O aumento da digitalização no setor público ganhou força a partir do ano 2000, com o Programa de Governo Eletrônico, do governo federal. Essa série de adaptações, inovações e melhorias da qualidade do serviço público incentivou outros entes a adotarem ferramentas tecnológicas que revolucionam a gestão, desde a eficiência até a transparência, e, sobretudo, no atendimento ao cidadão. Um dos exemplos da evolução é o gov.br, que reúne, em um só lugar, serviços para o público e informações sobre a atuação governamental.
“A promoção do uso da tecnologia é um eixo para transformação de governos crescente e emergente, principalmente pelo objetivo de facilitar a vida das pessoas, sejam os cidadãos ou mesmo os próprios servidores públicos”, explica o gestor governamental especialista em Transformação Digital, Lúzio Santos. Segundo ele, os novos governos estão passando por um processo de transformação digital atrelado a três eixos principais: pessoas, processos e tecnologia.
O gestor explica que seria até possível, atualmente, gerir um município ou um estado sem tecnologia, mas somente se as pessoas não tivessem visto seus benefícios em outras áreas e setores. “Como seria o controle orçamentário-financeiro realizado com o uso de livros-caixa sem qualquer recurso de tecnologia envolvido? Sem falar em áreas de fiscalização, que pelo uso progressivo da tecnologia vem facilitando e tornando mais efetivo o trabalho de órgãos fiscalizadores e até do próprio cidadão, que quer transparência e controle social no setor público”, diz.
A outra vertente é o cidadão, que, como observa Lúzio, não quer mais filas, nem ter que sair da sua casa para solicitar um serviço ou cumprir uma obrigação diante dos governos, sendo que pode fazer isso pelo seu próprio celular. “Pois ele foi preparado pelo setor privado para um novo mundo. E se o setor público não acompanhar essa evolução, não haverá outras formas, pelo menos por agora, de resgatar a confiança do cidadão.”
Verticalização
As tecnologias foram sendo adaptadas e adotadas pelos diversos governos. Hoje, as prefeituras estão incorporando soluções digitais para melhorar a administração pública, com ferramentas de gestão que geram resultados palpáveis. A transformação digital virou regra, não exceção. De sensores inteligentes a sistemas de gestão integrados, a revolução digital bate à porta e não pode ser ignorada.
“Para que uma gestão pública seja de fato eficiente, é indispensável que as decisões sejam orientadas por informações corretas e no momento certo. Mais do que digitalizar processos, a transformação tecnológica nas prefeituras passa por garantir ao gestor uma visão clara e estratégica sobre a realidade do município. E, nesse contexto, ferramentas que forneçam indicadores que permitam uma análise de dados eficaz se tornaram essenciais”, explica Lígia Marquez Andrade, coordenadora de treinamentos e produção de conteúdo da Megasoft, empresa do mercado em softwares de gestão pública.
Segundo ela, as tecnologias oferecem aos prefeitos e secretários acesso, em tempo real, a informações como finanças, arrecadação, folha de pagamento, despesas orçamentárias, cumprimento de índices constitucionais e andamento de licitações. Em vez de depender de relatórios manuais e análises demoradas, é possível visualizar as informações de forma integrada, com comparativos por período, gráficos evolutivos e cruzamento de indicadores. “Isso permite decisões mais ágeis, fundamentadas e transparentes.”
Ferramentas
Um dos exemplos dessas ferramentas pode ser visto nas soluções fornecidas pela Megasoft, que reúne dashboards interativos e on-line, acessíveis de qualquer lugar. Com eles, o gestor pode acompanhar a evolução da receita local, o comportamento das despesas e o crescimento da folha de pagamento, por exemplo. Além disso, a recente inclusão de ferramentas de inteligência artificial, dentro dos sistemas de gestão municipal, contribuem para a redução de erros manuais, maior agilidade no trabalho interno e mais segurança no cumprimento das normas legais. As ferramentas libertam a gestão do empirismo, pois trabalham os dados. Esses dados geram informações, e essas informações embasam a tomada de decisões.
Essas tecnologias já fazem parte da rotina de muitas prefeituras e representam uma mudança de mentalidade: a administração pública não pode mais operar no escuro ou baseada apenas na experiência. A leitura clara dos dados é o que sustenta decisões estratégicas e resultados consistentes. “O prefeito, até alguns anos atrás, era uma pessoa exclusivamente política. Poucos encaravam a gestão como prioridade pessoal. Normalmente a terceirizavam para um secretário ou contador. E, cada vez mais, por causa dos recursos escassos e da demanda crescente, a gestão precisa ser melhor, porque se não for boa vai atrapalhar na parte política. Então, o que um sistema de informação pode oferecer é justamente fazer com que ele saia do empirismo e das decisões baseadas no achismo e passe a ter decisões mais acertadas, baseadas em informações”, diz Ricardo Barcellos, coordenador de Inovação e Inteligência Artificial, também da Megasoft.
Na capital foi adotado o Brilha Goiânia, um consórcio de iluminação pública resultado de uma Parceria Público-Privada (PPP) inovadora, que visa uma cidade inteligente e sustentável. Sua missão é proporcionar uma iluminação pública eficiente, segura e sustentável, além de oferecer serviços de tecnologia da informação e comunicação de alta qualidade, para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos goianienses.
Por meio do Brilha Goiânia será implantada uma série de soluções inovadoras, incluindo iluminação com telegestão, o que permitirá o controle remoto e eficiente da iluminação pública; usina fotovoltaica para abastecer edificações públicas, reduzindo a dependência de fontes de energia não renováveis; internet gratuita em pontos estratégicos da cidade, promovendo a inclusão digital e o acesso à informação; videomonitoramento, garantindo a segurança pública e a prevenção de crimes; e Centro de Operações, para atender aos cidadãos e suas demandas.
O programa suprirá ainda a demanda de internet nas 53 edificações públicas, integrará 272 pontos de videomonitoramento e instalará 75 pontos de wi-fi na cidade. “Cidade inteligente não é só isso, teremos um centro de operações muito importante com uma inteligência artificial para pegar as manobras de ladrões, dos bandidos, para que se possa dar a Goiânia não só essa segurança, mas uma segurança total”, disse o prefeito Sandro Mabel, no lançamento.
Câmara de Goiânia faz leitura do requerimento para instalação da CEI da limpeza urbana















