O governador Daniel Vilela (MDB) prepara uma reforma administrativa para o próximo mandato, com previsão de criação de secretarias, redistribuição de atribuições entre órgãos estaduais e mudanças na composição do primeiro escalão. A reorganização deverá avançar nas próximas semanas e envolve tanto a estrutura de funcionamento do Executivo quanto a acomodação de aliados políticos após as eleições de 2026.
Entre as principais alterações em discussão estão a criação das secretarias de Minas e Energia e da Mulher, o fortalecimento da Casa Civil e a possível extinção ou transformação da Secretaria da Retomada. O governador também avalia ampliar as competências da Cultura e transferir atribuições de algumas pastas para autarquias e empresas públicas.
A proposta ainda não foi formalizada, mas a expectativa apontada por interlocutores do governo ouvidos pela Tribuna do Planalto é de que o projeto seja encaminhado à Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) ainda neste ano.
A reforma representa uma oportunidade para Daniel estabelecer uma estrutura administrativa própria, após assumir o governo em abril e conquistar a reeleição em outubro. Ao mesmo tempo, o emedebista pretende preservar políticas e integrantes da equipe herdada do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Casa Civil deve recuperar protagonismo político
Uma das principais mudanças em estudo envolve a Secretaria da Casa Civil, que poderá voltar a concentrar parte das atribuições políticas e institucionais exercidas pela Secretaria-Geral de Governo durante os oito anos da administração de Caiado.
A intenção é ampliar a participação da Casa Civil na articulação interna do Executivo e na relação institucional com outros Poderes. A mudança exigirá uma redefinição das competências das duas estruturas.
O atual secretário da Casa Civil, Bruno Belém, aparece entre os nomes com possibilidade de permanência. Já Gean Carvalho, titular da Secretaria-Geral de Governo, também é apontado como integrante que deverá continuar na equipe, embora suas futuras atribuições ainda estejam em discussão.
Nos bastidores, há especulações sobre a possibilidade de criação de uma estrutura com competências ampliadas para acomodar Gean.
Minas e Energia e Secretaria da Mulher estão entre as novidades
A criação de uma Secretaria de Minas e Energia é uma das principais propostas da reforma. A nova pasta deverá concentrar políticas relacionadas ao setor mineral e energético, com atenção especial ao potencial de exploração de terras raras em Goiás.
O ex-deputado federal Vilmar Rocha aparece entre os nomes considerados para comandar a estrutura. Outro nome mencionado nas articulações é o do ex-secretário-geral de Governo Adriano da Rocha Lima, que também poderá retornar à área de Ciência, Tecnologia e Inovação.
A criação da Secretaria da Mulher, compromisso assumido por Daniel durante a campanha eleitoral, também está prevista nas discussões. A nova estrutura deverá absorver atribuições atualmente vinculadas à Secretaria de Desenvolvimento Social, especialmente na formulação de políticas de proteção às mulheres e enfrentamento à violência.
A procuradora do Estado Valentina Jungmann, que já atua na estrutura estadual de enfrentamento à violência contra as mulheres, é apontada como possível titular.
A reorganização da área social também poderá abrir espaço para indicações políticas vinculadas à senadora eleita Gracinha Caiado (União Brasil). O atual secretário de Desenvolvimento Social, Wellington Matos, está entre os integrantes cuja permanência é considerada incerta.
Retomada pode ser extinta e Cultura ganhar novas atribuições
Criada no contexto da pandemia de Covid-19, a Secretaria da Retomada poderá ser extinta ou transformada em outra estrutura administrativa.
A avaliação discutida nos bastidores é de que parte das funções originalmente atribuídas à pasta poderá ser incorporada por outros órgãos do governo.
Em sentido contrário, a Secretaria de Cultura deverá ampliar suas responsabilidades. Entre as transferências em estudo está a Escola do Futuro de Goiás em Artes Basileu França, atualmente vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação. A mudança também envolveria a Orquestra Filarmônica de Goiás e a Orquestra Sinfônica Jovem de Goiás.
O Instituto de Educação em Artes Professor Gustav Ritter, hoje ligado à Secretaria de Educação, também poderá passar para a Cultura.
A secretária Yara Nunes aparece entre os nomes com possibilidade de permanência, mas o ex-titular da Cultura em Goiânia, Kleber Adorno, aliado histórico do ex-prefeito Iris Rezende Machado, também é mencionado nas articulações pela pasta.
Outra frente da reforma prevê transferir parte das atribuições operacionais de secretarias para autarquias e empresas estaduais, com o argumento de reduzir etapas burocráticas e dar maior agilidade à execução de projetos. Uma das áreas que poderá passar por esse processo é a Secretaria de Indústria e Comércio, em sua relação com a Invest Goiás.
Segurança, Economia e Saúde podem preservar atuais titulares
Apesar das mudanças previstas, Daniel sinaliza a intenção de manter parte da equipe responsável por áreas estratégicas da administração estadual.
O coronel Renato Brum, secretário de Segurança Pública, e Renata Lacerda Noleto, titular da Economia, aparecem entre os nomes com maiores possibilidades de permanência.
Na Saúde, Rasível dos Reis também poderá continuar, especialmente durante a transição do Hospital Estadual de Urgências de Goiás (HUGO) para uma nova unidade.
A mudança de endereço do hospital e a previsão de utilização da estrutura atual para implantação do Hospital da Mulher estão entre os projetos prioritários do próximo mandato.
A permanência de Rasível, entretanto, não é considerada definitiva. Outros nomes são mencionados nas articulações, entre eles Amanda Melo, Santos Limongi e os deputados Jamil Calife (PP) e Paulo do Vale (PSD).
Na Educação, uma mudança já anunciada é a substituição de Fátima Gavioli por José Frederico Lyra Neto, que deixa a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação para assumir a pasta.
Saneago, Goinfra e secretarias entram nas negociações políticas
A reforma também envolve a distribuição de espaços entre integrantes do MDB e partidos aliados. A presidência da Saneago é um dos cargos mais disputados. O ex-secretário municipal Agenor Mariano, próximo de Daniel Vilela, aparece entre os cotados para comandar a companhia. Ele também é lembrado para a Secretaria de Administração.
Outros nomes mencionados para a estatal são Bruno Magalhães D’Abadia, atual presidente do Ipasgo, e o ex-deputado federal Pedro Chaves.
Na infraestrutura, José Mário Schreiner é citado como possível integrante do governo, seja em uma secretaria, seja na presidência da Goinfra. A atual presidente da agência, Eliane Simonini Baltazar, também poderá permanecer. As negociações alcançam grupos políticos do interior.
Em Anápolis, aliados do prefeito Márcio Corrêa (PL) buscam ampliar a participação na estrutura estadual. A Secretaria de Indústria e Comércio aparece entre os espaços mencionados.
Já o grupo político de Rio Verde, que reúne o prefeito Wellington Carrijo e os deputados eleitos Paulo do Vale e Lucas do Vale, também deverá participar das negociações por cargos no primeiro escalão.
O vice-governador eleito Luiz do Carmo (PSD) é outro interessado na composição administrativa. Entre os espaços mencionados para indicações de seu grupo estão a GoiásFomento, a Emater e a futura Secretaria de Minas e Energia.
Na Secretaria do Entorno do Distrito Federal, a deputada federal Lêda Borges (Republicanos) e o ex-prefeito de Valparaíso de Goiás Pábio Mossoró (MDB), ambos derrotados nas eleições, aparecem como alternativas.
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