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Crise no Paraguai: Banco Central intervém no Ueno Bank e bloqueia recursos de órgãos públicos e aposentados

Instituição financeira teve serviços suspensos após apresentar índice de solvência abaixo do mínimo exigido; cerca de US$ 380 milhões do Instituto de Previdência Social estão retidos, incluindo depósitos de aproximadamente 32 mil aposentados


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 03/11/2026 - 17:09

Crise no Paraguai: Banco Central intervém no Ueno Bank e bloqueia recursos de órgãos públicos e aposentados - Reprodução
Crise no Paraguai: Banco Central intervém no Ueno Bank e bloqueia recursos de órgãos públicos e aposentados - Reprodução

O Banco Central do Paraguai (BCP) determinou, por unanimidade, a abertura de um processo de resolução do Ueno Bank após identificar que o índice de solvência da instituição caiu para menos de 50% do mínimo exigido. A medida, anunciada na madrugada desta terça-feira (3), provocou a suspensão de todos os serviços bancários e deixou recursos de órgãos públicos, aposentados e milhares de clientes privados temporariamente bloqueados.

Entre os principais afetados estão o Instituto de Previdência Social (IPS), a Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) e a usina binacional de Itaipu. Segundo informações publicadas pelo portal argentino Infobae, aproximadamente US$ 380 milhões do IPS estão retidos na instituição financeira. O montante inclui depósitos relacionados a cerca de 32 mil aposentados.

Com a decisão do Banco Central, os ativos e passivos do Ueno Bank ficaram congelados até a conclusão de um levantamento financeiro que permitirá definir os valores disponíveis e os mecanismos de transferência dos recursos.

A suspensão atingiu todos os canais de atendimento. Clientes relataram dificuldades para movimentar dinheiro em caixas eletrônicos e acessar o banco pela internet. Em entrevista coletiva, a integrante da diretoria do BCP, Liana Caballero, confirmou que nenhum serviço permaneceria ativo durante o processo.

Presidente do Banco Central renuncia, mas permanece no cargo

A crise também provocou repercussões políticas por causa da trajetória de Carlos Carvallo. Antes de assumir a presidência do Banco Central, em 2023, ele comandou a Financeira Ueno, instituição que antecedeu o atual banco.

Carvallo informou que já assinou sua renúncia, mas permanecerá temporariamente no cargo para acompanhar o processo de intervenção.

Segundo o presidente do BCP, a decisão de deixar o posto foi tomada para garantir tranquilidade à instituição durante a condução dos trabalhos. No entanto, diante da crise, ele considerou necessária sua permanência para assegurar que os procedimentos ocorram de maneira adequada.

O episódio também atingiu o governo do presidente Santiago Peña. O vice-presidente Pedro Alliana colocou em pausa sua pré-candidatura presidencial pelo Partido Colorado e declarou disposição para apoiar Peña na condução da crise financeira.

 

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