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Daniel dispara, Wilder cresce e Marconi sente a pressão: o que revela a nova Quaest em Goiás


Rodrigo Zani Por Rodrigo Zani em 25/09/2026 - 10:45

Daniel tem 45,1%, Marconi, 23,2%, e Wilder, 15%, aponta Paraná Pesquisas
Quaest: Daniel avançou de forma expressiva. Marconi oscilou para baixo. Wilder cresceu. (Foto | Montagem: Tribuna do Planalto)

Desde que a primeira pesquisa Genial / Quaest desta campanha foi publicada em Goiás, decidi utilizá-la como uma espécie de termômetro para acompanhar o comportamento do eleitor diante da disputa pelo Governo do Estado.

Isso não significa desconsiderar os demais institutos. Toda pesquisa eleitoral séria merece respeito, especialmente quando segue metodologia transparente, apresenta amostra adequada e está registrada na Justiça Eleitoral. Mas, para esta coluna, optei por acompanhar a evolução da Quaest rodada após rodada, justamente para observar não apenas a fotografia de um determinado momento, mas também o movimento dos números.

E a segunda rodada do período eleitoral, divulgada nesta quinta-feira, 24 de setembro, é bastante esclarecedora.

Vamos aos fatos, sem predileções políticas.

Na pesquisa de 27 de agosto, Daniel Vilela aparecia com 37%, Marconi Perillo com 20% e Wilder Morais com 12%.

Agora, na nova rodada, Daniel chegou a 42%, Marconi caiu para 19% e Wilder avançou para 15%.

A movimentação é objetiva: Daniel ganhou 5 pontos percentuais; Marconi perdeu 1; e Wilder ganhou 3.

É importante fazer uma ressalva técnica: com margem de erro de 3 pontos percentuais, não seria correto tratar cada oscilação isoladamente como uma mudança estatisticamente comprovada. Mas, politicamente, a direção dos movimentos merece atenção.

Daniel avançou de forma expressiva. Marconi oscilou para baixo. Wilder cresceu.

E existe outro dado que chama atenção: a distância entre Daniel e o segundo colocado passou de 17 pontos, em agosto, para 23 pontos agora. Ao mesmo tempo, a distância entre Marconi e Wilder, que era de 8 pontos, caiu para apenas 4.

É aqui que a pesquisa começa a produzir uma leitura política interessante.

Daniel Vilela não apenas permanece na liderança. Ele amplia sua vantagem e chega a 42%.

Isso significa que, nesta fotografia eleitoral, o governador se encontra em uma posição de predominância no primeiro turno. O dado precisa ser lido juntamente com outro elemento: sua aprovação também aparece elevada na pesquisa de setembro, o que ajuda a compreender por que a candidatura governista mantém capacidade de expansão.

Mas há uma questão política ainda mais interessante.

Quando olhamos para a disputa presidencial dentro de Goiás, encontramos uma mudança importante em relação à fotografia de agosto.

Na rodada de agosto da Quaest, Ronaldo Caiado tinha 33%, contra 27% de Flávio Bolsonaro e 23% de Lula entre os eleitores goianos. Em setembro, Flávio passou a 33%, Lula chegou a 27% e Caiado caiu para 23%.

Ou seja: o ex-governador, que chegou a liderar com folga esse recorte estadual na pesquisa anterior, perdeu espaço justamente na reta final.

Isso ajuda a compreender uma transformação política que pode estar acontecendo em Goiás: Daniel Vilela parece ter adquirido uma dimensão eleitoral própria.

A candidatura que nasceu sob a forte influência política de Ronaldo Caiado já não depende necessariamente da mesma forma da imagem do ex-governador.

Daniel foi vice de Caiado, assumiu o Governo após sua saída e agora disputa a própria permanência no Palácio das Esmeraldas. Os números sugerem que uma parcela relevante do eleitorado passou a enxergá-lo não apenas como continuidade de Caiado, mas como um candidato com identidade própria.

Eu arriscaria uma interpretação política: hoje, a relação eleitoral entre Caiado e Daniel parece menos assimétrica do que no início da caminhada. Em determinados segmentos, pode ser que a força eleitoral de Daniel já seja tão relevante para a manutenção do projeto político do grupo quanto a força de Caiado é para Daniel.

É uma mudança importante de eixo.

E Wilder?

Se há um personagem que merece atenção especial nesta segunda rodada, é Wilder Morais.

O senador saiu de 12% para 15%. Mais do que os três pontos de crescimento, chama atenção a redução da distância para Marconi: de oito para quatro pontos.

Isso coloca o candidato do PL no centro da disputa pela segunda colocação.

E aqui entra um componente que não aparece completamente nas tabelas de intenção de voto: a dinâmica política da reta final.

