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Presentes, viagens e parentes: Fachin propõe novas regras para juízes

Minuta apresentada ao CNJ busca prevenir conflitos de interesse no Judiciário, mas não será aplicada aos ministros do Supremo Tribunal Federal


Redação Tribuna do Planalto Por Redação Tribuna do Planalto em 04/08/2026 - 14:58

Presentes, viagens e parentes: Fachin propõe novas regras para juízes

O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, apresentou nesta terça-feira (4) uma proposta para prevenir e administrar conflitos de interesse no Poder Judiciário. A minuta aborda situações envolvendo presentes, eventos pagos por terceiros, relações familiares e atividades privadas de magistrados.

O texto ainda não foi aprovado. A análise foi suspensa para que tribunais, conselhos, associações de magistrados, entidades de servidores e outros setores interessados apresentem sugestões no prazo de 60 dias. Depois desse período, a proposta retornará ao CNJ para votação.

Caso seja aprovada, a política valerá para os tribunais submetidos ao Conselho, mas não alcançará os ministros do STF. A Suprema Corte discute separadamente a criação de um código de conduta para seus integrantes.

A proposta apresentada por Fachin reúne 23 dispositivos e estabelece orientações para prevenir conflitos de interesse reais, potenciais ou aparentes.

O que poderá entrar nas novas regras?

Entre as situações tratadas pela minuta estão:

  • Participação em eventos financiados por terceiros;
  • Recebimento de presentes, cortesias e hospitalidades;
  • Exercício de atividades acadêmicas ou empresariais;
  • Participação societária em empresas;
  • Vínculos familiares ou profissionais;
  • Uso de informações não públicas obtidas em razão do cargo;
  • Atuação administrativa em licitações e contratos.

No caso de eventos patrocinados, deverão ser considerados fatores como a identidade e a atividade econômica de quem paga as despesas, a finalidade acadêmica ou institucional do encontro, os valores custeados e o possível impacto sobre a imparcialidade do magistrado.

O recebimento de presentes também deverá ser avaliado conforme critérios de prudência, proporcionalidade, transparência, impessoalidade e preservação da independência funcional.

Segundo Fachin, a proposta não cria novas hipóteses de impedimento, suspeição, incompatibilidade funcional ou infração disciplinar. O objetivo seria fornecer parâmetros preventivos para situações capazes de gerar dúvidas sobre a independência das decisões judiciais.

Se a resolução for aprovada, o CNJ terá 120 dias para produzir um guia nacional com exemplos e boas práticas. Os tribunais terão mais 180 dias para adaptar seus procedimentos internos.

*Com informações da Agência Brasil e do CNJ.

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Redação Tribuna do Planalto

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