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Francisco Jr. fica no PSD caso apoie Caiado: “Corpo está na base, a cabeça que fugiu”

“O PSD ainda é o partido que jamais pode ser desconsiderado em qualquer mesa de negociação política", fiz Francisco Jr.


Lucas de Godoi Por Lucas de Godoi em 30/08/2025 - 18:14

Presidente do Codego diz que prioridade é seguir projeto governista (Foto: Divulgação)

Em entrevista incisiva, o ex-deputado federal Francisco Jr., presidente da Codego, revela os bastidores da divisão no PSD goiano e o distanciamento do senador Vanderlan Cardoso. Ele afirma que não ficará em um partido que não apoie Ronaldo Caiado (UB) para presidente e Daniel Vilela para governador. Sem se comprometer com uma nova candidatura, Francisco aponta que sua decisão dependerá de um alinhamento com o projeto político do atual governo. Ele também elogia Gustavo Mendanha e vê no ex-prefeito de Aparecida um potencial nome para oxigenar o partido, hoje “encolhido” em Goiás.

O PSD se dividiu na eleição municipal e caminha dividido desde então. O que levou a essa situação?

Vou responder de trás para frente. Em 2020, eu era deputado federal e estava me preparando para ser candidato a prefeito e até cheguei a lançar a candidatura e o senador Vanderlan Cardoso resolveu ser candidato e eu recuei. E nós éramos, naquele momento, oposição ao governador Ronaldo Caiado. O PSD, em 2018, apoiou o governo da época, fazia parte do governo (José Eliton) e Vanderlan também não apoiou. Ele foi senador na chapa do Daniel Vilela (MDB). Estava cada um para um lado e nenhum com o governador Ronaldo Caiado. Em 2000, houve uma aproximação do governador, trazido pelas mãos do senador Vanderlan, que veio apoiar a candidatura de Vanderlan para prefeito contra Maguito Vilela. Nesse momento, o PSD acabou fazendo  compromisso com o governador Ronaldo Caiado e começou a comportar-se como base. Em 2022, o PSD praticamente inteiro passou para a base do governador Ronaldo Caiado, tanto é que os dois deputados do PSD, Wilde Cambão e Cairo Salim, eram da base, eu como deputado federal; o deputado federal eleito, Ismael Alexandrino, era secretário de Saúde do governador Ronaldo Caiado. Em 2020 e 2022, o PSD esteve praticamente inteiro na base, com exceção do senador Vanderlan, que apoiou Major Victor Hugo para governador e o senador Wilder Morais, inclusive colocando a sua esposa como primeira suplente na chapa. O PSD não estava dividido, estava unido na base do governador Ronaldo Caiado. Ele teve uma dissidência. Vilmar Rocha foi candidato ao Senado dentro daquele acordo de liberar os partidos. Houve concordância em estarmos todos apoiando a chapa Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, inclusive Daniel também era oposição anteriormente. Houve uma reestruturação de forças e não há de se falar em grupo A ou B tomou o poder; houve uma reorganização completa. E nessa reestruturação, o PSD apoiou a reeleição do governador Ronaldo Caiado e houve essa dissidência do senador Vanderlan, mas uma dissidência amistosa, não houve briga, é bom dizer isso. Ele comunicou o partido e não houve reação do partido. Ele era senador e na eleição de 2022 não foi candidato a nada. A esposa dele foi candidata a suplente do Wilder. Não houve uma afronta. Porém, passada a eleição, o PSD continua, tanto é que o líder nesse segundo mandato do governador Ronaldo Caiado foi um deputado do PSD, que foi Wilde Cambão. E nesse acordo dos que saíram candidatos ao Senado, o delegado Waldir assumiu o Detran, o Alexandre Waldir assumiu a Agehab, o Vilmar Rocha declinou de assumir a Codego e me indicou. Diante de todos esses acontecimentos, quando o governador lançou a candidatura do Sandro Mabel, eu entendo que, mais uma vez, estávamos seguindo o mesmo discernimento, era uma consequência natural do grupo que estava unido.

A dissidência do Vanderlan acabou gerando frutos, visto que ele acabou construindo a presidência estadual do partido e segue presidente até hoje. Como o senhor avalia o comando do Vanderlan à frente do PSD e qual o futuro do partido em Goiás?

