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Centro-Oeste terá reforço do SUS contra incêndios e calor extremo com El Niño

Ministério da Saúde reforça assistência no Centro-Oeste com 212 UBS resilientes, 367 ambulâncias e base da Força Nacional do SUS em Campo Grande


Fábio Prado Por Fábio Prado em 16/09/2026 - 19:30

16.09.2026 Rio de Janeiro (RJ) - Coletiva de Imprensa - El Niño. Fotos: Walterson Rosa (MS)
16.09.2026 Rio de Janeiro (RJ) - Coletiva de Imprensa - El Niño. Foto: Walterson Rosa (MS)

Ministério da Saúde anuncia 212 UBS resilientes, 367 ambulâncias e 79 soluções de água potável para a região. Força Nacional do SUS terá base em Campo Grande e centro de monitoramento em Cuiabá.

O Ministério da Saúde anunciou um conjunto de medidas para fortalecer a assistência à saúde no Centro-Oeste diante do risco de incêndios florestais e calor intenso. O cenário foi apresentado nesta quarta-feira (16), durante coletiva de imprensa com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, técnicos da pasta e representantes da Fiocruz.

O El Niño está em nível forte, com alta probabilidade de chegar a muito forte em setembro e se estender até março de 2027. No Centro-Oeste, o fenômeno reduz o volume de chuvas e intensifica o calor, ampliando o risco de incêndios florestais e comprometendo o acesso à água potável em algumas localidades.

Para a região, a expectativa é de ausência de chuvas, calor intenso e estiagem ao longo de todo o período crítico. Esse cenário pode provocar impactos na saúde como estresse térmico, problemas cardiorrespiratórios causados pela fumaça das queimadas, acidentes durante o manejo do fogo e dificuldade no acesso à água potável.

Ações e investimentos no Centro-Oeste

As ações no Centro-Oeste incluem a proteção das populações mais vulneráveis, com mais 212 Unidades Básicas de Saúde (UBS) resilientes entregues e em construção no âmbito do Novo PAC. As unidades são projetadas para resistir a eventos extremos, com terrenos seguros, energia solar, geradores e reserva hídrica para até 72 horas. A região também recebeu 367 ambulâncias do SAMU e 79 soluções de água potável em áreas indígenas.

“É urgente avançar na adaptação climática porque as mudanças do clima estão afetando a saúde e levando pessoas à morte. A preparação é baseada na ciência e respeita os princípios do SUS. Uma das marcas do AdaptaSUS e do Plano de Ação de Belém é reconhecer que as mudanças climáticas impactam diretamente a saúde pública, mas seus efeitos não são iguais para toda a população”, afirmou o ministro.

Monitoramento e resposta rápida

O Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC) em Cuiabá monitora ondas de calor, incêndios florestais e qualidade do ar para orientar gestores locais na preparação da rede pública. As informações também são acompanhadas por meio do Painel de Poluição Atmosférica e Saúde Humana e de informes de queimadas com orientações à população.

Essa estratégia apoia a atuação da Força Nacional do SUS, que conta com a sede em Brasília e uma base regional em implantação em Campo Grande. Quando a infraestrutura física de saúde local é comprometida, a Força Nacional atua com a substituição ágil por unidades móveis e modulares, além de logística coordenada para o envio de kits de medicamentos de urgência e insumos de purificação de água.

“As bases da Força Nacional do SUS não só aumentam a nossa capacidade quantitativa de responder, porque a gente faz com que em 12 horas cheguem mais profissionais ao local de emergência sanitária, mas também a capacidade qualitativa, porque esses profissionais ficam permanentemente ali no território, têm mais relação com o gestor local, com a realidade local”, destacou o ministro durante a coletiva.

As bases já em funcionamento, como a do Rio de Janeiro, têm capacidade de deslocamento inicial em até 12 horas. Para a região Centro-Oeste, a expectativa é que a base de Campo Grande amplie essa capacidade de resposta à medida que a implantação avance.

Impactos regionais e previsão para os próximos meses

Segundo o ministro, cada região do país será impactada de forma diferente pelos efeitos do El Niño, tanto em tempo quanto em forma. A previsão para este ano indica aumento das chuvas na região Sul e Sudeste, com risco de enchentes e deslizamentos. Para a Amazônia, a expectativa é de aumento da seca, com impacto na oferta de água e na logística de deslocamento da área da saúde.

Para o próximo ano, a previsão indica seca no semiárido do Nordeste, queimadas no Centro-Oeste brasileiro e aumento da temperatura média, podendo gerar ondas de calor em 2027.

“A preocupação é muito grande no cuidado aos idosos, com o calor extremo e o aumento da temperatura média, para que a gente possa proteger a nossa população”, afirmou Padilha.

AdaptaSUS e protocolo de calor extremo

As medidas integram o AdaptaSUS, plano do Ministério da Saúde apresentado na COP30 para adaptar a rede pública às mudanças do clima e fortalecer a proteção das populações mais vulneráveis. A iniciativa prevê 27 metas, 93 ações e investimento de R$ 9,8 bilhões, com planejamento até 2035.

O Ministério da Saúde também conta com o Protocolo Nacional de Calor Extremo, inspirado em experiências do Rio de Janeiro e internacionais. O documento está disponível no aplicativo Meu SUS Digital e traz orientações para profissionais de saúde e famílias sobre como agir durante ondas de calor.

A população pode acessar o Protocolo Nacional de Calor Extremo pelo aplicativo Meu SUS Digital. Em caso de sintomas como tontura, náusea, fraqueza intensa ou dificuldade para respirar durante períodos de calor extremo ou queimadas, a orientação é procurar uma unidade de saúde. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas são os grupos mais vulneráveis. Denúncias de queimadas podem ser feitas ao Ibama pelo telefone 0800 061 8080 ou à Defesa Civil pelo 199.

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