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“O clima de já ganhou não existe”, afirma Issy Quinan

Cotado para presidir a Alego, deputado defende chapa de consenso, reconhece concorrência e diz que escolha do sucessor de Bruno Peixoto cabe à Assembleia


Andréia Bahia Por Andréia Bahia em 07/11/2026 - 15:41

“O clima de já ganhou não existe”, afirma Issy Quinan - Alego
“O clima de já ganhou não existe”, afirma Issy Quinan - Alego

A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa de Goiás em 2027 já movimenta os bastidores da política estadual. Cotado para assumir o comando da Casa, o deputado Issy Quinan (MDB) defende a construção de uma chapa de consenso e afirma que ainda há espaço para diálogo com os demais postulantes. Em entrevista à Tribuna do Planalto, ele fala sobre a disputa com Virmondes Cruvinel e Lissauer Vieira, a influência política do governador Daniel Vilela nas articulações, o papel de Bruno Peixoto na sucessão e os planos para a próxima legislatura. Também comenta a relação entre o MDB e o governo estadual e defende a manutenção da possibilidade de reeleição para a presidência da Alego.

Domingos Ketelbey e Andréia Bahia

O assunto do momento são as articulações para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa. O senhor aparece como um dos principais postulantes ao cargo. Já se considera candidato à presidência? Como estão essas articulações?

Eu entendo que o processo vai se maturando na medida em que os meses avançam. Eu não digo que estamos em fase inicial, já ultrapassamos um pouco esse patamar, mas ainda existe muito caminho a ser percorrido. E o diálogo, a simplicidade, a serenidade, a sobriedade, o respeito a todos que estão envolvidos neste processo são ingredientes fundamentais para você atingir a fórmula necessária que resulte na obtenção desse objetivo de buscar o consenso, que eu acho que é o caminho mais viável para projetar a Casa num nível de harmonia, num nível de entendimento pleno e, evidentemente, fazer com que os trabalhos legislativos ocorram da maneira mais eficaz que a população espera que isso aconteça. E essa é a responsabilidade de todos nós parlamentares, que exerceremos a função na próxima legislatura. Eu entendo que esse processo caminha nessa direção. Ainda resta muito tempo para exaurir a capacidade de todos nós em termos de diálogo e de compreensão em relação ao momento que está sendo vivido por parte da Assembleia Legislativa, mas, sobretudo, pela próxima legislatura, que assumirá as funções em primeiro de fevereiro de 2027.

O senhor já teria o apoio de 22 deputados. O que falta para sacramentar a candidatura em fevereiro?

A eleição não é só em fevereiro; daqui até lá, tem muita coisa para acontecer. É preciso humildade, parcimônia. É preciso compreender com muita clareza que existem outros nomes qualificados e que têm total capacidade de liderar a Casa Legislativa a partir do próximo ano. Todos nós temos que fazer o nosso papel de dialogar entre as partes e procurar fazer o convencimento necessário de que o nosso projeto de fato tem viabilidade e é um projeto que só será bem-sucedido caso conte com a maioria esmagadora de apoio em relação aos parlamentares que exercerão os cargos na legislatura vindoura. Soberba não combina com o ambiente político. O clima de já ganhou não existe. É necessário que a humildade seja a tônica fundamental no comportamento de todos nós que aspiramos presidir a Assembleia Legislativa. A condução do poder precisa, fundamentalmente, contar com a participação, com a presença e com o apoio da grande maioria dos parlamentares. E esse apoio vai se formatando à medida que as arestas se aparam, na medida em que o convencimento é também introjetado em relação a todos os postulantes. E eu vou sempre caminhar com essa mesma perspectiva, dialogando, conversando, entendendo as necessidades, as projeções que cada um estabeleceu para o seu mandato e procurando ser solidário e compreensível no que diz respeito aos espaços que cada um quer preencher a partir do próximo ano.

O deputado George Moraes projeta a eleição do senhor sem adversários, chapa única. Como o senhor recebe declaração de aliados que já dão conta dessa vitória?

Não existe nada relacionado a qualquer perspectiva de vitória. Esse é um desejo nosso, não somente do deputado George, como meu, como dos demais integrantes da Assembleia que apoiam nosso projeto. Que estejamos, no dia primeiro de fevereiro, todos unidos em uma chapa pelo bem do poder e, principalmente, das pautas que serão tratadas por todos e que melhoram a vida da população do Estado. Esse é o cenário que estamos buscando e que julgamos mais conveniente e fundamental para pacificar a Casa. A disputa seria muito ruim, poderia gerar algumas sequelas insanáveis no decorrer do mandato. Nenhum de nós deseja que isso aconteça e por isso é que temos que ter a sabedoria necessária para buscar esse entendimento comum e fazermos com que, no dia 1º, a Casa esteja unificada em torno de um nome só.

Um deputado da base, Virmondes Cruvinel (União), e Lissauer Vieira, do PL, também têm articulado para presidir a Assembleia. O senhor tem conversado com eles sobre a unificação da chapa?

