Nas últimas semanas, o cenário político goiano voltou a ganhar destaque nacional com a divulgação de pesquisas eleitorais que colocam Daniel Vilela (MDB) na liderança da corrida pelo governo do Estado. Jovem, articulado e com experiência política consolidada, Daniel é o atual vice-governador e herdeiro direto do legado de Maguito Vilela. Soma-se a isso um ativo político de peso: o apoio do atual governador Ronaldo Caiado (UB), cuja aprovação gira em torno de expressivos 88%, conforme os últimos levantamentos.
Em meio à consolidação do nome de Daniel Vilela como o favorito natural da base governista, uma movimentação importante reacendeu o debate político em Goiás: o retorno de Marconi Perillo (PSDB) ao centro das articulações. Quatro vezes governador do Estado, Marconi foi, por décadas, o principal protagonista da política goiana e, mesmo com os desgastes acumulados ao final de seu último mandato, segue como a principal referência da oposição.
No último final de semana, o ex-governador lotou o auditório da Assembleia Legislativa em um evento que reuniu ex-prefeitos, lideranças regionais e militantes históricos do PSDB. A mobilização serviu como palco para o anúncio de sua pré-candidatura ao governo pela quinta vez. O gesto não apenas reacendeu a militância tucana, mas também reposicionou os atores políticos no tabuleiro estadual, elevando a temperatura nos bastidores.
É inegável que Marconi sofreu um processo de desgaste ao final de sua gestão, influenciado tanto pelo cenário político nacional da época quanto por erros internos de seu grupo. No entanto, reduzir sua trajetória a esse período seria ignorar a densidade política que ele ainda carrega. Sua liderança se mantém viva, sobretudo pelo fato de que, sem sua presença, a oposição em Goiás carece de protagonismo e coesão. Perillo ainda representa a única voz oposicionista com real projeção estadual.
Hoje, as alternativas ao nome de Daniel Vilela dividem-se em três campos políticos com baixa interlocução entre si: o PL do senador Wilder Morais, o PT da deputada Adriana Accorsi e o próprio PSDB de Marconi. Apesar de ideologicamente distintos, há um ponto em comum entre esses três grupos: todos, em algum momento, fizeram parte de governos liderados por Marconi. Wilder foi secretário estadual em sua gestão e Adriana ocupou o cargo de delegada-geral de Polícia Civil sob seu comando.
Esse histórico evidencia a amplitude do legado político de Perillo e revela uma possível janela de articulação que pode ser explorada. Ainda que PT e PL não se misturem, é possível que eventuais entendimentos pontuais ocorram no segundo turno, a depender da configuração do pleito. Para isso, o ex-governador precisará, mais uma vez, demonstrar sua conhecida habilidade de articulação e costura política, fortalecendo o hoje enfraquecido PSDB com alianças estratégicas.
Por outro lado, Daniel Vilela detém, até o momento, todos os elementos favoráveis para pavimentar uma vitória expressiva. Além do apoio de Caiado, seu nome é respaldado por quase todas as principais lideranças políticas com mandato em Goiás. Com a iminente saída de Caiado para uma possível projeção nacional, Daniel deverá assumir o comando do Estado antes do processo eleitoral, o que ampliará sua visibilidade e capacidade de entrega.
Ainda assim, subestimar Marconi seria um erro estratégico. Seu retorno ao debate público e sua disposição em disputar novamente o governo apontam para uma eleição que, embora pareça encaminhada, tende a ser disputada. O comportamento do PT e do PL será crucial para definir o nível de polarização do pleito e o grau de competitividade no segundo turno.
Em síntese, o jogo político em Goiás está longe de ser previsível. O retorno de Marconi Perillo não apenas reacende sua base histórica, mas também obriga os demais atores a reavaliarem suas estratégias. Com quatro nomes de peso no tabuleiro – Daniel, Marconi, Wilder e Adriana – o eleitor goiano poderá escolher entre projetos com densidade política, experiências distintas e visões de futuro divergentes.
O que está em jogo, no final das contas, não é apenas quem sentará na cadeira do Palácio das Esmeraldas, mas que tipo de liderança política o povo goiano deseja para os próximos anos: a continuidade de um governo aprovado e em expansão, ou o retorno de uma figura que ainda move estruturas e redes de apoio com força impressionante. O marconismo, ao que tudo indica, segue vivo – e incomodando.














