A maioria dos eleitores afirma que a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) não alterou sua escolha para a Presidência da República. Pesquisa Datafolha divulgada no sábado (12) mostra que 85% mantiveram a preferência diante das revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. No caso das suspeitas sobre o ministro André Mendonça, o percentual foi de 86%.
Questionados sobre as mensagens entre Moraes e o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, outros 7% disseram que não trocaram de candidato, mas ficaram em dúvida sobre a escolha. Os que afirmaram ter mudado o voto somaram 4%, mesmo percentual dos que não souberam responder.
Na pergunta sobre o pedido de investigação contra Mendonça por supostos vazamentos seletivos das apurações sobre o Master, 7% também relataram dúvidas, sem mudança de preferência. Outros 2% disseram ter alterado o voto, enquanto 4% não souberam responder.
Conhecimento da crise
O levantamento mostra que a manutenção da escolha eleitoral convive com o conhecimento dos episódios. Entre os entrevistados, 66% disseram saber do caso envolvendo Moraes e Vorcaro. Já as suspeitas relacionadas à atuação de Mendonça eram conhecidas por 45%.
No episódio de Moraes, o conhecimento era maior entre os eleitores do senador Flávio Bolsonaro (PL): 75% afirmaram saber do assunto. Entre os que declararam voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o índice foi de 61%.
A ausência de mudança no voto também não significa aprovação do tribunal. Em outro recorte da pesquisa, 76% avaliaram que os ministros têm poder excessivo. Ao mesmo tempo, 71% consideraram o Supremo essencial para a democracia e 77% disseram que a população acredita menos na Corte hoje do que no passado.
Entrevistas terminaram antes do fim de semana
O período de coleta impõe um limite à leitura dos resultados. As entrevistas ocorreram entre 8 e 10 de setembro. Portanto, as respostas não medem a reação às revelações posteriores à quinta-feira, inclusive aos desdobramentos do fim de semana. O levantamento registra o efeito declarado pelos eleitores até aquele momento, não uma garantia de que a crise deixará de influenciar a campanha.
O Datafolha ouviu 2.002 eleitores em 125 cidades. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Encomendada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-01833/2026.