Vou responder de trás para frente de novo. Desde o momento que eu tomei a decisão de não apoiar o Vanderlan para prefeito, eu não conversei mais com o partido. Eu não tomei a iniciativa, nunca fiz mais nenhuma reunião partidária. Encontro com o Vanderlan, converso, somos amigos, de forma respeitosa, não existe nenhuma animosidade. Mas não conversamos mais sobre o partido. Nem eu procurei o partido e nem o partido nunca me procurou.

O senhor pretende sair do partido?

Não, eu não estou fazendo essa análise ainda. Até porque eu entendo que muita coisa ainda pode acontecer até março do ano que vem. Eu tenho algumas decisões que vão nortear a minha decisão lá em março do ano que vem, e as digo para você. Primeira delas, eu não fico num partido que não esteja embarcado no projeto do Ronaldo Caiado presidente, Daniel Vilela governador. Esse tem que ser o meu ponto de partida. Se o PSD estiver alinhado, então vamos conversar. Tenho que avaliar se eu terei projeto pessoal de candidatura ou não. Tudo isso ainda está por vir. O ponto inicial é este, eu não posso ficar em um partido, depois de ter composto o governo, eu não fico à vontade para estar em outro grupo. Eu pessoalmente vou apoiar Daniel para governador, Ronaldo Caiado para presidente. Posso fazer isso no PSD? Posso. E vou trabalhar, quando chegar o momento, para que o PSD também esteja nesse mesmo projeto. Ainda não existe esse diálogo.

O senhor tem um novo correligionário no PSD com esse mesmo discurso que é o Gustavo Mendanha. Qual o papel do Mendanha dentro do partido?

Independentemente de qualquer coisa, Gustavo Mendanha é um excelente quadro. É um político jovem, habilidoso, experiente, prefeito de uma das cidades mais importantes de Goiás por dois mandatos bem conduzidos. Reeleito com quase unanimidade dos votos, com  95% dos votos. É um quadro espetacular que todo o partido deseja ter. E o PSD precisa disso. Você perguntou qual avaliação que eu faço da gestão, eu não estou próximo do senador e da sua equipe, não sei quais são os projetos e as metas alcançadas, mas olhando a meia distância, o partido encolheu, perdeu vereadores, perdeu prefeitos, perdeu vice-prefeitos, perdeu diretórios. É um partido que precisa oxigenar; é um dos maiores partidos do Brasil, tem uma capacidade, uma organização, uma estrutura nacional fantástica; é o maior partido em São Paulo e em vários estados; tem uma bancada muito qualificada, uma bancada federal muito boa, maior bancada no Senado, uma das maiores bancadas na Câmara. Em Goiás ele não está, nas estatísticas, entre os maiores em nada hoje. A vinda do Gustavo sinaliza um bom momento para o partido e ano que vem é outro ano. A partir das próximas eleições, vamos ter mais uma reorganização de forças, e o PSD tem potencial para atrair muita gente, até por todos os atrativos que tem no nível nacional, que não se refletem em nível local hoje, mas tem potencial. Apesar de eu não estar participando, o PSD ainda é o partido que jamais pode ser desconsiderado em qualquer mesa de negociação política. É um partido que tem tempo de televisão, tem fundo eleitoral, tem trâmite e, naturalmente, vai ser importante para qualquer candidato. 

O senhor mencionou que não ficaria num partido que não apoiasse Ronaldo Caiado para presidente da República. Mas o PSD tem hoje dois pré-candidatos, Ratinho Jr. e Eduardo Leite. Em uma eventual permanência do senhor no PSD, há possibilidades de se construir uma neutralidade?

