Na primeira sessão legislativa deste semestre, nesta terça-feira (12), a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Goiânia realizou a leitura do requerimento que solicita a instalação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpeza Urbana. A leitura do documento formalizado pelo vereador Cabo Senna (PRD) ocorreu em meio à defesa da prerrogativa parlamentar e à rejeição de críticas que apontavam a CEI como um possível instrumento de barganha política.
Durante a sessão, foi destacado que nenhum dos vereadores que assinaram o pedido retirou sua assinatura, mesmo diante de pressão do Paço Municipal e de articulação direta do prefeito Sandro Mabel (UB).
Defesa da prerrogativa
Parlamentares reforçaram a importância da fiscalização e da atuação do Legislativo na resposta aos problemas da cidade. O vereador Denício Trindade (MDB) afirmou que a imprensa não tem dado a devida atenção à situação das ruas e que o parlamento atua pautado pelos interesses dos goianienses.
Welton Lemos (SD) declarou que o objetivo da CEI é solucionar o problema da sujeira em Goiânia e ajudar a gestão do prefeito Sandro Mabel. “A cidade está suja, isso pode concluir, e só pelo fato de anunciar uma SEI para tratar do assunto, estamos vendo a empresa trabalhar 24 horas por dia, buscando soluções”, disse.
O vereador Pedro Azulão Jr. (MDB) ressaltou que a atuação dos vereadores é em defesa da população. “Eu sou de periferia, sei o que o feirante e o aluno estão passando, e pelo povo eu brigo. Vereador aqui só grita aqui por causa de uma coisa: para ajudar o povo”, afirmou.
O autor do requerimento, Cabo Senna, ressaltou a importância da CEI para fiscalizar os recursos públicos envolvidos no contrato com a empresa terceirizada, que ultrapassa R$ 500 milhões. Ele destacou que a sujeira na cidade permanece e que a comissão especial pode trazer resultados positivos.
“Eu nunca vi tanto caminhão circulando pela cidade como agora, mas é isso mesmo que queremos: que a empresa cumpra o contrato”, disse.
Contradição
A vereadora Katia Maria (PT) disse que o discurso do prefeito é contraditório porque afirma que quer negociar realização de obras nas bases eleitorais dos parlamentares em acordo para retirada de assinaturas da CEI da limpeza urbana.
“Como é que uma prefeitura que acaba de decretar calamidade financeira tem R$ 1 milhão para obras? Se ele não deve, por que ele quer acabar com a SEI da Limpa Gyn?”, questionou. “Não vamos aceitar esse balcão de negócios”, acrescentou.
Katia também menciona aditivo assinado por Mabel de R$ 9 milhões para bancar aumento dos salários da empresa terceirizada. “Sem arcar com a responsabilidade dele de arcar com a data-base dos servidores municipais enquanto ele está lesando os trabalhadores desde o mês de maio”.
Defesa
O vereador Tião Peixoto (PSDB) foi o único a defender a posição da Prefeitura de Goiânia. Ele pediu a desistência da investigação, afirmando que a Limpa Gyn melhorou e que a cidade está limpa, além de defender a união da base para “combater a oposição”.
O vereador Coronel Urzêda, um dos signatários da CEI, pediu que seja solicitado aos líderes das bancadas e aos blocos para já fazer as indicações dos membros da comissão para que as apurações se iniciem.
Leia mais:















