O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou, na cerimônia de seus 74 anos, um financiamento de R$ 340 milhões para a aquisição de 85 mil bicicletas elétricas. A iniciativa é voltada principalmente para entregadores de aplicativos e foi revelada pelo presidente do banco, Aloizio Mercadante, na segunda-feira (22), com a presença do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin .
A operação é liderada pela Tembici, empresa de micromobilidade que já atua em várias capitais brasileiras e na América Latina, e conta com a parceria do iFood . Atualmente, cerca de 5 mil bicicletas elétricas estão disponíveis para locação por entregadores no país, e a nova frota representa uma expansão significativa desse número .
Como vai funcionar o programa?
As bicicletas serão oferecidas aos entregadores em regime de aluguel semanal renovável . O modelo atual, com subsídio do iFood, mantém o custo semanal em cerca de R$ 95. Com o novo financiamento do BNDES, a Tembici poderá ampliar o subsídio em 25% durante os primeiros 12 meses para os entregadores que aderirem ao sistema. Com isso, o custo semanal para o trabalhador cairá para cerca de R$ 71,25. A partir do 13º mês, o valor projetado é de R$ 85,50 .
A iniciativa não se limita à logística de entregas. Estima-se que cerca de 58% do tempo de uso das bicicletas seja para deslocamentos pessoais, o que amplia o benefício para a rotina dos trabalhadores. Além do aluguel, os entregadores também terão a opção de adquirir o veículo com desconto .
Impacto social e ambiental
O programa, financiado com recursos do Fundo Clima, é apresentado pelo governo como uma iniciativa de duplo impacto . Além de melhorar as condições de trabalho e a remuneração dos entregadores, a substituição de modais mais poluentes por bicicletas elétricas deve gerar ganhos ambientais.
As estimativas do banco indicam que a operação pode evitar a emissão de 107,2 mil toneladas de CO₂ equivalente até 2032, um volume comparado à capacidade de absorção de cerca de 1 milhão de árvores adultas. A iniciativa visa, sobretudo, evitar a migração de entregadores de bicicletas mecânicas para motos a combustão na busca por maior produtividade e renda .
A primeira fase do projeto prevê a aquisição de 42,5 mil bicicletas até o final de 2027, com o restante da frota sendo destinado à reposição até 2031 . As bicicletas serão fabricadas no Brasil, com um modelo desenvolvido especificamente para o uso intensivo nas entregas urbanas, garantindo maior resistência e autonomia.
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