Historicamente, o PSD é um partido de diálogo, que consegue transitar, na gestão do Gilberto Kassab, bem entre esses grupos extremos. Na eleição passada, por exemplo, o partido foi liberado, não teve candidato a presidente e não sabemos se terá ainda.O PSD, na Bahia, o PSD é extremamente ligado ao presidente Lula; é o maior partido do estado,  tem senadores e a maior bancada de deputados federais. Isso acontece também no Paraná, por exemplo, onde tem o governador Ratinho, a maior bancada e o maior número de prefeitos. Em São Paulo, Tarcísio Freitas é um governador bolsonarista, foi ministro de Jair Bolsonaro, e Gilberto Kassab é da equipe dele. Ele consegue administrar essas realidades, dando liberdade. Se o partido tomar a decisão de lançar um candidato majoritário, naturalmente, ele vai ter que comunicar isso para os diretórios estaduais e vai haver um remanejamento. Se o partido tiver uma decisão fechada, entrar numa chapa que tenha alguém da direita, naturalmente ele vai ter que rever seus nomes de esquerda ou vice-versa se entrar num projeto de esquerda. Com esse país polarizado que tem hoje, o PSD vem se mantendo como centro e consegue dialogar com os dois lados. Se é possível manter, não sabemos. Vamos ter que aguardar essas candidaturas, ver se vão ganhar força, se vão começar a encorpar. Essa conversa corre o risco de ser até depois de março. Essa definição partidária vai acontecer só ano que vem, depois de março.

Há uma possibilidade de aliança entre PSD, MDB e União Brasil em Goiás?

Acredito que sim

Vanderlan viveu uma dissidência, o partido sempre foi base de sustentação do Ronaldo Caiado nesse governo

Vanderlan fez um movimento de reaproximação com o governo do estado. O senhor o considera natural?

Considero, até olhando o próprio interesse do senador, que busca espaço para uma reeleição, é um movimento natural. Do ponto de vista do partido, é extremamente natural, porque o senador Vanderlan viveu uma dissidência; o partido, sempre foi base de sustentação do Ronaldo Caiado nesse governo. Essa aproximação do Vanderlan é muito natural, porque é a cabeça voltando para onde o corpo está. 

O senhor avalia se será candidato. Caso decida, seria para deputado federal novamente ou pensa em outra disputa?

O candidato não pode ser candidato de si mesmo e o projeto tem que ser de um grupo. Tem várias situações que precisam ser definidas para eu tomar essa decisão e a primeira delas, inclusive, é no momento certo para ter uma conversa com o próprio governador. Tanto com o governador atual quanto com quem será governador no período eleitoral, que é o Daniel. A partir dessas conversas, entendendo a realidade, como que vou poder colaborar, se é interessante ou se o mais importante é continuar onde eu estou e terminar o que ainda estou fazendo. O que eu posso dizer é que existe uma abertura para isso; eu venho de uma história, tenho quatro mandatos cumpridos, bons mandatos. Graças a Deus tenho a vida tranquila, sem nenhum tipo de problema político-eleitoral. Mas é uma conversa que ainda vai ter que acontecer no futuro.

Como avalia as chances de Ronaldo Caiado na disputa presidencial? O que o prejudica nessa definição do candidato de direita? 

Essa polarização em torno de nomes e não de projetos. É algo que prejudica a política e a sociedade brasileira. Isso é histórico, o Brasil gosta de focar nas pessoas e não no que elas seriam capazes de fazer, no projeto político em que elas estão embarcadas. Essa dificuldade de fazer uma discussão de projeto é algo que prejudica muito o governador, porque ele é um homem de projeto, ele é um homem que tem serviço prestado; foi eleito o melhor governador executando o melhor governo no Brasil; tem uma nota, que não é dos institutos goianos, que nunca foi alcançada. Naturalmente, ele é um candidato para ser levado a sério. Porém, há uma dificuldade no Brasil de se conversar sobre o projeto. Conversa sobre nomes, sobre, fulano, sicrano e o beltrano, e não sobre as propostas e a capacidade de executar as propostas; o histórico administrativo de cada um. Esse é um problema da política brasileira e talvez isso seja hoje o grande problema a ser vencido pelo governador Ronaldo Caiado, vir de um estado de baixa densidade eleitoral, somos quase 4% dos eleitores no Brasil, e tem que se comunicar com o país, que é muito diversificado. O interesse e a realidade de um Rio Grande do Sul não se compara com alguém que vive na Amazónia ou no Nordeste. E não há ambiente para conversar sobre os problemas do Brasil; não se conversa sobre os problemas do Brasil e muito menos sobre o que fazer para resolvê-los. Conversa sobre quem foi sicrano, quem foi beltrano, o que ele fez e que deixou de fazer. Isso é um problema para alguém que foca sua plataforma, seu projeto em cima de problemas reais com soluções reais. A gente fica discutindo ideologias.

