O alinhamento de produtores rurais à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) foi contestado por apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante encontro nesta quarta-feira (21), em Goiânia. A ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu e o produtor rural e ex-deputado constituinte Jalles Fontoura defenderam a reeleição do petista com argumentos sobre crédito, exportações e estabilidade econômica.
O ato ocorreu no Oft Alfre Hotel, no Setor Oeste, um dia depois de Flávio reunir cantores sertanejos e aliados na fazenda do senador Wilder Morais (PL), em Nerópolis. Na capital, empresários e antigos integrantes dos governos tucanos dividiram o espaço com dirigentes petistas em apoio a Lula e ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Kátia questionou os benefícios da gestão de Jair Bolsonaro para o agronegócio e atribuiu aos governos petistas medidas de incentivo à compra de máquinas e à ampliação das vendas externas. Também responsabilizou a política de juros do governo anterior pelo endividamento de produtores.
“Com Lula os produtores do agronegócio ganharam dinheiro e ampliaram seu mercado. É por isto que defendemos a sua reeleição para o Brasil continuar no rumo certo”, afirmou.
Jalles sustentou que o setor precisa de previsibilidade e avaliou que Lula e Alckmin têm experiência para conduzir o país diante das incertezas internacionais. O empresário também afirmou que conquistas da Constituição de 1988 estariam ameaçadas em um governo bolsonarista.
Apoio não muda posição do PSDB
O encontro reuniu signatários do manifesto do Centro Democrático, entre eles o ex-governador José Eliton, o ex-deputado federal Giuseppe Vecci e a ex-deputada federal Raquel Teixeira. A participação desses nomes não altera a posição oficial do PSDB goiano, cuja direção declarou apoio a Flávio.
Vice-presidente nacional da legenda, Vecci afirmou que “o PSDB de Goiás caminha com a chapa Lula e Alckmin neste segundo turno”. A declaração expressa a posição do grupo presente, mas contraria a orientação anunciada pelo diretório estadual.
Eliton, que também apoiou Lula em 2022, citou Jalles como exemplo de disposição para assumir publicamente a escolha eleitoral. “Política se faz com o bom debate entre aqueles que têm diferenças de pensamento, mas se unem em respeito à democracia e à soberania deste país”, disse.
Raquel levou à discussão sua experiência à frente das secretarias de Educação de Goiás e do Rio Grande do Sul. Segundo ela, houve valorização do setor nos governos petistas e restrição de recursos federais durante a gestão Bolsonaro. “Nenhum país do mundo se desenvolveu sem investir em ciência e educação”, afirmou.
O deputado federal Rubens Otoni (PT) lembrou que petistas e tucanos disputaram sucessivas eleições em campos opostos. Defendeu, porém, que a aliança atual preserve as diferenças entre os participantes. A ex-vice-prefeita de Goiânia Linda Monteiro, que falou pelo Cidadania, pediu mobilização nos últimos dias da campanha e vinculou seu apoio à experiência de prisão e perseguição durante a ditadura.













