Explosão de túneis do Hezbollah usou mais de 1.100 toneladas de explosivos e foi sentida por moradores a quilômetros de distância. Relatora da ONU acusa Israel de genocídio e diz que mais de 21 mil crianças palestinas foram assassinadas em mil dias de guerra.
Um ataque de Israel contra uma base subterrânea do Hezbollah no sul do Líbano provocou um terremoto de magnitude 4,1 nesta quinta-feira (10). A explosão, que utilizou mais de 1.100 toneladas de explosivos, foi registrada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) e sentida por moradores em várias cidades da região.
O tremor ocorreu por volta das 18h08, no horário local, a uma profundidade de 10 quilômetros. Não há relatos de danos materiais significativos ou vítimas relacionados ao abalo sísmico.
Moradores relataram a intensidade do tremor. “Nós estávamos sentados e tudo tremeu”, disse à AFP Joelle Fares, que se mudou recentemente para Majayoun, a cerca de cinco quilômetros da colina.
Relatora da ONU acusa Israel de genocídio e denuncia 21 mil crianças mortas
No mesmo dia, a relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os territórios palestinos ocupados, Francesca Albanese, afirmou que mais de 21 mil crianças palestinas foram assassinadas em Gaza em pouco mais de mil dias de guerra. A declaração foi feita em entrevista ao canal RT, divulgada nesta quinta-feira.
“Em aproximadamente mil dias, foram assassinadas mais de 21 mil crianças só em Gaza. Por isso houve uma necessidade de deixar de falar de Gaza, e claramente, grande parte da imprensa ocidental, que lamentavelmente cria zonas de influência, inclusive fora do Ocidente, é conivente com isso”, afirmou Albanese.
A relatora da ONU descreveu as ações de Israel em Gaza como genocídio. “Os palestinos foram reduzidos a uma massa amorfa. Não importa quem seja o alvo: crianças, mulheres, idosos, deficientes, pacientes, recém-nascidos em incubadoras. Eles são mortos por serem palestinos”, denunciou.
Albanese lembrou que, em relatório publicado em março de 2024, identificou ao menos três situações que podem ser categorizadas como genocídio: o assassinato de 30 mil pessoas em cinco meses, os casos de tortura e a destruição de infraestrutura vital para a população local.
A organização Save the Children também confirmou que pelo menos 21 mil crianças foram mortas em Gaza durante os mil dias de guerra, embora o número real possa ser maior, já que muitas permanecem sob os escombros. A ONU estima que mais de 800 mil crianças, cerca de 80% da população infantil de Gaza, foram deslocadas, e 625 mil crianças em idade escolar perderam três anos de educação formal.
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