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“O governador ainda não conquistou meu voto”, diz Paulo Cezar Martins


Avatar Por Redação Tribuna do Planalto em 11/10/2025 - 15:00

Paulo Cezar Martins garantiu que manterá uma postura crítica e adiantou que não apoiaria Caiado em uma eventual candidatura à Presidência da República

O deputado estadual Paulo Cezar Martins esteve, na semana passada, em reunião com o vice-governador Daniel Vilela para discutir seu futuro partidário. O parlamentar afirmou ter sido sutilmente convidado a deixar o PL, após conversa com o vereador Oséias Varão, que teria apresentado critérios para a formação da chapa de candidatos a deputado. Paulo Cezar interpretou a abordagem como um sinal de que sua permanência na sigla não era mais desejada.

Segundo o deputado, há informações de que o ex-presidente da Alego, Lissauer Vieira, teria manifestado receio de disputar na mesma chapa por temer dificuldades na própria eleição. Diante desse cenário, Paulo Cezar já avalia novas legendas e revelou ter recebido convite do senador Vanderlan Cardoso para se filiar ao PSD.

Durante a visita a Daniel Vilela, o parlamentar estava acompanhado do pastor Efraim Soares, liderança histórica da Assembleia de Deus em Goiás. Ele destacou a relação de longa data com o vice-governador, construída ainda no período em que ambos militavam no MDB, ao lado de figuras como os ex-governadores Iris Rezende e Maguito Vilela, pai de Daniel.

Apesar da reaproximação com o vice-governador, Paulo Cezar afirmou que segue na oposição ao governo Ronaldo Caiado na Assembleia Legislativa. Ele garantiu que manterá uma postura crítica e adiantou que não apoiaria Caiado em uma eventual candidatura à Presidência da República.

Confira:

Deputado, o senhor fez nesta semana uma visita de cortesia ao vice-governador Daniel Vilela. Há possibilidade de uma aliança do PL com o MDB para 2026? Com qual cenário o senhor trabalha?
Eu não posso falar em nome do PL, porque, primeiro eu não fui nem convidado para estar na chapa do PL, não tive essa condição; nunca me chamaram para discutir nada no partido. Eu não posso falar em nome do PL. O que aconteceu foi que o PL mandou o vereador Oséias (Varão) falar comigo, para discutir critérios da campanha de deputado estadual, como que seria a candidatura de deputado estadual. Eu senti que ele não teve coragem de me convidar a sair do partido, porque eu tive 40 mil votos e os candidatos não estão querendo entrar na chapa, porque eles irão trabalhar e eu posso vir a tomar o lugar deles. Dentro disso, o Daniel Vilela me chamou para conversar. Eu nunca fui ao Palácio pelas portas do fundo, como o próprio (Gustavo) Gayer, várias vezes, esteve lá, entrando pelos fundos do Palácio, eu nunca fui pelos fundos do Palácio.

Gayer tem ido ao Palácio pelos fundos? Ele tem tido reuniões em sigilo?
Há muito tempo eles vêm se reunindo no Palácio.

O Gayer, o Wilder Morais, quem do PL tem visitado o Palácio?
O Gayer, o Wilder, o próprio Fred (Rodrigues). Eles estiveram no Palácio conversando com o governador.

Com o vice-governador também?
Já houve. O vereador Major Victor Hugo levou o Daniel para conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O senhor está mais próximo de sair do PL e ir para o MDB ou pode vir a participar de alguma aproximação entre MDB e PL?N
Na verdade, eu fui convidado para sair do PL, esse foi o convite que o vereador Oseias não teve coragem de me fazer, então veio falando sobre critério. Como que vai ter critério? Qual é o critério? Quem tem 40 mil votos não pode disputar a eleição de deputado na chapa? Como é isso? Eu me senti convidado a sair do PL. Nos bastidores circula que o próprio Lissauer (Vieira, ex-deputado estadual) falou que não ficaria no PL para disputar a eleição comigo, para encher linguiça na chapa para eu ganhar a eleição. Desse modo, eu fui convidado a me filiar no PSD pelo senador Vanderlan Cardoso e viemos também conversar, logicamente, a convite do próprio Daniel, e estamos conversando. Não tem nenhuma decisão tomada, porque, primeiro, eu ainda estou filiado ao partido, eu tenho prazo, a janela partidária é só em abril.

O PSD foi tema da conversa com Daniel? Estaria na mesma chapa?
Não, eu fui convidado para me filiar ao PSD. E depois fui conversar com o Daniel, e ainda estamos conversando.

Para decidir para qual partido o senhor vai? O senhor está em dúvida entre MDB e PSD?
Eu estou avaliando algumas coisas que precisam ser avaliadas.

O senhor acredita que o PL possa coligar com o MDB para a eleição de 2026?
A mesma história que eu conheço é a que todos conhecem, que o PL vai se coligar com o MDB, mas eu não posso falar isso nome do PL, porque eu não participei de nenhuma reunião.

A viagem que o senhor está fazendo para o Japão tem qual objetivo?
Essa viagem tem como objetivo a questão do meio ambiente. Nós estamos fazendo isso há muito tempo, apresentando inclusive alguns projetos aqui, porque acreditamos ser necessário, além do investimento do governo, as empresas contribuírem para viabilizar o nosso lixo, que não pode ficar do jeito que está. O lixo, além de ser prejudicial ao meio ambiente, tem condição de virar dinheiro, virar negócio e viabilizar a reciclagem do lixo. Estamos acompanhando alguns congressos, já fomos em Portugal, já fomos na Suíça e, agora, estamos indo ao Japão, o país do primeiro mundo em relação ao lixo. Vamos lá conhecer para trazer isso e, além de tudo, levar para a gestão pública para que ela possa fazer uma política pública, ajustando junto com os empresários. Porque lá em Portugal, para se ter uma ideia, é a iniciativa privada e pública junto, fazendo uma união para melhorar o meio ambiente do país. Na verdade, nós precisamos entender que não podemos ficar no discurso, trabalhar de fato para acabar com o lixão que existe no nosso país, na nossa cidade, no nosso estado, no nosso Brasil.

