A coleta de lixo no Brasil atingiu 93,1% dos domicílios em 2024, com destaque para o serviço direto na porta das residências, presente em 86,9% das moradias. No Centro-Oeste, a cobertura segue a tendência nacional, refletindo avanços significativos nos últimos anos, mas ainda há entraves nas zonas rurais da região.
Entre as grandes regiões, o Centro-Oeste se manteve entre aquelas com maior proporção de coleta direta, impulsionado por investimentos em infraestrutura urbana e expansão dos serviços públicos. Desde 2016, esse tipo de coleta cresceu no país, saltando de 82,7% para os atuais 86,9%.
Apesar da evolução, a realidade no meio rural segue desigual. Em todo o Brasil, apenas 33,1% dos domicílios rurais contam com coleta direta de lixo. Na região Centro-Oeste, onde a zona rural representa parcela significativa do território, essa lacuna é visível. Nesses locais, a queima de lixo ainda é uma prática comum — uma preocupação ambiental e de saúde pública. Em todo o país, 6,1% dos domicílios ainda queimam seus resíduos, prática que atinge mais da metade das propriedades rurais (50,5%).
De acordo com William Kratochwill, analista do IBGE, a ausência de coleta nas áreas rurais resulta na acumulação e posterior queima dos resíduos, o que compromete a qualidade do ar e representa risco à saúde dos moradores. “É um dado ainda preocupante, pois o lixo precisa ficar acumulado até ser incinerado, agravando a insalubridade”, alerta.
Outro modelo de serviço, a coleta em caçamba, responde por 6,2% dos atendimentos no país e tem maior presença em zonas onde o acesso de caminhões é mais limitado.
Mesmo com as disparidades regionais, os dados da PNAD Contínua indicam um avanço consistente na cobertura de coleta nos últimos oito anos. No entanto, o desafio permanece nas áreas afastadas dos centros urbanos, especialmente em regiões como o Centro-Oeste, onde a extensão territorial e a dispersão populacional dificultam a universalização do serviço.
O analista da pesquisa, William Kratochwill, ressalta o alto percentual de lares com queima de lixo em propriedades onde não há coleta direta pelo serviço público. “É um dado ainda preocupante, que acarreta aumento de poluição, e mesmo insalubridade para a zona rural, pois o lixo precisa ficar acumulado de alguma forma até que seja queimado”.













