Skip to content

Estudo aponta substâncias tóxicas em brinquedos vendidos no Brasil

O estudo analisou 70 produtos de fabricação nacional e importados e é o mais abrangente já realizado no país sobre contaminação química em produtos infantis


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 03/10/2025 - 09:02

muitos dos itens tinham tamanho e formato que facilitam o contato oral, aumentando a possibilidade de exposição às substâncias
Muitos dos itens tinham tamanho e formato que facilitam o contato oral, aumentando a possibilidade de exposição às substâncias - Divulgação

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em parceria com a Universidade Federal de Alfenas (Unifal), identificaram altos níveis de substâncias tóxicas em brinquedos plásticos comercializados no Brasil. O levantamento, considerado o mais abrangente já realizado no país sobre o tema, analisou 70 produtos de fabricação nacional e importados. Os resultados foram publicados na revista Exposure and Health, informou a Agência Fapesp.

De acordo com o estudo, 44,3% das amostras apresentaram concentrações de bário acima do limite permitido – em alguns casos, até 15 vezes superiores. A exposição ao elemento pode causar problemas cardíacos e neurológicos, como arritmias e paralisias. Também foram detectados níveis elevados de chumbo (32,9% das amostras), crômio (20%) e antimônio (24,3%). Esses elementos podem provocar desde danos neurológicos irreversíveis até problemas gastrointestinais e riscos de câncer.

Os brinquedos analisados foram comprados em lojas populares e shopping centers de Ribeirão Preto (SP) e destinados a crianças de 0 a 12 anos. Segundo os pesquisadores, muitos dos itens tinham tamanho e formato que facilitam o contato oral, aumentando a possibilidade de exposição às substâncias.

A pesquisa utilizou técnicas de espectrometria de massa e digestão ácida assistida por micro-ondas, simulando o contato dos brinquedos com saliva e suco gástrico. Ao todo, foram identificados 21 elementos com potencial tóxico, incluindo chumbo, mercúrio, níquel, arsênio e urânio.

Para o pesquisador Bruno Alves Rocha, autor do trabalho de pós-doutorado apoiado pela FAPESP, o cenário exige medidas urgentes de fiscalização. “Sugerimos análises laboratoriais regulares, rastreabilidade dos produtos e certificações mais rigorosas, especialmente para itens importados”, afirmou à Agência FAPESP.

O artigo completo pode ser lido em: Potentially toxic elements in brazilian toys: a bioaccessibility-based childhood health risk assessment
.

Avatar

O Tribuna do Planalto, um portal comprometido com o jornalismo sério, ágil e confiável. Aqui, você encontra análises profundas, cobertura política de bastidores, atualizações em tempo real sobre saúde, educação, economia, cultura e tudo o que impacta sua vida. Com linguagem acessível e conteúdo verificado, a Tribuna entrega informação de qualidade, sem perder a agilidade que o seu dia exige.

Pesquisa