Em relação às queimadas, a Comissão do Meio Ambiente tem algum projeto? A Chapada dos Veadeiros está queimando há mais de dez dias.
Sim, nós apresentamos um projeto relacionado às mudanças climáticas. Um assunto muito complexo, porque há um valor de investimento muito alto e o governo não tem interesse em viabilizar isso. Em Portugal, há uma cidade de 1.300 anos e, há 20 anos, eles montaram a estrutura para limpar a cidade. A própria usina fábrica energia, o esgoto vira água tratada em uma parceria com os empresários. Esse é um projeto que precisa ser estabelecido no Brasil. Alguns países estão bem adiante, estão bem na frente.

Quando o senhor diz que o governo não tem interesse,o senhor se refere ao governo estadual? E qual será a postura do senhor em relação ao governo estadual depois dessa conversa com Daniel?
Não muda nada, porque eu nunca tive nenhum processo, o governador nunca me processou. Eu sempre fui oposição, uma oposição crítica ao governador, pontuada nas falhas, nas dificuldades. Teve uma questão partidária, não pessoal, porque o Caiado toda vida xingou a família do MDB. Eu sempre fui do MDB assim como meu pai. Ele dizia que onde havia um ou dois do MDB tinha que chamar a polícia porque ali só tinha ladrão. Esse trem pegou e por causa disso eu não tive nenhuma ocasião de votar nele para nada, nunca votei, nunca busquei essa forma para me estabelecer. Eu não vou fazer oposição raivosa. O Caiado fez muitas coisas erradas e muitas coisas boas, que eu respeito. Eu vou tomar posição em relação ao governo do Daniel, em abril, porque é a partir de abril que a lei eleitoral dá abertura para se fazer nova filiação, durante a janela partidária. Eu e o Daniel nascemos no MDB, o Daniel, quando criança, lembro muito bem dele menino, do pai dele governador (Maguito Vilela), nunca tive nada contra o Daniel e nem ele contra mim. Sempre tivemos uma amizade, um respeito. Agora, vamos conversar, ver a viabilidade de fazer uma gestão nova, uma gestão de grande relevância para a qualidade de vida do nosso povo, na estrutura da saúde, da educação, na infraestrutura, enfim, vamos trabalhar e buscar esse entendimento.

Mas agora, depois dessa conversa com Daniel no Palácio, essa postura crítica, mas que não é raivosa, muda em relação ao governo Caiado?
Nós sempre temos batido na mesma tese e vamos fazer isso com muito amadurecimento. Como eu disse, Caiado nunca me processou como processou os demais companheiros aqui, colegas da Casa. Vou continuar com o mesmo entendimento que tenho, que eu sempre tive, porque eu nunca fiquei em cima de um muro para levar tiro dos dois lados. Vou continuar fazendo o voto responsável, os projetos que precisam ser votados e que são de interesse da sociedade, vou votar; e o que não é do interesse da sociedade, eu não vou votar.

Deputado, a candidatura do senhor é para a reeleição a deputado estadual?
Sim.

Com relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o senhor também se afasta dele, saindo do PL, ou o senhor mantém uma proximidade com os valores e princípios de Bolsonaro?
Eu sou uma pessoa que busca ser justa, não tenho nenhuma dificuldade na posição de justiça. Eu não sou nenhum A e nenhum B. Eu não sou aquela pessoa que fala assim: eu sou bolsonarista doente. Eu nunca fui e nunca vou ser. Eu acho que o Bolsonaro teve muitas coisas boas e muitas coisas ruins. Eu acho que não podemos ser radicais, não podemos ser extremistas, mas temos de ter uma posição estabelecida. Eu nunca votei na esquerda, mas sempre respeitei. Tem muita gente da esquerda boa, tem muita gente ruim. Como tem muita gente boa da direita e muita gente ruim da direita. O que nós precisamos fazer? Precisamos fazer um planejamento e pensar e estabelecer um plano que é importante para um município, o estado e o Brasil. É isso que nós precisamos fazer como político. Precisamos pensar no estruturante do meio ambiente, no estruturante do planejamento, no estruturante de minas e energia, no estruturante da saúde, da educação, da infraestrutura. Precisamos buscar esse entendimento político para mostrar isso para a sociedade, não ficar só no discurso, mas trabalhar para o bem-estar das pessoas. Dizia muito bem o nosso Pedro Ludovico, que o extremismo corre o risco de pôr fogo na própria roupa.

Se Ronaldo Caiado sair candidato a Presidente da República, o senhor vota nele?
Olha, é um caso que a gente precisa…eu nunca votei no Caiado, a minha decisão de votar nele, eu não tenho esse momento de votar. Ele ainda não conquistou meu voto. Ele precisa estabelecer esse papel de conquista do voto. O governador tem algumas coisas que eu respeito e tem algumas coisas que eu critico. O governador precisa fazer política sem rancor e o governador precisa fazer política sem pensar no próprio umbigo. Eu imagino que o governador ainda precisa conquistar meu voto, porque ele ainda não conquistou; e isso é uma coisa pessoal, é uma coisa minha. Eu entendo que ele não teve essa condição de conquistar o meu voto.

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