No 60º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizado nesta quinta-feira (17) em Goiânia, líderes estudantis entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma carta com reivindicações voltadas à soberania nacional e à reconstrução das políticas públicas voltadas à juventude e educação. O documento, intitulado “O Brasil se une pela soberania”, foi lido por representantes da entidade durante o evento.
“A UNE é uma grande prova de amor ao Brasil”, declarou Manuella Mirella, presidente da UNE. Em seu discurso, ela defendeu a democracia, a educação e a coragem histórica do movimento estudantil brasileiro. “Acreditamos na democracia e na educação. Antes de nós, estiveram estudantes que lutaram por direitos. Não somos um povo submisso. Somos da luta, da festa, da alegria, do futebol e também da revolução.”
Entre as principais reivindicações apresentadas estão a revogação do novo arcabouço fiscal e a taxação de grandes fortunas. Daiane Araújo, vice-presidenta da UNE, anunciou que a entidade pretende organizar um plebiscito popular nas próximas semanas. “Vamos colocar urnas nas universidades, escolas, postos de saúde, fábricas e comércios para perguntar ao povo: vocês querem que os ricos paguem impostos e que o trabalhador tenha jornada digna? É isso que vamos defender”, destacou.
A crítica à política fiscal adotada pelo governo federal também foi feita por Júlia Copt, secretária-geral da UNE, que defendeu a autonomia universitária e a ampliação dos investimentos em educação. “Não podemos conceber um projeto de país que coloque regras tão rígidas no arcabouço fiscal. Pelo contrário, é preciso avançar em autonomia universitária, com mais orçamento e menos amarras.”
Hugo Silva, representante da UPES, destacou a importância da soberania frente ao cenário internacional: “Estamos diante de uma escalada da ofensiva imperialista. O tarifaço de Donald Trump mostra que o Brasil precisa se posicionar. O movimento estudantil tem o papel de levantar a bandeira da soberania e apoir esta luta.”
A defesa da ciência e o combate à extrema-direita foram os pontos centrais da fala de Vinícius Soares, da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG). Ele criticou a impunidade herdada da ditadura militar e afirmou que os estudantes seguirão mobilizados. “Defendemos o rico no imposto de renda e o pobre no orçamento. Defendemos a taxação de grandes fortunas, o fim da escala de trabalho 6 por 1. Conte com os estudantes, presidente Lula, para construir essa luta nas ruas.” disse.
Arthur Oliveira é estagiário da Tribuna do Planalto sob supervisão de Carla Borges