Em primeiro lugar, quero deixar claro que ambos os nomes e outros tantos que se colocaram como alternativas para presidir a Casa no próximo biênio são avalizados, qualificados, carregam consigo o traquejo necessário e já foram experimentados em outras oportunidades e bem-sucedidos no desempenho das funções que cada um ocupou. Eles estão absolutamente no direito de postular essa perspectiva de presidir a Assembleia Legislativa e todos têm o meu respeito. E é claro que nós iremos buscar esse entendimento com todos. Eu não vejo ambiente na Assembleia que seja aprazível para aqueles que buscam aqui se digladiar e dividir a Casa. A Assembleia é de todos os deputados. É preciso buscar a convergência em relação a todos. Essa é a minha perspectiva de trabalho. Eu também entendo que seja esse mesmo sentimento que existe em relação a todos esses outros que aspiram presidir o Poder Legislativo.

O que está envolvido nessas negociações? O que o senhor oferece aos deputados que pode diferenciar na disputa entre esses outros nomes que estão também postulando o cargo?

Eu não diria que existe um diferencial da minha parte. Eu entendo que precisamos compreender o momento em que a Assembleia vive. Eu julgo que é imprescindível para aquele que for presidir a Assembleia neste próximo biênio tratar todos de maneira equânime, gerar as perspectivas necessárias para que todos os deputados possam exercer na plenitude os mandatos que democraticamente alcançaram nas eleições de 2026. O presidente tem que agir como magistrado, tem que ter a isenção em relação ao tratamento que é dispensado a todos que estarão integrando o Poder Legislativo. Eu não tenho dúvida de que tenho a capacidade necessária de buscar essa unificação plena para fazer com que a Assembleia Legislativa resgate os compromissos que possua em relação às necessidades que emanam da população que cada um de nós representa.

O governador Daniel Vilela provavelmente terá preferência por um candidato filiado ao MDB. O senhor tem o apoio dele para levar a candidatura adiante?

Esse cenário não existe. O governador manifestou que deseja que um parlamentar da sua base de apoio na Assembleia presida o Poder. Entretanto, essa decisão compete à Assembleia Legislativa tomar. Ele tem sido e é muito respeitoso em relação à autonomia do Poder e nós certamente teremos o juízo, o amadurecimento e o discernimento para tomarmos a melhor decisão em termos de gerar boas perspectivas para a condução dos trabalhos legislativos nesses próximos anos.

O desejo do governador de que o presidente seja da base pesa nas articulações e é um movimento favorável, tanto ao senhor como aos outros parlamentares que pertencem à base dele.

É natural que isso ocorra. Eu fui prefeito duas vezes e a minha torcida em relação à eleição na Mesa Diretora da Câmara Municipal da minha cidade era para que um aliado se sagrasse vitorioso, porque com ele você tem sintonia, você tem uma convergência muito mais afinada e, da parte do governador, eu tenho certeza de que o entendimento é esse também. Todo chefe de Poder que deseja fazer um governo bem-sucedido quer ter trabalhando ao seu lado pessoas que tenham o mesmo entendimento em relação àquilo que você busca de ganhos e de objetivos a serem alcançados para o projeto de governo que você lidera.

Dá para ter essa sintonia e também independência estando na base?

É claro que dá. Não há problema nenhum em relação a isso. Os poderes são independentes e é natural que essa independência seja praticada por parte de todos aqueles que chefiam os mais variados poderes. Entretanto, quando há pessoas que ocupam o mesmo espectro político, é muito mais fácil que as convergências necessárias para buscar os objetivos que estão traçados na meta governamental que cada um desempenha também sejam mais viáveis do ponto de vista de buscar esse entendimento.

O presidente da Assembleia Legislativa, Bruno Peixoto, tem participado das negociações? Qual a influência na escolha do sucessor?

Bruno é um ator importante dentro desse processo. Ele está encerrando o seu quarto mandato como deputado estadual, seu segundo mandato como presidente da Casa. Tem muita experiência, tem muita qualificação em termos de convivência com os parlamentares e, obviamente, a sua opinião é uma opinião de peso.

Caso eleito, o senhor pretende manter o modelo de gestão do Bruno ou pretende promover mudanças na administração e funcionamento da Casa?

Aquilo que foi bem-sucedido, que está funcionando bem, tem que ser mantido. Se ocorrer a necessidade de promover ajustes pontuais para melhorar ainda o serviço que a Assembleia Legislativa presta à sociedade, também vamos fazer. Não adianta ninguém tentar ser idêntico ou seguir a mesma linha de qualquer um que tenha presidido a Assembleia. Cada um tem suas características, tem as suas peculiaridades, tem a sua personalidade e é assim que a vida vai avançando, não somente aqui na Assembleia, mas no Governo do Estado, no Tribunal de Justiça, nos mais variados órgãos auxiliares. Essa é a capacidade de discernimento que cada um de nós precisa ter para continuar acertando em relação àquilo que foi bom e, eventualmente, fazer as mudanças necessárias para melhorar uma ou outra engrenagem que não está funcionando devidamente.

