base é tanto uma questão de números como também de acesso a direitos, oportunidades e poder, e a cor da pele segue sendo um dos principais determinantes dessa distância.
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