O diretor executivo do Consórcio Limpa Gyn, Renan Andrade, afirmou que a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Limpeza Urbana instalada pela Câmara Municipal de Goiânia não comprometerá a renovação do contrato milionário da empresa com o Município, prevista para 2026.
Renan classifica a investigação parlamentar como uma “oportunidade positiva” de esclarecer dúvidas sobre o serviço e disse não temer qualquer efeito prático da apuração na continuidade da parceria com a prefeitura.
“De jeito nenhum. Nenhum temor. O consórcio vem fazendo um trabalho de excelência”, sustenta. “Assumimos Goiânia num momento crítico, com ruas até 30 dias sem coleta, o que é inaceitável, e recuperamos a condição do munícipe descartar o resíduo e ver o lixo efetivamente coletado. Uma coisa não tem relação com a outra”, afirma Renan, em entrevista exclusiva à Tribuna do Planalto.
Novo aditivo
Antes da renovação, a empresa ainda deverá tratar de novo aditivo contratual, que prevê a repactuação anual que visa corrigir as perdas inflacionárias. Segundo Andrade, se trata de cláusula automática e que o assunto ainda deverá ser discutido com a administração.
“Mesmo que leve um mês a mais ou a menos, a operação não será abalada. Está super bem estruturada e nossa pretensão é que siga assim durante todos os anos do contrato”, pontua o executivo.
Renan Andrade afirma que o termo aditivo assinado por Sandro Mabel, de R$ 8,9 milhões, também tem previsão contratual e faz parte de todos os dispositivos deste tipo.
Contexto político
A criação da CEI da Limpeza foi articulada nos últimos meses para pressionar o prefeito Sandro Mabel (UB) a ampliar espaços na administração e, segundo os parlamentares, como resposta às constantes críticas da população ao serviço prestado pelo consórcio.
Vereadores levantaram suspeitas de falta de transparência, alegaram respostas evasivas a ofícios e chegaram a citar um possível conflito de interesse pela atuação do prefeito Sandro Mabel, acusado por adversários de “advogar” para a empresa, o que o consórcio nega relação. Sobre isto, Renan preferiu não comentar.
“Sempre tivemos diálogo aberto. Os ofícios eram respondidos, as respostas que porventura o órgão da Prefeitura detentor nosso contrato definia que deveriam sair somente de lá, eram respondidos em ofício que a informação tinha que ser solicitada assim, como por exemplo números, valores, pagamentos etc. Quanto a operação e aos serviços nós sempre respondemos”, destacou Andrade ao afirmar que a empresa terá postura de colaboração.
Metas superadas
O executivo da Limpa Gyn argumenta que parte da imagem negativa atribuída ao serviço é indevida e ocorre por falhas na varrição manual, serviço pertencente à Comurg, e pela gestão dos resíduos de grandes geradores, como grandes condomínios residenciais e empresas.
Dados apresentados pela empresa indicam que Goiânia gera entre 40 e 42 mil toneladas de resíduo orgânico por mês, contra uma previsão contratual de 35 mil. “Mesmo assim, damos conta dessa demanda, coletando quase 20% a mais do que o previsto”, reforçou.