O PL passou a atuar de maneira mais coordenada em Goiás, enquanto Flávio Bolsonaro ganhou força no eleitorado goiano e aparece agora numericamente na liderança da disputa presidencial no Estado, com 33%.

A presença de Flávio em Goiás na reta final, caso efetivamente se confirme, poderá oferecer ao candidato do PL um ativo político adicional: a nacionalização da disputa estadual.

Mas é preciso separar duas coisas.

Uma coisa é o crescimento de Wilder registrado pela pesquisa.

Outra é concluir que esse crescimento necessariamente continuará.

A pesquisa mostra o movimento até aqui. A campanha é que dirá se ele terá capacidade de transformá-lo em uma tendência mais consistente.

Marconi Perillo continua sendo um personagem central desta eleição.

Seu percentual de 19% ainda o coloca numericamente à frente de Wilder. Portanto, seria precipitado falar em perda da segunda colocação.

Mas a direção do movimento precisa ser considerada.

Marconi tinha 20% em agosto e aparece agora com 19%. Wilder tinha 12% e chegou a 15%.

É uma diferença pequena em termos estatísticos, mas politicamente relevante porque acontece justamente quando a campanha entra em sua fase decisiva.

Além disso, a candidatura tucana enfrenta problemas nas chapas proporcionais e episódios que geram desgaste político. O conflito envolvendo Felipe Cecílio e o professor Alcides, por exemplo, atingiu o ambiente do PSDB em um momento particularmente delicado da campanha.

Não estou dizendo que esse episódio, isoladamente, explica o resultado da pesquisa. A própria Quaest ainda não captou os possíveis efeitos políticos desse episódio, e, portanto, ainda não sabemos qual foi — ou se houve — a dimensão do desgaste provocado por essa crise. O que podemos afirmar é que o episódio ocorreu em um momento particularmente sensível da campanha e que seus eventuais impactos sobre a candidatura de Marconi ainda precisarão aparecer nas próximas pesquisas. Mas campanha eleitoral também é ambiente, clima, narrativa e percepção.

E, nesse aspecto, o PSDB parece ter sangrado em uma hora em que precisava concentrar energia na candidatura majoritária.

Tenho respeito pela trajetória política de Marconi Perillo e reconheço sua capacidade de resistência eleitoral. Quem conhece a política de Goiás sabe que seria um erro subestimar sua capacidade de reação.

Mas análise política também exige reconhecer os fatos quando eles aparecem.

E, neste momento, os fatos mostram que Marconi precisa interromper a trajetória descendente, enquanto Wilder tenta transformar crescimento em ultrapassagem.

A grande questão que a Quaest coloca sobre a mesa não é mais apenas se Daniel chegará em primeiro.

É quem estará em segundo.

Daniel abriu uma vantagem expressiva e, neste momento, ocupa o centro da disputa.

A briga pelo segundo lugar, entretanto, ficou muito mais apertada.

Marconi tem 19%.

Wilder tem 15%.

A diferença é de apenas quatro pontos percentuais.

E é justamente nessa distância que pode estar concentrada a maior disputa da reta final.

O PL parece ter encontrado maior unidade no momento em que mais precisava dela. Flávio Bolsonaro aparece forte em Goiás. Wilder cresceu na pesquisa. Marconi oscilou negativamente.

Será suficiente para mudar a ordem?

Ainda não sabemos.

Será suficiente para impedir uma vitória de Daniel no primeiro turno?

Também não é possível afirmar.

O que os números permitem dizer é que a eleição não está congelada na segunda posição.

E talvez essa seja a principal mensagem política desta segunda rodada da Quaest.

Se este colunista que vos escreve pudesse fazer uma leitura exclusivamente a partir da evolução desses números — sem paixão política e sem torcida — eu diria que o movimento que merece maior atenção neste momento é o de Wilder Morais.

Não porque ele já tenha ultrapassado Marconi — não ultrapassou.

Não porque a pesquisa permita afirmar que chegará ao segundo turno — não permite.

Mas porque, entre os três principais candidatos, foi ele quem apresentou a segunda maior movimentação positiva, aproximando-se do segundo colocado enquanto Daniel ampliou ainda mais sua liderança.

A pergunta que fica para os próximos dias é simples:

Wilder conseguirá transformar crescimento em ultrapassagem?

E, do outro lado:

Marconi conseguirá mobilizar sua capacidade histórica de reação para preservar a segunda posição?

Enquanto isso, Daniel observa a disputa entre os dois adversários e trabalha para transformar uma liderança de primeiro turno em uma vitória definitiva.

A eleição entrou, definitivamente, em sua fase mais interessante.

Os números não encerram a disputa.

Mas começam a revelar onde ela está sendo travada.

Rodrigo Zani

É Secretário de Formação Política da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar do Brasil - UNICAFES

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