O senhor se considera de direita? 

Eu sou uma pessoa realmente de centro-direita ou centro-conservador. Eu sou conservador, e quem abraçou o conservadorismo no Brasil foi a direita. No mundo hoje, quem abraça o conservadorismo é a direita. Eu tenho posições claras com relação ao comportamento moral, bioética, defesa da vida, minhas posições sobre a questão do jogo, drogas, aborto, as questões de ideologias de gênero. Porém, sou um homem de diálogo. Por isso que eu falo que eu sou um homem de centro, um político de centro-direita.

A Codego lançou um novo distrito industrial em Aparecida e ampliou o Daia. Quais os critérios de escolha das localidades onde o Estado investe em distritos?

Tanto o novo distrito no Daia como o Dianot já eram projetos antigos,coisa de mais de 10 anos, estavam com dificuldade de sair e tivemos de destravar esses projetos. A escolha vai muito em função do próprio mercado. Hoje, para se ter um distrito em qualquer lugar do estado, existe um tripé que é fundamental para atrair as empresas. Não é só fazer o distrito, existe todo um trabalho para trazer a empresa. Tem um tripé, que é a energia, a logística e a infraestrutura instalada e a mão de obra. Tem que haver todo o apoio por parte do estado para que se consiga oferecer para essas grandes empresas essa realidade de energia, que é um grande gargalo do estado; o aspecto da logística, no qual Goiás se posiciona muito bem; e a vocação econômica local. Os distritos em Goiás, cada um tem uma vocação, todos são abertos a todas as atividades industriais; o de Catalão nasceu com uma vocação mineral e depois conseguiu se levar uma montadora de veículos para lá; o de Anápolis naturalmente desenvolveu a vocação da indústria farmacêutica. É o segundo maior polo farmacêutico da América Latina. Este de Aparecida nasce com a vocação do agronegócio, só que a cadeia do agronegócio é muito extensa, tem foco nas empresas de alimentos, mas também em todas as alimentadoras: montadora, mecânicas, de equipamentos para o  agronegócio, de embalagens. 

 

Essa aproximação do Vanderlan é muito natural, porque é a cabeça voltando para onde o corpo está

Anápolis e Aparecida já contam com distritos industriais do estado. A criação de mais dois espaços não contribui para a concentração de indústrias na região metropolitana?

O estado faz isso simultaneamente. São 26 distritos, em Rio Verde, Porangatu, Uruaçu, Mineiros, Itumbiara, em todas essas posições estratégicas o estado fomenta negócios. De forma específica, esses investimentos que estão acontecendo é porque hoje existe uma realidade – Aparecida se tornou um centro logístico – e o estado tanto fomenta quanto potencializa esses polos. E se faz um distrito, movimenta não apenas aquela região,  fomenta toda região. Dependendo da posição estratégica dele, o polo vai receber, por exemplo, insumos e matéria prima de uma região muito extensa, até de outros estados. O  estado leva infraestrutura para outros pontos, mas tem também de estimular onde já tem essa capacidade e ela não está esgotada, que é o caso da região metropolitana.

A energia é o principal gargalo do estado e houve algum avanço dessa infraestrutura para as indústrias depois de a Equatorial ter assumido?

A Equatorial tem sido atenciosa, ágil em responder, mas em termos de infraestrutura, ainda é um grande gargalo e um problema sério, e não podemos culpá-la simplesmente porque é algo histórico. Ela tem procurado atender bem, mas o problema é real e demanda muito investimento e tempo para que essas obras aconteçam.

O modelo de seleção das empresas passou por mudanças. Quais garantias o novo modelo traz para o processo de escolha de candidatos a se instalarem nos novos distritos?

