Jogador afirma ter investido cerca de R$ 10 milhões na propriedade desde 2020; advogado ligado a Flávio contesta a versão e diz que atleta comprou a área de invasores
O atacante Richarlison, do Tottenham, voltou às redes sociais nesta quarta-feira (21) para responder ao desafio feito pelo advogado Willer Tomaz, próximo do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). O jogador divulgou documentos e acusou os dois de terem tomado a posse de uma mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ).
A manifestação ocorre após Tomaz dar um prazo de 72 horas para que Richarlison comprovasse a compra do imóvel. Caso as provas fossem apresentadas, o advogado prometeu transferir os direitos sobre a propriedade ao atleta sem custos .
O investimento e a versão do jogador
Richarlison afirma que adquiriu a área em outubro de 2020, em sociedade com o ex-deputado Alencar da Silveira Júnior. Segundo o jogador, foram investidos cerca de R$ 10 milhões entre pagamento a antigos posseiros, reformas e segurança.
Desse total, R$ 4,66 milhões teriam sido destinados a indenizações pagas aos antigos ocupantes. O atleta sustenta que os acordos foram formalizados em cartório e que a Justiça do Rio de Janeiro validou sua posse .
Na publicação, Richarlison também mostrou uma mensagem que teria enviado a Flávio Bolsonaro em abril deste ano. No texto, ele cobra uma solução para o caso e diz que investiu mais de R$ 10 milhões no local .
A crítica à tramitação na SPU
O jogador questionou a diferença de velocidade entre os processos de regularização na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Segundo ele, seu pedido ficou parado por cerca de dez meses, enquanto a transferência para a empresa de Tomaz teria saído em poucos dias.
“Para eles aconteceu a mágica, foi questão de dias. A gente esperou quase um ano e não teve resposta. Eu, como cidadão brasileiro, queria saber como faz ter esses privilégios”, afirmou Richarlison no vídeo .
Reportagens apontam que o requerimento da empresa ligada ao jogador, apresentado em setembro de 2021, não foi concluído. Já o processo da WT Administração de Imóveis e Bens, ligada a Tomaz, foi encerrado em julho de 2022, com a emissão de uma certidão em modalidade especial .
O que está em disputa
A discussão envolve os direitos de ocupação de um terreno da União na Ilha Comprida, e não a propriedade privada da ilha. A área está registrada na SPU em nome da WT Administração de Imóveis e Bens desde 2022.
A disputa judicial se arrasta desde 2020 e teve decisões favoráveis à empresa ligada a Tomaz. Em 2025, o STJ manteve o entendimento, e os processos foram encerrados após desistência dos autores.
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