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COP30 em Belém: ciência, Amazônia e esperança de ação climática

Thelma Krug, coordenadora do Conselho Científico da conferência, fala sobre os desafios e oportunidades do encontro que será realizado em novembro no Pará


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 03/09/2025 - 15:14

Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP

Na última entrevista concedida à Agência FAPESP, a pesquisadora Thelma Krug, aposentada do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ex-vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), destacou que a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), prevista para novembro em Belém (PA), pode marcar a transição das negociações formais para ações efetivas, com protagonismo dos países em desenvolvimento.

 

Significado da COP30

Agência FAPESP – Em novembro o Brasil sediará pela primeira vez uma COP que, além disso, será na Amazônia. Quanto isso é significativo, não apenas para o país, mas para o mundo?

Thelma Krug – A COP30 representa uma oportunidade estratégica para o Brasil. É a chance de consolidar o país como ator central nas negociações climáticas globais e avançar das negociações formais para ações efetivas. O Brasil pode mostrar sua liderança em energia limpa, esforços contra o desmatamento e sua legislação ambiental robusta. Ao mesmo tempo, há fragilidades, como o projeto que reduz exigências para licenciamento ambiental. O evento é também a oportunidade de revelar ao mundo a importância e a dimensão da Amazônia, sensibilizando para a preservação da floresta e valorização dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

 

Agenda de ação

Agência FAPESP – Poderia explicar o que são e a importância da Agenda de Ação Climática e do Balanço Global?

Krug – A Agenda de Ação Climática surgiu para ampliar a responsabilidade além dos governos, envolvendo sociedade civil, setor privado e comunidades locais. Na COP30, será estruturada em seis eixos temáticos, com 30 ações prioritárias, como triplicar energias renováveis, reduzir combustíveis fósseis e combater o desmatamento. Essas iniciativas dialogam diretamente com o Balanço Global, que avalia o cumprimento do Acordo de Paris. O primeiro balanço, em 2023, mostrou que os esforços atuais ainda são insuficientes para limitar o aquecimento global, mas indicou caminhos de adaptação, justiça climática e transição justa.

 

Otimismo e desafios

Agência FAPESP – Diferentemente de outros cientistas, a senhora mantém a esperança de que o mundo conseguirá limitar o aumento da temperatura média global a 1,5 °C. Por que esse otimismo?

Krug – Apesar de termos registrado 1,6 °C em 2024, foi um ano atípico. O IPCC trabalha com séries históricas de 20 a 30 anos, e ainda é possível reverter o cenário com medidas rápidas e ambiciosas. A COP30 é uma oportunidade concreta de acelerar a ação climática. O otimismo vem do envolvimento crescente de países e setores diversos.

 

Cooperação internacional

Agência FAPESP – Qual o impacto da ausência dos Estados Unidos nas negociações da COP30?

Krug – O risco maior seria um efeito dominó em outros países, mas acredito que o multilateralismo poderá ser fortalecido com a liderança de países em desenvolvimento. Estados norte-americanos devem estar presentes, mantendo ativo o engajamento climático. A China também deve continuar exercendo papel de liderança.

 

Ciência e participação

Agência FAPESP – Quais são as responsabilidades do Conselho Científico da COP30 e como será a participação da FAPESP?

Krug – O Conselho Científico dará suporte técnico e analítico durante a conferência, junto com outros conselhos de tecnologia, inovação e financiamento. A FAPESP terá papel estratégico, com programas de mudanças climáticas, bioeconomia e transição energética. A proposta é levar para Belém não apenas resultados científicos, mas painéis integrados com sociedade civil, setor privado e comunidades locais, mostrando que ciência pode ser ponte entre conhecimento e ação.

📝 Entrevista a Heitor Shimizu e Elton Alisson | Agência FAPESP

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