A Codego, que sucedeu a Goiás Industrial, é uma empresa com 50 anos, com inúmeros problemas como, por exemplo, empresas que não se instalaram e áreas que não são regulares, e o mundo mudou muito também. Antes você fazia e depois regularizava, hoje não. Hoje tem toda uma questão da sustentabilidade, que é muito importante, uma questão ambiental, é muito importante, e tudo mais. Antes não havia uma seleção; a empresa se apresentava e era uma a uma. Quando eu entrei, o governador solicitou, em função dos problemas anteriores e de todas as dificuldades, que fizéssemos um modelo que tivesse transparência, segurança jurídica e equidade na oportunidade.Que fosse justo, que todos tivessem a oportunidade de pleitear essa área. Porque não é simplesmente vender área, a área é vendida com preço subsidiado, com um preço muito baixo. O estado faz um investimento no desenvolvimento, ele apoia quem quer investir. Nós fizemos um estudo e encontramos na lei das S.A. e esse formato de licitação, que chama licitação, mas não é uma licitação comum, de quem dá mais leva. É o contrário: quem oferece mais paga menos.Nós criamos primeiro um formato com muita transparência, no qual todo mundo vai entender o processo de início, meio e fim; existe uma documentação a ser apresentada, que é estabelecida no edital. O mesmo critério, a mesma capacidade documental de investimento que eu vou cobrar da empresa A eu vou cobrar da empresa B; há equidade, o processo é completamente justo. Estabelecidos os critérios, vem a parte financeira, quando criamos o que chamamos de fatores de desconto. Antes, fazia-se uma negociação com uma empresa e vendia uma área e ela poderia não cumprir de imediato ou depois de um tempo, e a única ferramenta que a Goiás Industrial tinha para resolver esse problema, era entrar na Justiça e pedir toda área de volta. E nós sabemos que não é assim. Existem empresas que não cumprem um item do que foi combinado por motivos às vezes alheio à sua vontade, não é má-fé, mas a Codego  era obrigada a ir para a pena máxima, independentemente da situação. O que é que nós fizemos agora? A empresa tem os fatores de desconto e as empresas fazem compromissos, porque o estado dá o subsídio mediante uma contrapartida. A empresa tem prazo para entrar em funcionamento; tem a obrigação de ocupar uma proporção determinada da  área que está adquirindo, no mínimo 1/3 da área, tem que ser ocupado de imediato e tem uma previsão de expansão da empresa; tem que gerar um quantitativo de empregos; tem que apresentar seu programa financeiro e o que vai  arrecadar para o estado em termos de impostos. Tudo isso é apresentado, estudado e para cada item a empresa pontua e essa pontuação vai interferir no valor que vai pagar no final pela área. Próximo do Dianot, as áreas são vendidas por cerca de R$ 1 mil o m²; nós fizemos uma média e encontramos um valor em torno de R$ 460 o m² no entorno. Estamos entregando um distrito totalmente infraestruturado, com toda a documentação da área regularizada, escritura, água, esgoto, energia, asfalto, tudo da melhor qualidade. E colocamos um preço de partida no m² de R$ 260, e na medida que a empresa se compromete a iniciar a empresa rápido, gerar emprego rápido vai pagar menos. Se a empresa tirar nota 10 em todos os quesitos o valor pode cair de R$ 260 para R$ 60 o m². E se ele fizer a opção de pagar à vista, ainda tem mais 10% de desconto. Com o tempo, se ele não consegue cumprir um algum item desse ele é penalizado naquilo que se comprometeu a fazer e não cumpriu.Existem várias situações que modernizamos. Antes os distritos eram totalmente industriais e falava-se da possibilidade de ter prestação de serviço ou comércio, e regulamentamos bem isso. Continua sendo um distrito industrial, mas existem atividades que são correlatas. Se toda indústria tem caminhão, ter serviço de mecânica de caminhão é necessário; é um auxílio importante para se ter no distrito, como se fosse um shopping. O Daia tem em torno de 30 mil colaboradores e não tinha – estamos colocando agora – um posto médico. Estamos trabalhando para colocar creche, para dar dignidade para o trabalhador, e tudo isso é novidade. 

No caso do Dianot, qual é a expectativa e quantas empresas já se habilitaram? 

