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Mabel quer aplicar R$ 580 milhões do empréstimo sem seguir lista de obras

Mabel, que questionou legalidade do empréstimo durante campanha eleitoral, agora busca aplicar os recursos sem vinculação


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 14/07/2025 - 09:00

Mabel quer autonomia para aplicar R$ 580 milhões de empréstimo - Alex Malheiros
Proposta enviada à Câmara retira anexo com 52 intervenções previstas e aguarda análise após o recesso (Foto: Alex Malheiros)

O prefeito Sandro Mabel (UB) encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei que propõe a retirada da obrigatoriedade de vinculação dos recursos do empréstimo de R$ 710 milhões contratados pela Prefeitura junto ao Banco do Brasil em 2024. A proposta prevê que os valores restantes, aproximadamente R$ 580 milhões, possam ser utilizados sem a exigência de seguir a lista de obras originalmente aprovada pelo Legislativo.

Desde a liberação da primeira parcela, em outubro do ano passado, foram recebidos R$ 127 milhões. Segundo dados do Paço, cerca de R$ 116 milhões foram aplicados até o momento: R$ 65 milhões pela gestão de Rogério Cruz (SD) no fim de 2024, e R$ 50 milhões nos seis primeiros meses do mandato de Mabel. O restante ainda não foi utilizado.

O projeto de lei enviado por Mabel busca modificar o texto aprovado pela Câmara em março de 2024, que estabelecia a obrigatoriedade de destinação dos recursos a 52 obras listadas em anexo à norma. A imposição da lista foi resultado de articulação entre vereadores e o Ministério Público de Goiás (MP-GO), após questionamentos sobre a transparência na aplicação dos recursos no último ano de governo de Rogério Cruz.

Com o Legislativo em recesso, a análise da nova proposta deve ocorrer a partir de agosto. A Procuradoria-Geral da Câmara identificou pendências documentais que, por ora, impedem o andamento da matéria, como a falta de parecer da Procuradoria-Geral do Município.

Liberdade

Nos bastidores, a proposta de Mabel é interpretada como tentativa de ampliar sua margem de decisão sobre o uso do empréstimo. Parlamentares aliados argumentam que a autonomia seria legítima diante da troca de gestão e da necessidade de reavaliar prioridades. Por outro lado, vereadores de oposição temem que a medida dificulte a fiscalização.

A atual gestão já executa obras com recursos do empréstimo. Entre as intervenções estão obras de pavimentação asfáltica no Jardim Novo Mundo e a recém-lançada revitalização do asfalto da Avenida Vera Cruz, no Jardim Guanabara, além da retomada das obras drenagem e pavimentação no bairro Chácaras São Joaquim.

Durante a campanha eleitoral, Mabel entrou na Justiça para barrar a contratação do empréstimo e não teve sucesso. Após assumir o cargo, desistiu da Ação Popular sob a justificativa de perda do objeto.

Em nota à Tribuna do Planalto em março, a Procuradoria-Geral do Município fugiu do aspecto legal para mencionar que o prefeito, quando candidato, “alertou sobre os riscos do empréstimo”, mas que, como gestor, “garante que os valores sejam utilizados de forma responsável e transparente.”

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