O senhor se posicionou contrário a uma PEC em tramitação na Assembleia que dá fim à possibilidade de eleição à presidência. Por que essa posição?

Por uma questão de coerência. Nos últimos anos, os parlamentares que presidiram o Poder tiveram a oportunidade de serem reeleitos. Existe reeleição nas câmaras municipais, nas prefeituras municipais, nos governos de Estado, na Presidência da República e por que não pode haver na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás? Caso o presidente esteja fazendo um bom trabalho, cumprindo rigorosamente o seu papel enquanto chefe de Poder, por que não pode a ele ser dado o direito de ser eleito? Essa é uma manifestação que ocorrerá por parte dos parlamentares no momento oportuno. Essa história de discutir reeleição antes da eleição ter acontecido é absolutamente extemporânea.

Haveria um acordo para o candidato eleito presidir por dois anos e um outro nome, numa espécie de eleição antecipada, presidir os outros dois anos, o que definiria uma alternância de poder dentro do próximo quadriênio?

Conhece a história do Garrincha com o Vicente Feola na Copa de 1958? Vicente Feola era o treinador da seleção brasileira e deu uma orientação para o Garrincha que ele fosse à linha de fundo e driblasse dois ou três marcadores, centrasse a bola para a grande área para o Vavá, que era o centroavante, fazer o gol. O Garrincha, com muita simplicidade, disse ao Feola o seguinte: “Professor, o senhor já combinou com os russos?” Não há como fazer um acordo dessa natureza sem combinar com os protagonistas do processo, que são os deputados. Eu não seria soberbo ao ponto de definir a vida da Assembleia Legislativa sabendo que existem outros 39 deputados, além desse com quem eu estaria fazendo o acordo que você está dizendo, para tomar essa decisão. Essa decisão não é minha e não é de outro parlamentar. É uma decisão da Assembleia Legislativa e ela será tomada em momento oportuno.

Daniel Vilela foi o único governador do MDB eleito no Brasil, e isso naturalmente fortalece o MDB em Goiás. Eu queria saber qual sua perspectiva em relação ao partido? O MDB de Goiás passa a ser visto como uma referência para o Brasil?

O MDB goiano sempre foi referência em nível de Brasil, haja vista que, em um determinado instante, D. Iris foi candidata a vice-presidente da República na chapa liderada por Orestes Quércia. O partido sempre teve muita capilaridade aqui no estado, sempre elegeu vários deputados estaduais, federais, prefeitos e governadores. A nossa convicção é que o MDB segue prosperando, hoje sob o comando do governador Daniel Vilela, e a nossa meta é ampliar os quadros do partido em termos de posições que continuarão sendo assumidas, sobretudo nas eleições de 2028. Eu tenho certeza clara de que o MDB goiano continuará como um dos principais atores em todo o território nacional.

Daniel vai ter condições de imprimir uma identidade emedebista na gestão ou vamos continuar vendo resquícios da gestão do ex-governador Ronaldo Caiado?

O governador Ronaldo Caiado deixou marcas profundas enquanto governador. Existem ações que se perenizarão pelos anos que vão vir pela frente. Mas o Daniel tem a personalidade dele, tem o seu comportamento, tem o seu jeito particular de agir. Não tenho dúvida de que, na medida em que os anos forem se passando, ele também imprimirá fortes marcas na gestão que seguirá liderando a partir de 2027.

Se eleito, quais serão suas principais prioridades?

As prioridades dizem respeito ao processo legislativo, aquilo que é primordial em relação à conduta dos deputados. Fazer com que as leis sejam votadas com muita celeridade, cada vez mais aproximar a população da Assembleia Legislativa e ter sintonia com aquilo que diz respeito à prioridade de vida do cidadão, sobretudo daquele que mora no interior do estado de Goiás, em termos dos projetos que se transformarão em leis, e essas leis, evidentemente, servirão para ajudar a vida do povo a melhorar.

A Alego, ao longo desses últimos anos, sofreu críticas com relação ao alto número de comissionados. Como é que o senhor vê essa questão?

Isso não me incomoda com toda a sinceridade, porque o presidente Bruno Peixoto vai entregar uma gestão que foi amplamente aprovada do ponto de vista da transparência. Obtivemos o selo Diamante. O presidente Bruno Peixoto também entrega uma gestão que fez as maiores devoluções de duodécimo ao longo da história do nosso estado para o caixa do Tesouro Estadual. A estrutura de pessoal foi ampliada; entretanto, outras economias foram feitas, e isso possibilitou que o Poder Legislativo do Estado tivesse eficiência nos trabalhos que estão sob a sua responsabilidade e também produzisse economias que estão sendo dirigidas aos cofres públicos estaduais. Esse dinheiro vai florescer na medida em que será aplicado para construir importantes obras que beneficiarão milhões de goianos.

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