A história mostra que toda grande transformação política passa, inevitavelmente, pela participação da juventude. Em Goiás, não será diferente. Em uma eleição cada vez mais marcada pelas redes sociais, pela velocidade da informação e pela influência da inteligência artificial na comunicação, os jovens deixaram de ser apenas um segmento do eleitorado para se tornarem protagonistas da disputa política.
A juventude de hoje é conectada, crítica, diversa e muito mais informada do que gerações anteriores. Consome informação em múltiplas plataformas, produz conteúdo, influencia opiniões e, sobretudo, tem potencial para decidir uma eleição. Qualquer campanha que pretenda ser vitoriosa precisa compreender que conquistar o voto jovem não é apenas uma estratégia de marketing eleitoral, mas uma necessidade política.
Nesse cenário, Daniel Vilela chega à disputa em uma posição privilegiada por exercer atualmente o governo de Goiás. Jovem, pertencente a uma nova geração de lideranças políticas, ele tem demonstrado capacidade de dialogar com diferentes públicos, inclusive com a juventude. Na minha avaliação, essa característica poderá representar um diferencial importante durante sua campanha, principalmente em uma eleição em que comunicação digital e identificação geracional terão grande peso.
Quando se fala em juventude e políticas públicas em Goiás, porém, é impossível não lembrar de Marconi Perillo. Eleito o governador mais jovem da história do Estado, seus governos deixaram um legado que, até hoje, impacta a vida de milhares de jovens goianos. Programas como o Passe Livre Estudantil, o Goiás Sem Fronteiras, o apoio ao ecossistema de startups, a Bolsa Universitária, o fortalecimento da UEG e iniciativas voltadas ao ProJovem marcaram uma geração e consolidaram uma política pública voltada para ampliar oportunidades. Muitos desses programas permanecem como referências para quem acredita que investir na juventude é investir no futuro de Goiás.
Tenho orgulho de dizer que, como gestor público naquele período, tive a honra de oferecer minha modesta colaboração em parte dessas políticas. Pude acompanhar de perto o empenho de Marconi Perillo em construir oportunidades para os jovens e reconheço que essa sempre foi uma pauta tratada com prioridade em seus governos.
Entretanto, é preciso fazer uma ressalva. Marconi está afastado do governo estadual há oito anos. A juventude que hoje vota pela primeira vez, ou que está iniciando sua participação política, praticamente não viveu o chamado “Tempo Novo”. Trata-se de uma geração que conhece aquele período muito mais pelos relatos dos pais do que pela experiência própria. Se quiser reconquistar esse eleitorado, será necessário recriar conexões com essa juventude contemporânea, conectada, plural, exigente e acostumada a uma comunicação muito diferente daquela de duas décadas atrás.
Outro nome que merece atenção é o senador Wilder Morais. É inegável a força que a direita alinhada ao bolsonarismo construiu nas redes sociais. Esse ambiente digital poderá favorecer sua estratégia eleitoral, especialmente com o apoio de lideranças do PL que possuem forte presença nas plataformas digitais, como Gustavo Gayer, Fred Rodrigues e outros representantes do partido. Caso consiga transformar essa força virtual em mobilização política entre os jovens, Wilder poderá ampliar significativamente seu alcance junto a esse público.
No campo da esquerda, na minha avaliação e com todo respeito aos partidos e lideranças progressistas, a composição apresentada até o momento não reúne nomes de grande expressão eleitoral. Ainda assim, seria um erro subestimar esse campo político. Historicamente, as organizações de juventude ligadas à esquerda mantêm forte presença nos movimentos estudantis, nas universidades, nos coletivos sociais e em diversas formas de mobilização juvenil. Essa militância continua sendo um ativo importante na disputa política.
Ao longo de muitos anos dediquei minha vida às políticas públicas para a juventude em Goiás. Atuei como Gerente de Mobilização Social da Superintendência da Juventude e também como presidente da Juventude da Social Democracia. Essas experiências me permitiram conviver diariamente com milhares de jovens em todas as regiões do Estado. Aprendi que o maior desejo dessa geração não é apenas receber políticas públicas. Ela quer ser ouvida, participar das decisões, ocupar espaços reais de representação e construir seu próprio futuro, sem que outras pessoas decidam por ela.
Por isso, acredito que a eleição em Goiás será, em grande medida, uma disputa pela confiança da juventude. Quem conseguir compreender melhor seus anseios, dialogar com autenticidade, apresentar propostas consistentes e cometer menos erros junto ao eleitorado jovem terá maiores chances de alcançar a vitória.
Desejo boa sorte a todos os candidatos que participarão desta disputa democrática. Acima de tudo, desejo que todos tenham respeito pela juventude goiana, porque ela não representa apenas o futuro de Goiás. Ela já é uma força decisiva no presente.
Daniel e Caiado definem Luiz do Carmo como candidato a vice-governador












