Primeiras estruturas serão instaladas no cruzamento das Ruas 3 e 4 e servirão de teste para um programa que busca reduzir alagamentos e ampliar a drenagem urbana. Projetos executivos ainda estão em elaboração, e não há prazo nem custo definidos.
O Setor Oeste será o primeiro bairro de Goiânia a receber o projeto-piloto do novo plano de jardins de chuva da Prefeitura. A Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) estuda instalar duas estruturas no cruzamento das Ruas 3 e 4, uma na rotatória e outra em um canteiro com faixa zebrada. A iniciativa servirá de teste para um programa que prevê 368 unidades na capital.
O projeto arquitetônico das duas primeiras estruturas já foi concluído. Os projetos executivos, no entanto, permanecem em elaboração. Ainda não há estimativa de custo nem prazo para o início das obras. Segundo a Amma, a execução dependerá da conclusão dessa etapa técnica.
Escolha do local considerou relevo e pontos de alagamento
A escolha do cruzamento das Ruas 3 e 4 considerou o relevo, a inclinação das vias e o percurso feito pela água durante as chuvas. O estudo também avaliou a proximidade das galerias pluviais, as áreas disponíveis para receber o volume das precipitações e a existência de pontos de alagamento e erosão.
Além dos dois jardins, a proposta prevê quatro grelhas para captação de água e quatro faixas de pedestres. O estudo identificou que um dos rebaixamentos de calçada destinado à acessibilidade coincide com uma área onde a água se acumula durante as chuvas. A situação poderá exigir mudança na posição do acesso ou adequação da estrutura ao jardim.
“Fica nítido, como observado no local, que o rebaixamento da calçada para acesso de cadeirantes e deficientes físicos fica localizado exatamente onde a água da chuva fica empoçada, proporcionando dificuldades aos usuários. Contudo, essa poça de água sinaliza o local em que a água da chuva é encaminhada conforme o relevo, propiciando a instalação do jardim de chuva. Nesse caso, duas ações podem ser feitas: mudança da localização do rebaixamento e melhoramento do acesso no projeto do jardim de chuva”, diz o estudo.
Como funcionam os jardins de chuva
Os jardins são projetados para captar parte da água que escoa pelas ruas, permitir sua infiltração no solo e reter sedimentos antes que o volume alcance a rede convencional de drenagem .
“Eles terão importante função ambiental, pois atuarão como uma espécie de esponja natural, capaz de captar, reter e filtrar a água da chuva, contribuindo para reduzir os impactos da impermeabilização do solo nas áreas urbanas”, explicou a Amma, em nota. A vegetação também integra o sistema por auxiliar na retenção de sedimentos e na filtragem da água.
Outros pontos podem receber estruturas
Um parecer da Gerência de Gestão Territorial e Mobilidade da Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo Estratégico identificou acúmulo de água no cruzamento das Ruas 2 e 3. Segundo relatos de moradores registrados no documento, em períodos de chuva a água chega “até quase ao meio da via (Rua 2)”. A área poderá receber outro jardim e estruturas de drenagem.
O planejamento prevê distribuir os jardins pelas Zonas de Desenvolvimento Sustentável (ZDSs) relacionadas aos parques Areião, Vaca Brava, Lago das Rosas, Bosque dos Buritis, Botafogo, Flamboyant, Jardim Botânico e Serrinha. A proposta busca incorporar soluções de drenagem às áreas urbanizadas próximas a esses espaços .
Histórico e financiamento
Goiânia já teve uma iniciativa semelhante. Em fevereiro de 2019, a prefeitura começou a instalar quatro jardins de chuva no Setor Leste Universitário e anunciou a intenção de chegar a 350 unidades. Até o encerramento da gestão do ex-prefeito Iris Rezende (MDB), pelo menos 17 estruturas haviam sido implantadas.
A atual administração pretende buscar recursos de uma operação de crédito de até R$ 590 milhões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar parte das intervenções previstas na cidade. Desse montante, até R$ 50 milhões seriam destinados às chamadas Soluções Baseadas na Natureza, grupo no qual estão incluídos jardins de chuva, corredores verdes e ações de arborização. A operação ainda depende de análise legislativa.
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