Estamos no meio do processo. No caso do Dianot, o edital foi lançado e tem 45 dias úteis para a entrega dos documentos, todos entregam no mesmo dia. A demanda de solicitação de informação está espetacular, mais de 50 empresas em três ou quatro dias do edital publicado. O distrito tem potencial de acolher em torno de 200 empresas em 300 áreas moduladas. Pode ter uma empresa pequena em um módulo de 5 mil metros no 2,5 mil metros ou eu posso agrupar módulos e chegar a uma empresa de 50 mil metros. Estamos liberando a etapa 1, cerca de 60% da área, e a etapa 2 vai ser no segundo momento.

Goiás se orgulha de estar entre os maiores exportadores de grãos e carne in natura do país. Por que o estado não consegue industrializar esses produtos e agregar valor?

Acho que é um orgulho atravessado, porque o grande esforço do nosso é justamente para agregar valor.Eu penso que existe uma mentalidade que precisa ser mais aprofundada. Nós fazemos um esforço tremendo para colocar indústrias de transformação em Goiás, o  estado tinha toda uma política de incentivo e vem uma reforma tributária e atropela tudo isto, por exemplo. Não é uma questão do estado. O estado tem potencial no agro muito grande, temos terra, equipamento, boas cabeças, mas também precisa ter política pública de incentivo e existem forças externas, na minha opinião, que atuam também. Quem importa aço prefere importar aço ou qualquer metal e exportar para o Brasil o equipamento montado. O Brasil se destaca por ser um grande exportador de matéria prima, mas eu entendo que essa é uma realidade que precisa ser não combatida, mas precisa ser aprimorada a cada dia mais. Esse é o nosso esforço: industrializar o estado e conseguir agregar valor em todos os sentidos. Nós temos alguma coisa já, mas a estrada a percorrer ainda é muito grande.

Como o Estado vem se preparando para o fim dos incentivos fiscais?

É uma realidade, o estado vem se esforçando muito e não perde a esperança de haver uma rediscussão mais para frente. Toda essa política com relação aos distritos é uma tentativa de valorizar e criar vantagem. Temos a nossa posição logística no Brasil, que é muito especial, somos centro do país e há um 1 dia de 80% da população brasileira no transporte rodoviário. São situações que nós temos que valorizar. Estamos investindo no Brasil, analisando as nossas cadeias, tenho conversado com todas as empresas no sentido de deixar o nosso produto mais competitivo; temos estudado junto com o Instituto Evaldo Lodi (IEL), Instituto Mauro Borges (IMB) que tipo de empresa devemos nos esforçar para trazer para Goiás a fim de deixar o nosso produto mais competitivo. Tem casos de empresas que produzem, mandam o seu produto para ser terminado no Rio Grande do Sul, porque não aquela atividade funcionando aqui, e depois traz de volta para vender. Estamos fazendo um esforço para mapear essas realidades e criar um ecossistema de negócio interessante para criar atrativos para que essa empresa saia do Rio Grande do Sul e venha para cá. Ela vindo, essa empresa que precisa dela vai ficar mais competitiva no estado, para deixarmos o nosso produto mais competitivo, mesmo estando longe do centro consumidor – porque o fato é esse: Goiás tem 7 milhões de habitantes e a cidade de São Paulo com 10 milhões de habitantes. Em termos de mercado consumidor não tem jeito, então vamos buscar de forma criativa outras vantagens que deixe o nosso produto em condições de disputar com os produtos produzidos de forma especial no sudeste.

Qual tem sido o principal foco da sua gestão à frente da Codego e quais são as principais estratégias para atrair novos investidores ao estado?

Nosso principal foco foi interferir na visão da empresa. A Codego hoje se coloca ao lado do empreendedor, procurando ser para ele um auxílio em todos os aspectos e de forma especial no diálogo com o poder público.Ela é uma empresa pública e estamos fazendo a ponte com o empreendedor e com o estado. Ao mesmo tempo, temos procurado também  dar todo tipo de orientação e apoio na forma de assessoria e consultoria para os municípios para que eles também se organizem e se preparem para receber empresas. É comum os prefeitos pedir para abrir um polo ou um distrito no município dele, mas o município não precisa de um polo, que não é uma coisa simples. Vamos tentar entender a vocação econômica do município, qualificar a mão de obra e trazer um diferencial. 

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